sexta-feira, 29 de maio de 2009

BEIJA-FLOR HOMENAGEARÁ 50 ANOS DE BRASÍLIA NA SAPUCAÍ


Ederson Marques
foto Gerdan Wesley
A Beija-Flor de Nilópolis será a escola de samba carioca que homenageará Brasília nos seus 50 anos de vida no desfile de 2010 no Sambódromo.
A agremiação aceitou o convite do Governo do Distrito Federal e sugeriu o tema: “Brilhante ao sol do no mundo. Brasília, capital da esperança”.
No carnaval de 2010, a escola desfilará com até 4 mil membros, sendo que 100 deles serão brasiliense.
Paulo Octávio beija o estandarte da escola nas mãos de Selminha Sorriso
Patrocínio
O valor do patrocínio será de R$ 3 milhões, pagos em parcelas de R$ 300 mil. A escola também fará captação de recursos via Lei Rouanet.

O acerto do patrocínio foi realizado na Cidade do Samba, no Rio de Janeiro, durante visita nesta sexta-feira (29) do vice-governador Paulo Octávio à Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa).
“É um orgulho para Brasília ser interpretada pela Beija-Flor, uma escola tradicional e que sempre apresenta um dos melhores sambas do Brasil. Vamos dar à nossa capital um grande desfile”, afirmou Paulo Octávio.

O convite para homenagear Brasília no seu cinquentenário foi feito a mais quatro escolas de samba: Salgueiro, Grande Rio, Portela e Unidos da Tijuca. O presidente da Liesa, Jorge Castanheira, informou que a Beija-Flor foi a única escola a apresentar proposta sobre o tema sugerido pelo GDF e justificou que as outras quatro agremiações convidadas já tinham enredo definido para o próximo carnaval.

A Beija-Flor pediu R$ 6 milhões para levar Brasília à Sapucaí. O valor caiu para R$ 3 milhões após uma reunião com a diretoria da escola e a comissão que foi ao Rio de Janeiro para tratar do assunto. “Um grande desfile não se faz com menos de R$ 20 milhões. O patrocínio é parte dos investimentos. Brasília será orgulho para todos os brasileiros se depender do nosso samba”, afirmou o presidente da Beija-Flor, Farid Abrão David.

Proposta
Antes de se chegar a um acordo, o carnavalesco da Beija-Flor, Alexandre Lousada, defendeu a idéia original do enredo “Brilhante ao sol do no mundo. Brasília, capital da esperança”. Segundo ele, não se pode falar em Brasília sem tratar de sua história e de sua construção. “Antes mesmo de ganhar seus traços marcantes, Brasília já havia sido pensada e sonhada. Estava na primeira constituição do Brasil. Será um desfile memorável”, garantiu.

Para conhecer melhor a cidade e seus moradores, Lousada visitará Brasília nas próximas semanas. A ideia é que ele consiga levar para a avenida algo que possa quebrar a imagem de uma cidade política-administrativa. “Temos de lutar para que o brasileiro tenha orgulho de sua capital. Tenha vontade de conhecê-la. Esse é nosso principal objetivo”, esclareceu o vice-governador Paulo Octávio.

O presidente da comissão que trata do aniversário dos 50 anos de Brasília, Roberto Brant, lembrou uma das exigências do GDF para que a escola receba o patrocínio. “Precisamos de uma ala para que os pioneiros e brasilienses possam desfilar”, disse. Ao mesmo tempo, diretor de carnaval da Beija-Flor, Laíla, se prontificou a preparar essa ala. Segundo ele, um carro pode levar os pioneiros e os brasilienses podem ser distribuídos em alas durante o desfile.

BEIJA-FOR DEVE FICAR COM O ENREDO SOBRE BRASÍLIA 50 ANOS

Luis Turiba

Nota na coluna do Ancelmo, de O GLOBO de hoje (dia 29) dá conta que a Beija-Flor vai ficar com o enredo "Brasília, 50 Anos". Ancelmo Gois é um dos jornalistas mais bem informados do país.

A reunião dos homens da Liga das Escolas de Samba será agora à tarde, com o governador Arruda e o vice Paulo Octávio, mas a nota "Ninguém Tasca" no Ancelmo Gois garante:

"Dia 14, o patrono da Beija-Flor, dom Anísio Abrãao David, avisou aos outros presidentes das escolas competidoras que quer o tema. A Beija-Flor deve levar o patrocínio de R$ 5 milhões".

quinta-feira, 28 de maio de 2009

BRASÍLIA SERÁ ENREDO NA SAPUCAÍ EM 2010

Por Luis Turiba, do Rio

Pelo menos cinco grandes escolas de samba do Rio de Janeiro - Portela, Beija-Flor, Grande Rio, Mocidade Independente de Padre Miguel e Vila Izabel - desejam desfilar o primeiro cinquentenário de Brasília na Sapucaí, no carnaval de 2010.

Hoje (sexta, dia 29) representantes da Liga das Escolas de Samba recebem na Cidade do Samba, às 15 horas, o vice-governador Paulo Octávio, o secretário de Cultura, Silvestre Gorgulho; o adjaunto Beto Salles, o novo presidente da Brasiliatur, João Oliveira, e o ex-ministro Roberto Brant, presidente da Comissão dos 50 Anos de Brasília, para discutir o assunto.

A idéia é ter um carro alegórico desenhado por Oscar Niemeyer e uma ala de brasilienses organizada pelo carnavalesco Joãosinho Trinta, que vive em Brasília.
Estima-se em cinco milhões de reais o custo do patrocínio do desfile.
Mais notícias sobre este tema amanhã

quarta-feira, 27 de maio de 2009

RENATO RUSSO MORREU MAGOADO COM BRASÍLIA

O jornalista e escritor Carlos Marcelo, editor do Correio Braziliense, mergulhou fundo no baú de memórias deixado pelo poeta-roqueiro Renato Russo, da Legião Urbana, para escrever o livro biográfico "Renato Russo, Filho da Revolução", a ser lançado no próximo dia 2 de junho, no CCBB.
Renato foi um ser complexo, inquieto, criativo, mas acima de tudo afirmativo no que sonhava e fazia.
Aqui, Carlos Marcelo responde a cinco perguntas sobre o personagem do seu livro. Comoe quem foi Renato Russo:


- Você acha que Renato Russo é um realmente mito de Brasília?
Um ídolo, com certeza. O mito ainda está em formação, como a identidade de Brasília também ainda está em construção. Mas, cada vez que vejo crianças e adolescentes da cidade cantando hoje em dia as músicas que o Renato escreveu há mais de duas décadas, percebo que a consolidação do mito é inevitável por conta da permanência da obra.

- Na sua opinião, o que mais se destaca na biografia dele: o poeta, o roqueiro, o intelectual ou o ser político?
Tudo ao mesmo tempo, como diriam os Titãs. Como tentei reconstituir o período de formação do Renato, percebi que ele experimentou todas as formas de expressão (teatro, cinema, literatura, poesia, jornalismo) antes de se consolidar como líder da Legião. Então, suas letras refletiam esses múltiplos interesses. Era um roqueiro altamente politizado, e um compositor altamente intelectualizado.

- Seu livro é também uma aula de história contemporânea do Brasil. Por que você resolveu lincar as duas coisas?
Primeiro, pela coincidência de o Renato ter nascido no mesmo ano que Brasília (1960) e ter chegado ao planalto no início da adolescência, em 1973. Achei que era possível traçar a trajetória de formação de um jovem nos anos 1970 em paralelo à de uma cidade igualmente adolescente - mas, para isso, era preciso contextualizar o surgimento dessa capital nascida de uma utopia que logo foi frustrada. E, depois, por identificar nas letras do Renato diversas referências a fatos ocorridos no século 20 em Brasília, no Brasil e no mundo. Mas tentei fazer isso sem didatismo, mais preocupado em obter fluência narrativa do que em enfileirar fatos históricos.

- Qual a melhor música de Renato Russo?
Gosto muito de "Baader-Meinhof Blues", "Tempo Perdido" e "Perfeição", mas acho que "Faroeste caboclo" é a composição mais impressionante não só pelo tema brasileiríssimo mas pelo vigoroso encadeamento da narrativa até o desfecho cinematográfico - não à toa, está sendo adaptada para o cinema pelo diretor René Sampaio.

- Se vivo fosse, o que ele pensaria do cinquentenário de Brasília?
Não sei. Renato tinha uma relação de amor e ódio com Brasília e pensou em escrever sobre a cidade nos últimos anos de vida - deixou anotações em manuscritos que comprovam essa intenção, como uma letra inédita, "Setor de Diversões Sul". Mas ficou muito magoado com a reação de pessoas da cidade após o conturbado show do Mané Garrincha em 1988. Ele nunca declarou publicamente se tinha superado essa mágoa ou se a carregou até a morte.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

RENATO RUSSO, O FILHO DA REVOLUÇÃO

"Emocionante!" O poeta Nicolas Behr comenta o livro "Renato Russo, filho da revolução", de Carlos Marcelo

O lançamento será no dia 2 de junho, terça-feira, a partir das 19 horas, na Livraria Dom Quixote, no CCBB.

"A primeira biografia do maior letrista do rock brasileiro foi escrita por Arthur Dapieve e chama-se" Renato Russo - o trovador solitário", lançado pela Ediouro.

A segunda biografia sai agora e tem o título de "Renato Russo - o filho da revolução". Foi escrita por Carlos Marcelo, editor-executivo do Correio Braziliense.

Li o livro. Emocionante. Como foi a vida deste nosso segundo grande mito. ( O primeiro foi JK). Esta biografia tem o mérito de falar da vida do Renato entrelaçando-a com os principais acontecimentos políticosdo Brasil nos 36 anos em que viveu, de 1960 a 1996.

A juventude vai tomar conhecimento de tempos difíceis para o Brasil: tempo de ditadura. Quem ler o livro vai aprender, de carona, sobre o golpe de 64, os anos de chumbo do governo Médici, a abertura de Geisel, a redemocratizaçao. Meus filhos, adolescentes, vão ler o livro, com certeza. E vão ficar sabendo de muita coisa sobre a história recente deste País."

Nicolas Behr, poeta, autor do livro "Beije-me", com fotos da geração Cabeças

CLUBE DO JAZZ SERÁ INAUGURADO EM 2 DE JUNHO



Atrações internacionais se apresentarão no novo projeto musical da capital

O pianista cubano Hernan Lopes Nussa, ligado ao Bueno Vista Social Club, virá a Brasília no próximo dia 2 de junho, se apresentar na inauguração do CLUBE DO JAZZ, que funcionará no Clube das Nações.
Projeto da produtora Maria Tereza Brochado e do músico Zelito Passos, o CLUBE DO JAZZ terá sempre duas atrações do jazz internacional para se apresentar em Brasília, mensalmente, ao lado de músicos brasileiros. Desta vez, o convidado para fazer par com Hernan Lopes é o músico Oswaldo Amorim. O show tem o apoio da Embaixada de Cuba.

Maiores informações pelo e-mail zelitopassos@terra.com.br

SAUDADES DE TIM LOPES E DE SANTA TERESA

Por Luis Turiba

Bom carioca que sou, embora nascido no Recife, quando me sobra tempo, espaço e saco, devoro lenta e caprichosamente as páginas d`O GLOBO, jornal que tem as marcas e rugas da cara do Rio. Me levam, as páginas, a passear pela cidade outrora maravilhosa e por coisas do mundo, minha nêga, do hoje e do ontem.

Tenho uma ligação histórica com o jornal. Foi lá, na Rua Irineu Marinho, pertinho do Balança Mais Não Cai, que dei meus primeiros passos nesta profissão que carrego e por ela sou carregado há 34 anos.

Fui repórter de Cidade d´O GLOBO. Cobri crimes, desastres, cenas cariocas, dramas humanos, carnavais, engarrafamentos de trânsito na Avenida Brasil, temporais, plantões nas praias e nas cidades fluminenses fora do Rio. Naquele tempo não tinha tanto tiroteio e bala perdida como se tem hoje.

Bons e inocentes tempos. Mandava na redação o Caban. Acima dele, o Evandro com seu hiper-óculos de ver além. E lá do alto do terceiro andar, o nosso “Companheiro, Editor-Chefe, jornalista Roberto Marinho”, popularmente conhecido como Dr. Roberto, inventor deste grande império.

Na redação, ralando nas letrinhas, uma seleção de repórteres que até hoje dá saudade.
Vamos ver até onde a memória ainda alcança, três vez salve a esperança: Luiz Eduardo, Jorge Oliveira, Thaís Mendonça, Paulo César (de Nova Iguaçu), Eduardo Mamcasz, Beliza Ribeiro, Jurandir, Pamela Nunes, Lúcia Leão, Marcelo Beraba, Riomar Trindad, Celeste (Educação), Marcelo Pontes, Albeliza, Hélio Contreiras, Mara Cabalero, Roberto Ferreira, Rosa Picoreli, Ismar Cardona, Luisinho, Marcos Dantas, nossa!, quantos vieram à tona e tantos mais que a memória deslizante me impede de lembrar.

Éramos comandados (de certo forma) pelo super-repórter Domingos Meireles, que desenhava nossos textos; e copidescados – que luxo! -por dois gênios: Tite de Lemos e Agnaldo Silva. Chefiando a redação Anderson, Renan e Frejat.

Deixei por último, um nome significante, símbolo maior e, por que não, herói de toda essa geração e daqueles lindos e tenebrosos anos: Tim Lopes, o Arcanjo Antonino do Nascimento, que de contínuo da redação se transformou num repórter tão fantástico e penetrante, tão grande e nocivo à bandidagem, que caiu em combate, sendo terrivelmente eliminado pelo que há de mais perverso no tráfico do Rio de Janeiro.

Tim, como muitos de nós, morava em Santa Teresa e utilizava o bondinho para chegar em casa. "Solta a franga, gente boa: só quem brinca com as palavras sabe a graça que elas têm", dizia antes de vestir sua camisa mais elegante para ir dançar na Estudantina, gafieira da Praça da República, quase Lapa.

Sinceramente, não sei porquê, mergulhado em O GLOBO desta última sexta-feira (dia 22), me dei conta de toda essa saudade.

Talvez porque o Obama tenha resolvido levar para solo norte-americano os presos de Guantánamo, como foi noticiado na primeira página. Ou quem sabe porque o PT, a CUT e a UNE se juntaram para lançar a canditatura da Dilma em passeata na Avenida Rio Branco. Ah, acho que foi a foto do Lula na Turquia que se juntou ao comentário do Merval Pereira: "Como em política, ninguém prega prego sem estopa, a doença da Dilma está colocando a classe política em polvorosa. A solução mais óbvia, nem por isso mais fácil, é a possibilidade de Lula vir a disputar um terceiro mandato consecutivo." Mas o saro que Nelson Motta tirou do Comandante Fidel também contou: "Ele (el comandante) descobriu que o Pentágono controla a internet e conspira contra Cuba, bloqueando o seu acesso à rede. Além do bloqueio econômico, o digital. Nem o mais idiota dos latino-americanos acredito nesse delírio cínico: é Fidel quem bloqueia o acesso dos cubanos à internet e às TVs internacionais." Isso sem falar da nota do Ancelmo dando conta que Jaime Arôxa vai substituir Carlinhos de Jesus na Comissão de Frente da Mangueira.

Não, nada disso. Talvez o que tenha me levado a regressar à redação de O GLOBO de 1975, tenha sido a entrevista que a repórter Márcia Abos fez com tia Rita Lee, onde ela abre o verbo corajosamente:

"Não posso nada. Sou alcoólatra, então bebeu o primeiro, f...Meu pai e meu avô eram alcoólatras, minha irmã morreu de alcoolismo, overdose. Quando comecei a fazer a turnê do "Bossa 'n'roll", baixou um Vin[icius de Moraes, e eu estava ali com um uisquinho. Álcool é a droga mais pesada que já experimentei. E tem essa hipocrisia de ser liberado - Se beber não dirija. Isso tudo é cinismo. Ou libera tudo ou proibe tudo. Quando nasceu minha neta eu tava num hospício. Porque "rehab" para mim é hospício, lugar de gente louca que tem compulsão a tudo: comida, sexo, jogo, álcool, drogas. Mas não me arrependo de ter feito tudo o que fiz, de ter tomado tudo o que tomei, de ter passado pelas esquinas por onde andei. Não tenho discurso de madalena arrependida. Teve um lado bom de alcançar um arquivo que eu jamais alcançaria careta. Mas é perigoso. Você consegue coisas maravilhosas, música, letra, a ousadia. Mas você abre a guarda e , nessa, vem o outro lado da moeda que é o escuro. Era uma coisa Luke Sywalker, agora é Darth Vader."

Esse depoimento é um poema, como foi poema ter vivido à redação de O GLOBO com Tim Lopes e - quase ia me esquecendo - com Nelson Rodrigues, fumando seu cigarrinho na Editoria de Esportes, enquanto escrevia sobre o Sobrenatural da Silva, seu alter-ego para explicar as inexplicáveis vitórias ou derrotas do Fluminense. Lembra Tim?

domingo, 24 de maio de 2009

FIQUE POR DENTRO DOS CRIMES CONTRA DIREITOS HUMANOS


CLIPPING TEM COMO MISSÃO ALERTAR E INFORMAR

A jornalista Marcia de Almeida, editora do site http://www.emdiacomacidadania.com.br/ , há mais de 2 anos no ar, está colocando na roda, em sociedade com Rodrigo Machado, da Tecnopop, o Clipping da Cidadania, serviço por assinatura, uma ferramenta importante para quem trabalha com Direitos Humanos, editores, ONGs, e quem mais vier.

Assuntos abordados pelo clipping, que vai cobrir também Internet, rádio e televisão: Criança e adolescente; Direitos da Mulher/ Violência contra a Mulher; Discriminação; Exploração sexual; Indígenas; LGBT e Homofobia; Meio Ambiente; Minorias; Negros; Pessoas com Deficiência; Racismo; Trabalho escravo e trabalho infantil; 3º.Setor e Balaio (assuntos de cidadania que não estejam contemplados nos temas do clipping)

O clipping pode ser visitado no http://www.clippingdacidadania.com.br/ e você também pode pedir para receber algumas edições do para conhecê-lo através do email degustacao@clippingdacidadania.com.br

MORRE MANGUEIRA DINIZ, ATOR E DIRETOR DE TEATRO

Nota de Falecimento enviada por Élton Skartazini

Informamos o falecimento do ator, diretor, poeta e boêmio MANGUEIRA DINIZ (10-03-1954 a 23-05-2009), ocasionado por infarto fulminante. Sua última atuação aconteceu no palco do projeto CULTURA EM MOVIMENTO, dia 16/05/2009, em Taguatinga/DF (foto). O velório ocorre hoje, 24/05/2009, na capela 09 do Campo da Esperança, Brasília/DF, onde será sepultado, às 17h.

MANGUEIRA DINIZ teve significativa atuação no movimento artístico e cultural do Distrito Federal, a partir dos anos 80. Foi o grande protagonista para a implantação do Teatro Oficina Perdiz, na Asa Norte. Formou-se bacharel em direção teatral pela Faculdade Dulcina de Moraes. Em sua vida profissional foi funcionário do Banco Central. Deixa três filhos, frutos de dois casamentos. Lamentamos a perda desse artista polêmico, mas querido de todos nós.

Élton Skartazini - 9908.4963
Jornalista

RAPPA ABANDONA PALCO EM BRASÍLIA

Bateu o “complexo de Tim Maia” na banda RAPPA na madrugada deste domingo em show em Brasília. Cadê o retorno? Cadê o retorno?

Contratada para fazer a festa de aniversário do Sindicato dos Servidores da Justiça (Sindjus) a banda carioca entrou no palco do Pavilhão do Parque da Cidade por volta de meia noite e meia, tocou duas músicas e saiu de cena por falta de condições técnicas do som.
“Assim não dá”, queixou o líder Falcão, que esta semana esteve no Programa do Jô Soares divulgando o DVD.
As 10 mil pessoas presentes à festa exigiram a volta do RAPPA, o que só aconteceu por volta das três da madrugadas.
“Os Pelicanos da Lua”, banda brasiliense de rock, fez o show de abertura sem nenhum problema.

JORGE ARAGÃO EM SAMAMBAIA

O sambista Jorge Aragão estará logo mais à noite fazendo um show em Samambaia, próximo à Vila Olímpica da cidade, no projeto “Cultura nas Cidades”, da secretaria de Cultura do DF.

sábado, 23 de maio de 2009

CASA NO CAMPO

Composição: Zé Rodrix / Tavito


Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar do tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais

Eu quero carneiros e cabras pastando
Solenes no meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas

Eu quero a esperança de óculos
E um filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão,
A pimenta e o sal

Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau a pique e sapê
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros e nada mais

PRESENÇA DE VINICIUS

A poeta Amneres me presenteou este soneto, que compartilho com todos vocês


Porque hoje é sábado – soprou-me Vinicius,
Do alto da morada dos poetas,
Na beira-mar, em praia de floresta,
Como era a Mata Atlântica, no princípio,

Quando uma nau perdida, em precipício,
O Novo Mundo descobriu, em festa,
E um português, seu primeiro poeta,
Maravilhado, gritou: “terra a vista”.

Era o Brasil, contou-me o trovador,
E Pero Vaz de Caminha, seu autor,
Ao escrever ao Rei, extasiado,

Sobre o Jardim do Éden encontrado,
E sua gente livre do pecado -
Soprou ao meu ouvido, e se calou.

Retirado do blog www.poesiaemtemporeal.com

SANFONEIROS SE REÚNEM NO SERTÃO DE PERNAMBUCO

Uma oficina de zabumba, a primeira a ser realizada no interior do Estado, será uma das principais atrações da vigésima edição do Festival Regional da Sanfona (Fersan).

O evento está marcado para o período que compreende os dias 29 e 31, em Afogados da Ingazeira, no Sertão pernambucano, distante 380 quilômetros do Recife. Realizado pelo Grupo Frente Jovem (GFJ), o festival reúne sanfoneiros de toda a Região do Pajeú e de cidades vizinhas da Paraíba.

“O festival é uma vitrine para os sanfoneiros, nesta época do ano, devido à proximidade dos festejos juninos”, destaca o organizador Augusto Martins. “Depois das apresentações, a maioria deles já desce do palco com apresentações garantidas no São João”. Outra grande atração do evento será o sanfoneiro Isaías Amaral de Souza, o Isaías Pacote, que completa 100 anos no próximo mês de dezembro e fará uma participação especial.

Jornal do Commercio - PE - 23/05/2009 - 08:22

CÉLIA PORTO CANTA BRASÍLIA

A Cara de Brasília – Célia Porto e Rênio Quintas


A Cara de Brasília é um Projeto da Ponte Studio Gravações Ltda., gravadora e produtora da Cantora Célia Porto. Nessa primeira etapa, quando retoma as apresentações no circuito da noite de Brasília, Célia Porto abre a mini-turnê cantando Renato Russo – De quem interpretou um CD dedicado exclusivamente às suas composições – Célia Porto canta Legião Urbana – no qual o cantor e compositor participou de todo o processo de construção e seleção do repertório, falecendo alguns meses antes de sua conclusão. O trabalho também resultou na gravação do videoclipe da música “Esperando por mim” veiculada na emissora MTV.

O projeto A Cara de Brasília foi lançado no Mercado Nacional em Março desse ano com o CD da coleção Letra&Música - Renato Russo pelo selo Descobertas de Marcelo Fróes com 14 faixas e conta com a participação das cantoras Célia Porto, Cássia Eller, Leila Pinheiro, dos grupos Capital Inicial, Barão Vermelho, 14 Bis e Pato Fu e do cantor Léo Jaime. Célia participa com duas faixas.

O primeiro show inaugura o projeto que circulará nas casas noturnas de Brasília e acontecerá dias 29 e 30 de Maio no Rayuela Bistrô na 412 Sul, agradável e consagrado espaço da Noite de Brasília, onde todos os ritmos e opções musicais se encontram, que reinaugura suas instalações. Na Segunda etapa do projeto, Célia Porto interpretará canções do Liga Tripa e de outros compositores radicados na Cidade no Circuito Universitário e parte, no segundo semestre, para a Gravação de seu primeiro DVD.

Mais informações

Local – Rayuela Bistrô – 412 Sul – Com manobrista
Dias 29 e 30 de Maio
Couvert – R$ 20,00
Informações e reservas – 61-3245-4335

ZÉ DIRCEU NA CAMPANHA DA DILMA

Com todo respeito, gente: vocês não acham que Dilma está cada dia mais parecida com a Vilma dos Flynstones?

Márcia de Almeida no Site em Dia com a Cidadadia escreveu com toda razão:

"José Dirceu criou um slogan para a campanha da Dilma Rousseff, que é totalmente equivocado: Dilma para presidente, é Lula de novo.

Carisma e liderança não se transfere. Nem é bom para a ministra ter o ex-deputado comandando sua campanha, pelo que ele representou ao chegar no Poder.

DOE LIVROS PARA FAVELAS DE BRASÍLIA

A Central Única das Favelas (CUFA) do Distrito Federal pede a
colaboração de todos os moradores do DF para contribuir com a SALA DE
LEITURA CUFA DF construída nos núcleos de atividades no Areal e em
Ceilândia. O incentivo a leitura é primordial por estimular a imaginação,
criatividade, novos sonhos, e claro, a informação, que orientada torna-se conhecimento.*

Para contribuir com o incentivo a leitura, a CUFA DF convida voluntários
que se disponham a orientar os freqüentadores da sala, bem como pede a doação de objetos que ambientem a sala de leitura (sofás, tapetes, eletroeletrônicos: como TV, Som, DVD).

Aceitamos qualquer doação!
As doações podem ser entregues no endereço: QS 06 casa 08 avenida Areal/Águas Claras*

Mais informações pelo telefone: (61) 3224 6557*


Max Maciel
Coordenador Geral
Central Única das Favelas do DF
55*61-9949-4995
Nextel ID: 83*33696
www.cufadf.org


Paula Campos Lara Moura
Associação Adianto de Promoção Social

Acesse: www.adianto.org.br
paula@adianto.org.br
(61) 8468-9540
(61) 3447-6782

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Morre cantor e compositor Zé Rodrix

Artista, de 61 anos, morreu na noite da quinta-feira (21) em SP.
Ele estava em casa quando passou mal e foi levado ao HC.

Morreu, na noite da quinta-feira (21), em São Paulo o cantor e compositor Zé Rodrix. Ele é o autor da música "Casa no campo", grande sucesso gravado por Elis Regina. Outra composição de sucesso dele é a musica “Soy latino americano”.

Zé Rodrix estava em casa, com a família, quando passou mal. Ele foi levado às pressas ao Hospital das Clínicas, na capital paulista. O artista tinha 61 anos e, segundo a mulher, estava muito bem de saúde. O velório acontece em São Paulo a partir das 17h desta sexta-feira (22), na GLESP (Grande Loja MaÇônica do Estado de São Paulo), na Rua São Joaquim 138. O enterro deve ser realizado no sábado (23), ainda sem local e horário definidos.

Zé Rodrix surgiu para o grande público nos festivais de música dos anos 60 – defendeu a música “Ponteio” ao lado de Edu Lobo e Marília Medaglia em 1967, no III Festival de Música Popular Brasileira. Mas foi na década de 70, época de maior produtividade na música brasileira, que Zé Rodrix deixou sua marca.

Junto com Sá e Guarabyra, criou o chamado “rock rural” – nessa época, compôs com Tavito o grande sucesso “Casa no campo”. Cantou com Elis Regina e com o grupo Joelho de Porco. É dele também a canção “Soy latino americano”, e outras baladas ao piano.

notícia - fonte G1

quinta-feira, 21 de maio de 2009

OS MYSTÉRIOS DE ZUCA SARDAN, POETA ILUSIONISTA

Por Luis Turiba


Ele tira magos da cartola e dançarinas do punho da camisa só para criar seus textos lisérgicos para retratar um mundo alegórico.

Zuca Sardan teve sua primeira aparição no histórico livro “26 Poetas Hoje”, da professora Heloisa Buarque. Era um luxo entre os poetas marginais

Seu livro mais recente, “BABYLON – MYSTÉRIOS DE ISHTAR”, com folhetins do poeta Zuca Sardan, saiu pela Companhia das Letras. Está à venda nas principais livrarias do ramo. Imperdíiiiiiiiiivel e indispensáaaaaavel instrumento de sabedorias poéticas.

Independente dos livros, Zuca panfleta cosmicamente folhetins pelo planeta. As histórias chegam por correio, via internet, de mão em mão

Zuca é um caso à parte da Poesia Brasileira Contemporânea. Diplomata como Chico Alvim, vive em Hamburgo na Alemanha, mas não deixa de estar presente em cada esquina de Brasília, em cada favela graffitada do Rio de Janeiro, em cada engarrafamento de São Paulo.

Apresentação do seu “Mystérios de Ishtar”

“Tudo começa atrás das muralhas do castelo da deusa Ishtar, pra lá de Bagdá, quando o sábio Fumegas vai indagar sobre os mistérios da Babilônia; a divindade responde enigmaticamente, é claro.

Em seguida vêm deuses e imperadores, gárgulas e cetros, bulas e lauréis, tridentes e morcegos...A bruma é espessa.

Mas há também cumbucas e botijões, pneus e buzinas; a própria Ishtar, “das ameias faz psiu para os passantes”; há o doutor Gamboa, o leão Pandomir, o papo Pasquale e a trupe que Zyca Sardan, vale psicopompo, recrutou para tocar a ação mirabolante.

Ela prossegue em Bagdá, Roma, Egito – e há quem sinta até uma brisa de Rio de Janeiro...

O fato é que, sejam lá quais forem os tais mistérios, estes Mystérios de Ishtar conduzem o leitor a uma viagem lúbrica por todas as esferas dos cosmos: dos planetas e constelações aos ringues e mafuás.”

ZUCA FOI UM DOS PILARES DA REVISTA BRIC-A-BRAC

Na revista Bric-a-Brac n º3 – publicação de poesia experimental publicada em Brasília de 1985 a 1992 -, lá estava ele em furo de reportagem da editora Lúcia Leão, que desvendou os “mystérios” do nosso bardo em “folhas sparsas”. Ela escreveu:

“Foi uma aparição rara, a luz do dia. Zuca Sardanga, que já foi Sardana, é fluido e costuma só se materializar à noite, no limite letárgico entre a vigília e o sono. Mas naquela tarde ele brindou publicamente, na cervejaria Schopenhauer, com copos de chopp, a recuperação do seu “g”, surrupiado pelo mau-caráter Arsênio Salieri.

“O velho Zuca é meio fantasmal, e facilmente se evapora, tão logo procura se tornar mais objetivo...”, observa o conselheiro Felype Saldanha, diplomata brasileiro, que empresta desde o nascedouro, inteligência e forma ao personagem-poeta.


ZUCA,SEGUNDO CHICO ALVIM

Francisco Alvim

Revista Bric-a-Brac nº 3,

“Capitão Fantasma. Acho que foi esse seu primeiro pseudônimo literário. Mas é possível que eu me engane e que, na pia batismal, ao receber os santos óleos, com exemplar discernimento – impensável em qualquer outro bebê -, já chamasse a si mesmo de sábio nenê ou então de flibusteiro nenê embusteiro.

Pois a verdade é que durante toda a vida, Zuca Sardana (hoje Sardan) tem-se empenhado numa busca incessante de aventuras, conjugada a um esforço de eflexão permanente, cujo último propósito é o de alcançar – e transmitir para as gerações presentes e futuras – a sabedoria. Ele seria a versão hodierna dos filósofos guerreiros da antiguidade ocidental (ou o que talvez fosse mais verdadeiro, dos orientais filósofos mandarins).

Versão bastante modificada, é bom que se diga, pois a poesia de Zuca é o relato cheio de humor da antiépica dos tempos modernos. E sua filosofia, um irônico exercício sobre a inanidade do esforço especulativos dos homens, o qual se torna apenasmente cômico quando confrontado às realidades estúpidas e banais de nossas vidas.”

(...)E o que falar dos desenhos que acompanham os textos? O leitor terá uma pálida amostra no que ilustra esta crônica. Zuca é um desenhista sem igual. Uma vez criou um álbum - obra-prima que expressivamente intitulou "Visões do Bardo". Nele, conta uma saga, em imagens, que Alice poderia ter confidenciado ao Barão de Itararé - torvelinho de figurinhas, onde borboletas cruzem com pquenos jornaleiros, a preceptora de elefantes com o chim corredor.

O herói de Sardana é um ser metamórfico (e metafísico), a oscilar entre a fralda e o fraque, a chupeta e o cavanhanque; capaz de grandes tiradas filosóficas e ainda não desmamado de tetas opulentas. Personagens de uma idade inconcebível, espécie de infância vetusta, onde transitassem bebê-anciões. Utilizao encanto dos mitos infantis para melhor desvendar aos adultos os desencantos do mundo."

A VOLTA DO TERRÍVEL METEORANGO KID

Luis Turiba

Filme de André Luis Oliveira sobre o herói intergalático volta a tirar onda


Memória e invenção. Poesia e experimentação. Revolução e escracho.

O cinema brasileiro das década 60 e 70, em plena barra pesada da ditadura, viveu uma época efervescente de criatividade. O chamado “Cinema Marginal” radicalizou a linguagem e aprofundou todas as experiências estéticas.

Um das obras mais polêmicas da época foi o filme METEORANGO KID, do baiano-brasiliense ANDRE LUIS OLIVEIRA. O filme foi relançado agora em DVD no projeto CINEMA MARGINAL BRASILEIRO, da LumeFilmes e Heco Produções.

É realmente surpreendente e muito legal assistir a obra de André com 40 anos de distanciamento. Na realidade, é um verdadeiro "barato legal". Recomeeeeendo!

Maiores informações no www.lumefilmes.com.br

quarta-feira, 20 de maio de 2009

A LOUCURA MANSA DE UM PROCURADOR DE RUÍNAS

Luis Turiba

UMA HISTÓRICA ENTREVISTA COM JOSÉ MINDLIN


A entrevista que nós, os quatro editores da revista Bric-a-Brac – João Borges, Lúcia Leão, Resa e eu –, fizemos com José Mindlin, acho que em 1988, nos valeu três visitas ao santuário livresco, na época com pouco mais de 20 mil livros, sendo que 100 edições diferentes de “Os Lusíadas”.
Aconteceu uma coisa curiosa na época, o que enriqueceu em muito a entrevista, que depois serviu de base para seu livro “Uma vida entre livros”. Passamos um dia inteiro conversando e gravando. No final, o gravador não gravou bulhufas. Genial! Quando voltamos para a nova conversa, foi mel no mamão poder compreender melhor aquele universo envolvente de raridades.

Fui surpreendido hoje pela notícia do “Bom Dia Brasil” de que um robot está escaneando a “brasiliana” de Mindlin para torná-la pública, na internet. Ual!

NOTÍCIA DO BOM DIA BRASIL

“Colecionador doou seus livros raros à USP. Um robô "devorador de livros" está escaneando os exemplares. A paixão de um brasileiro por seus livros em breve vai ser compartilhada com todos nós. A Universidade de São Paulo se prepara para receber parte da biblioteca Brasiliana, doada pelo empresário e colecionador José Mindlin.

A “Brasiliana” poderá ser acessada de qualquer parte do mundo, pela internet, e também fisicamente, em um prédio que está sendo construído para receber o acervo. Um tesouro, de um homem sonhador, que vai se tornar público pelo esforço de gente que acredita que um grande país só se faz com cultura e educação.

“São três andares de livros. Todas as paredes com toda coleção exposta. A ideia é que a gente tivesse sempre o visitante em contato com o acervo”, explica o arquiteto Rodrigo Mindlin Loeb.

Este será o corpo da Brasiliana, biblioteca formada por 17 mil títulos, todos sobre o Brasil ou feitos no Brasil, doados à USP pelo avô de Rodrigo, o empresário e bibliófilo, José Mindlin.”

DEZ CONCEITOS DE MINDLIN SOBRE LIVROS

Em função de notícia tão fascinante, revisitei a entrevista de Mindlin à Bric-a-Brac que curti, me surpreendi, me emocionei. A conversa, muito bem ilustrada com fotos e reproduções feitas por Ricardo Chaves, ocupou sete páginas da revista. Aqui, só pra dá um gostinho a vocês, leitores deste blog, selecionei cinco grandes toques mágicos sobre este homem exemplar, brasileiro coberto de sabedorias e dignidades.

APRESENTAÇÃO

“Ele é um leitor insaciável. Indisciplinado confesso. O apetite pela leitura e um assumido perfil por raridades guiaram o rumo da biblioteca. Lê mais de um livro ao mesmo tempo, aproveitando ao máximo os pequenos intervalos. Como tem motorista, não se aborrece com engarrafamentos de trânsito em São Paulo: são algumas páginas a mais que lê. Quando sai do carro leva consigo os livros: “Se roubarem o carro não interrompo a leitura”, diz. (trecho da apresentação da entrevista, por João Borges)

COLEÇÃO DE CAMÕES

“No meu caso, a Camoneana começou pequena, e foi crescendo no tempo, com edições críticas e comentários que são indispensáveis à boa leitura de “Os Lusíadas” e até mesmo de outras obras de Camões. Na medida em que começou a surgir um conjunto significativo, foi inevitável a vontade de ir conseguindo as principais edições, seja pelo texto, pois há variantes, seja pelos comentários, pela ilustração, pela apresentação gráfica, e, porque não confessar?, pela raridade, que é um componente importante do prazer.”


AMIZADE COM DRUMMOND

“O caso do Drummond. Meu relacionamento com ele foi uma das boas coisas que me aconteceram na vida. Creio poder dizer que fomos muito amigos, mesmo sem sermos íntimos. Nas conversas e nas cartas havia camaradagem, e houve episódios engraçados em que resistia de início a pedidos meus, como, por exemplo, a reedição fac-similar de “A Revista”, que ele achava bobagem de mocidade, ou a assinatura de uma carta dirigida ao Presidente João Figueiredo pedindo a criação do parque Ianomani a ser assinada por ele, por Antônio Cândido, por mim e por mais algumas pessoas.”

RECONHECIMENTO DE GUIMARÃES ROSA

“Mas voltemos ao Rosa (João Guimarães). Fizemos boa camaradagem e durante um mês corríamos juntos as livrarias de Paris, conversando durante as andanças sobre um mundo de coisas, mas nada que eu me lembre, muito sério. Mas ele não me impressionou muito, embora fosse sem dúvida inteligente, e tivesse bom senso de humor. Nunca me deu idéia de que fosse escritor. Ao mesmo tempo, tinha uma preocupação com roupa e aparência, um indefectível gravatinha borboleta que me dava uma sensação de futilidade e de vaidade. É verdade que Oscar Wilde dizia que quem não se preocupada com a aparência não pode ser levado a sério, mas creio que Rosa exagerava. (...) Passaram-se dez anos sem que eu pensasse no assunto, quando saiu “Corpo de Baile” e logo depois “Grande Sertão: Veredas. Aí a coisa começou a mudar de figura, pois lembrei-me de “Sagarana”. Li os três livros de uma arrancada, e nunca mais me separei de Guimarães Rosa.”


O ENCONTRO COM UM LIVRO RARO

“O coração bate mais forte. A emoção a gente sente, o que a gente não pode é deixar transparecer essa emoção diante de um livreiro, porque senão o preço pode subir...


O FUTURO DA SUA BIBLIOTECA


“Tenho um neto, Pedro, que sempre ouviu a gente falar em uma fundação. Quando tinha 9 anos (hoje tem 17) disse um dia à mãe dele: “O vovô nunca vai fazer essa fundação. Em primeiro lugar porque é preguiçoso – vejam só o juízo que ele faz de mim! – e em segundo lugar porque ele não vai querer se separar dos livros. Quem vai fazer essa fundação somos nós.” Devo dizer que isso me deixou animado...Sobre a preguiça, ele até que tem uma certa razão, mas mesmo assim, espero que o assunto não precise ser resolvido postumamente.”

LIVRO DE FOTOS DE BRASÍLIA ESGOTADO

Documento sobre MOVIMENTO CABEÇAS abre espaço para memória da primeira geração cultural da capital

O livro "Beija-me" do poeta NICOLAS BEHR, com fotos do movimento Cabeças, está praticamente esgotado. A edição foi de apenas 500 exemplares e só no lançamento foram vendidos quase 180 livros.

O livro é importante para a memória do movimento cultural de Brasília às vésperas da celebração do seu primeiro cinquentenário, pois mostra uma Brasília não oficial no ambiente humano e ecoarquitetônico onde cresceram jovens como RENATO RUSSO e CÁSSIA ELLER, que se tornaram celebridades do mundo pop nacional.

O livreiro IVAN PRESENÇA iniciou um movimento visando dar continuidade ao trabalho iniciado por NICOLAS BEHR.

Outros livros de fotografias, sem nenhum texto e com algumas legendas, deverão ser lançados.
Um desses livros só com fotos - o segundo da série - pretende mostrar o ambiente onde durante seis (6) anos de intensas atividades poética e intelectual foram editadas as revistas BRIC-A-BRAC.

Brasília 50 anos

OLHA BRASÍLIA AÍ, GENTE
50 anos da capital vai virar samba enredo na Sapucaí

O vice-governador do DF, Paulo Octavio, lidera a comissão que se reunirá no Rio de Janeiro, no dia 29, para definir a escola de samba que apresentará os “50 Anos de Brasília” como tema do seu enredo no Carnaval de 2010.
O secretário de Cultura, Sivestre Gorgulho, o secretário-adjunto Beto Sales também participarão da reunião. O patrocínio está estimado em cerca de R$ 5 milhões. Portela, Beija-Flor e Imperatriz Leopoldinense estão interessadas em cantar "a capital da esperança"

segunda-feira, 18 de maio de 2009

MOVIMENTO PRÓ-50 ANOS DE BRASÍLIA GANHA FORÇA

50 milhões para os 50 anos da capital brasileira

A organização de um “calendário-coletivo” para que o povo e a cultura de Brasília celebre seu primeiro cinqüentenário ao longo de um ano, deu um grande passo na tarde de hoje (18.05).

No gabinete do vice-governador Paulo Octávio, artistas, produtores, deputados montaram uma estratégia para a organização da super-festa de 2010, com ativa participação da cultura brasiliense. Os entendimentos aconteceram em clima de harmonia, educação e paz.

Participaram também da reunião o secretário de Cultura do DF, Silvestre Gorgulho; e o secretário-adjunto, Beto Sales. Pelo Fórum de Cultura do DF, estavam o maestro Rênio Quintas, a professora Beatriz Sales, e vários outros produtores.

As deputadas Eurides Brito e Érica Kokay, além do deputado Cláudio Abrantes, ficaram de organizar uma emenda orçamentária coletiva (juntos com os demais deputados federais e os senadores) para conseguir “50 milhões para os 50 anos” de Brasília. A próxima reunião será quinta-feira, dia 21, às 10h no gabinete do deputado Jofran Frejat, na Câmara dos Deputados.

“Vamos fazer uma festa dia 21 de abril de 2010 para dois milhões de brasileiros. Mas o cinqüentenário começa antes e vai além da data do aniversário”, garantiu Paulo Octávio.

Brasília terá Calçadas Poéticas na W3 Sul

Proposta de poetas e artistas será levada ao governador Arruda

Luis Turiba

A idéia é transformar as calçadas da Avenida W3 Sul, especialmente aquelas "ilhas" que ficam entre as comerciais, que são de pedras portuguesas, em verdadeiras páginas gigantes com poemas e ilustrações.

O idealizador do projeto é o artista plástico Henrique Gougon, que tem o apoio de todos nós, poetas de Brasília, do Brasil e do mundo. Queremos fazer da nossa W3 a mesma coisa que os artistas fizeram nas calçadas de pedras da Avenida 28 de Setembro, em Vila Isabel, Rio de Janeiro, onde estão estampados letras e notas musicais de Noel Rosa e outros sambistas.
Ou seja: vamos salpicar pela W3 micro-textos e signos, para que os transeuntes pisem nos astros distraídos e tenham dias poéticos.
Algumas experiências já foram realizadas nos buracos da calçada da ilha entre as 510 e 511 Sul. O resultado foi sensacional, pois o povo quando chega no Ponto de ônibus, olha para o chão e se eleva com alguns poemas que foram espalhados por lá.
O projeto ganhou apoio da Biblioteca Nacional de Brasília, que é dirigida pelo poeta Antônio Miranda. Na noite de quinta, 14.05, o diretor da BNB recebeu em seu gabinete, além de Gougon, os poetas Luís Turiba, Anderson Braga Horta e o também artista plástico Rômulo Andrade, para discutirem o projeto, que deverá ser levado ao governador José Roberto Arruda, apoiado por um grande número de poetas locais.
A idéia espelha-se nas calçadas de Vila Isabel, na zona norte do Rio, onde, nos anos 60, foram desenhadas com pedras portuguesas as partituras de sambas produzidos no bairro por bambas, como Noel Rosa.
“Sou apenas um estudioso de mosaicos, portanto, conheço as obras, a história e o trabalho dos calceteiros que fazem calçadas-mosaico. Expus o projeto das calçadas poéticas como uma idéia dedicada aos poetas da cidade. Como eles acolheram, agora são eles que têm que ir à frente. Eu apenas darei suporte técnico, gratuito, no que diz respeito à execução de restauração dos pisos da W3”, explicou Gougon.

Visite http://www.bnb.df.gov.br
http://www.bipbrasilia.unb.br

SOLIDARIEDADE AO POVO NORDESTINO

Jornalista Luís Joca convoca a todos para um gesto solidário


Você já juntou as roupas, sapatos, chinelos e assemelhados (dos filhos, netos, esposa/o, irmã/o e outros) que não usa mais e está encaminhando para doação aos Estados Nordestinos. Só no Maranhão são 340 mil desabrigados. Hoje (18/maio) voltou a chover forte no Nordeste...!!!!!!!!!!!!!
Convoque e alerte, lembre crianças, adolescentes ( para lhes ensinar solidariedade !!!) e adultos nesta tarefa !!!!!!!!!!!!
Aqui em Brasília, perto de sua casa, o Supermercado Pão de Açúcar, Bombeiros, Administrações Regionais estão recebendo as doações.
Se este recado chega atrasado, desculpe, mas sendo chato, novamente, lembre aos amigos (estou fazendo isto) para fazerem a doação.
Um abraço, Luís Joca

domingo, 17 de maio de 2009

TOMBO FORÇA ESTRANHA DE CAETANO

É impressionante o poder dessas maquininhas. Inúmeras pessoas documentaram o tombo força-estranha de Caetano Veloso no show de sábado, dia 16, no Centro de Convenção. Três estão no youtube, mas o melhor vídeo é este, feito por Salgado Carvalho. Tem emoção e tensão.


http://www.youtube.com/watch?v=4STkcgOX92g

RORIZ, VICE MAGELA?

Luis Turiba

Há muito tempo qu´eu não via o Zito, ex-presidente da ARUC. Continua o mesmo: fala mansa, tempo de estrada, todo cuidado com a saúde, sábio sobrevivente esse ex-partidão de piso macio. Nos reencontramos no café Martinica, no happy hour de sexta. Papeava com Adeildo, o dono, quando ele chegou e logo lançou novo tema à mesa:
- Ta todo mundo tonto, perdido, sem saber o que fazer!? Soltou essa e ficou esperando eco.
- Todo mundo quem, cara pálida? Sem saber o quê? indago.
Logo surgiu o fio da prosa. Agnelo Queiróz fez jogada de mestre ao se lançar pro Senado. Tento entender. São dois sperts em bastidores da política local.
Sim, Lula enquadrou o PT brasiliense. Não quer candidatura próprio onde o PMDB tem a forca. O ordem do “cara” é unir as bases em nome da governabilidade. Portanto, em Brasília, Roriz na cabeça, Magela na vice, Agnelo no Senado. Armado o grande chapão pra enfrentar Arruda.
- Lula não quer repetir Collor que tentou governar sozinho e sifú. Há anos é assim: sem o PMDB ninguém governa.
- Mas tudo pode ir pelos ares se o câncer da Dilma não for dominado. Vi uma foto tenebrosa de Dilma hoje no Globo. Foto às vezes diz mais que tudo. Dilma de frente, rosto fechado, constrangido. No fundo, palavras soltas com destaque para “informação”. Lula de costa, como se pulando do barco.
Foto cheia de significados e significantes. Mas Zito tem outros envelopes no colete.
- Aí Lula vem de Jacques Wagner.
- Aí, cumpadê, Serra vence.
- Serra não entra no Nordeste.
- Quem não entre é Jacques, que não passa da Bahia pra cima.
- Ninguém sabe, sequer, se Lula consegue transferir votos pra Dilma no Nordeste.
Papo vai, papo vem, a conversa foi ficando cada vez mais vadia, até que passou uma gostosa de vestido marcante e o papo degringolou de vez.
Conversar política é assim: o céu é o limite, mas o juízo se perde pelo rabo. O mais é coisa pra analista.

CAETANO SE REINVENTA NO SHOW ZII E ZIE

Luis Turiba

O show que estreou turnê nacional por Brasília começa com Caetano Veloso cantando “A VOZ DO MORTO”, um samba que fez no início da carreira, na década de 60, para Araci de Almeida cantar em homenagem ao Paulinho da Viola. Um resgate histórico saboroso.

Eis a letra

Estamos aqui no tablado
Feito de ouro e de prata
De filó de nylon
Eles querem salvar as glórias nacionais
As glórias nacionais, coitados

Ninguém de salva, ninguém me engana
Eu sou alegre, eu sou contente, eu sou cigana
Eu sou terrível, eu sou o samba
A voz do morto, os pés do torto
O cais do por, a vez do louco, a voz do mundo
Na Glória

Eu canto o mundo que roda
Eu e o Paulinho da Viola
E viva do Paulinho da Viola
Eu canto com o mundo que roda
Mesmo do lado de fora
Mesmo que eu não cante agora
Ninguém me entende, ninguém me chama
Mas ninguém me prende, ninguém me engana
Eu sou valente, eu sou o samba
A voz do morto, os pés do torto, atrás do murro
Rapaz do mundo, a vez de tudo
Na Glória (breque)


É o caso de perguntar: como pode um samba de mais de 40 anos ser cantado de uma maneira tão pós-tudo como se tivesse sido ontem?

E assim Caetano Veloso seguiu intercalando músicas antigas com as do CD Ziie Zie. Cantou “Objeto Não Identificado” e “Betânia”, a quem dedicou a memória do teatrólogo e criador Augusto Boal, que dirigiu a todos os baihanos, inclusive a ele mesmo, no “Arena Canta Bahia”.Isso em falar da espetacular e ousada poetação de “Eu sou Neguinha”. Caetano é um ator.

Ao voltar para o bis, Caetano nos brindou com “Incompatibilidade de Gênios”, este samba antológico de João Bosco, que já foi gravado por muita gente, entre as quais destacam-se Chico Buarque e Clementina de Jesus. Mesmo assim, ele conseguiu dar sua interpretação, como sempre única.

Sobre “Zii e Zie” já fiz um comentário neste blog, mas destaco a interpretação de “Lapa”, um verdadeiro transamba-clip musicovisual do histórico e sempre boêmio bairro carioca, tão cantando por Noel Rosa e também Chico Buarque.

Enfim, mesmo com o tombo no final, que provavelmente nos causou um aperto no coração, maior do que o que deve ter sentido Caetano Veloso, o show é imperdível em todos os sentidos: luzes, decoração de palco (em um certo momento, voamos pelos ruas de Cuba de Asa Delta) e a sensacional banda dos meninos de “Ce”.
E viva a Caetano que levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima.

CAETANO VELOSO CAI DO PALCO EM BRASÍLIA

Luis Turiba


Na última música do bis - Força Estranha - cantor caminhou de braços abertos rumo a platéia, regendo um lindo coro de milhares de vozes, e de repente caiu entre as pessoas que estavam na primeira fila.
“Tomei um susto danado”, comentou ele sorrindo com o ministro da Cultura, Juca Ferreira, no camarim, já totalmente recuperado do incidente.


Realmente, foi um momento mágico e tenebroso. Por quase duas horas, Caetano Veloso emocionou e hipnotizou as quase três (3) mil pessoas que lotaram o Centro de Convencão de Brasília para assistir a estréia da temporada nacional de Zii e Zie. Na última frase da última música do bis – Força Estranha, feita para Roberto Carlos – ele caminhou rumo a platéia de braços abertos e não percebeu o fim do palco.
Resultado: um tombo de 1 metro e 25 centímetros entre as pessoas que ocupavam a primeira fila. Caetano se apoio na guitarra e caiu forçando o joelho esquerdo.

Diante do inusitado, a platéia ficou paralisada de coração na mão. Caetano se levantou rapidamente e fez questão de retomar a regência do coral.
“Por isso uma força – me leva a cantar – por isso essa força estranha – ar – por isso eu canto – não posso parar – por isso essa força – tamanha.”
Saiu de cena ovacionado.

sábado, 16 de maio de 2009

MORRE GUTA CARNEIRO, OUVIDORA DA PETROBRÁS

MARCIA DE ALMEIDA FALA SOBRE CIDADANIA, LUTA CONTRA A HOMOFOBIA E DÁ PAU NO GOVERNO LULA

Editora do www.emdiacomacidadania.com.br

O começo desta semana deu a impressão de que o mundo está, realmente, se acabando, com a nótícia estarrecedora de que, um bebê de três meses teve os olhos e a boca grudados com cola e foi abandonado ao pé de uma árvore em uma favela em Maceió (AL).

Uma adolescente de 14 anos, ex-namorada do pai do bebê, foi presa como autora ( ou “apreendida”como parece que se tem que dizer) . O que pensar de uma raça que chega a este ponto, dane-se a idade de quem praticou a barbaridade. Que paísé este, e que país será este, em que uma adolescente de 14 anos cola olhos e boca de um bebê, para se vingar do pai da criança?

Na 4ª feira, mais uma vez, o PL 122/06, que criminaliza a homofobia, caiu com a pauta inteira, porque havia sessão plenária e, em dia que tem sessão plenária, as comissões não se reúnem, claro.

Ocorre que acabo de saber que, ao invés de voltar a pauta como deveria ser, o PL 122 vai ter mais uma audiência pública para, depois, andar de novo uma trilha para voltar à pauta, pela enésima vez. Na segunda-feira vou saber direitinho como é isso e o que vai rolar, através do gabinete da relatora do PL, senadora Fátima Cleide (PT/RO) mais do que a favor da aprovação da lei.

É por falta dela que desembargadores acham que podem fazer súmulas inconstitucionais como a que denunciei aqui, semana passada, dando o “direito”dos heterossexuais discriminarem os homossexuais. E que imbecis persigam os outros apenas por serem diferentes de si próprios.

Além disso, o desembargador diz que esta manifestação homofóbica é liberdade de expressão. Vendo por esta janela, qualquer um então pode ter a liberdade de expressão achar que negro não é gente, que judeu fede, que muçulmano é asqueroso, etc, e expressar isso, abrindo e reabrindo a ferida da discriminação.

Pena que isto (a não votação do PL) tenha ocorrido justamente na Semana do Dia Mundial de Combate à Homofobia, que é domingo, e na newsletter e no site tem toda programação.

Nesta mesma semana, no Rio Grande do Sul ele sempre à frente de todos os estados da Federação, nessas coisas), um casal lésbico catarinense conseguiu o direito de registrar no nome das duas os gêmeos gerados por inseminação artificial por uma delas, ao contrário do que ocorreu em São Paulo, quando o direito de uma outra dupla homossexual, na mesma situação, foi negada.

Mas, no Rio, a partir de ontem as delegacias têm que registrar os Bos assinalando que o crime é de homofobia, quando for o caso. Sérgio Cabral faz um monte de eme, mas neste aspecto dos direitos LGBT vem mantendo tudo o que prometeu na campanha, e muito mais.

E dia 17, amanhã, Dia Mundial de Combate à Homofobia, na Praia de Ipanema, esquina da Vinícius de Moares, haverá uma manifestaçàl LGBT, na qual 3 mil flores ( talvez girassóis) formarão a bandeira do Brasil, número de homossexuais mortos nos últimos anos no Brasil.

A Petrobras entrou em palpos de aranha, com a descoberta de uma cambalhota para não pagar 4 bilhões de imposto.

E o governo manda para o Congresso uma mexida nas cadernetas de poupança, para salvar os fundos de investimento, na verdade, o que é uma grande sacanagem. Se o cidadão ou a cidadã estiverem poupando há mais de 20 anos, dependendo, poderão sim, ter mais de 50 mil reais. Não é correto que o que exceda este montante seja taxado, se a poupança chegou a xis mil reais depois de anos e anos.

Nem acho a taxação a ser aplicada absurda, acho o princípio dela inadequado. Ah, mas só 1% dos poupadores têm mais de 50 mil, alega o governo. Depende de quanto tempo a pessoa demorou para chegar ali, repito. Especulador mesmo, não joga dinheiro num rendimento fixo de 0,5% ao mês mais TR. Isso é conversa pra enganar trouxa. Tudo se deu para poderem arrumar novos juros, mais apetitosos, para os fundos de investimento, dando um créu nos poupadores da caderneta.

Vamos combinar que 50 mil reais são o preço de um carro.

Espero que o Congresso tenha vergonha ( um restinho que seja) e breque o projeto do governo - que já avisou que vai estender, através de MP, a mudança que fez nos juros destes fundos.

Como eles não podem deixar de aprontar uma semana sequer, a Câmara com votações simbólicas e sessões vazias, criou 1445 cargos na Justiça do Trabalho e no Ministério Público. Os projetos vão para o Senado. Se aprovados, serão mais 129, 3 milhões de reais. Do meu, do seu, do nosso dinheirinho, claro.

Mas a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados salvou a cara dos deputados e aprovou quarta-feira, dia 12, em caráter conclusivo, projeto de lei que define a prática de tortura como ato de improbidade administrativa, quando praticada por agente público. O projeto altera a Lei da Improbidade Administrativa e estabelece que quem pratica a tortura comete esse tipo de crime. A matéria está no site.

E a semana acaba em imensa tristeza, com a morte de Guta Carneiro, no Rio, atual Ouvidora da Petrobras, mas uma guerreira da vida, trocada aos 22 anos pelo embaixador americano, exilada, batalhadora. Há 2 semans sofreu um acidente de carro, em Búzios, batalhou loucamente durante todo este tempo para ficar aqui, mas acabou derrotada por uma infecção sistêmica.

O velório será na capela 7 do Cemitério de São João Batista, das 9h às 15h de hoje. O corpo, porém, será cremado.

Quem batalhou contra a ditadura e continua na luta pela dignidade dos cidadãos, dirá scom um nó na garganta: Maria Augusta Carneiro Ribeiro: presente. Para sempre.

Perde o Brasil, perde a cidadania, perde o contingente enorme de mulheres corajosas.

Por isso, não tenho a menor idéia do que vai estar no CURTIR TABÉM É CIDADANIA de hoje. Mas espero vocês no www.emdiacomacidadania.com.br.

Bom fim-de-semana!

Marcia de Almeida
Editora
www.emdiacomacidadania.com.br

sexta-feira, 15 de maio de 2009

SUBMARINO NUCLEAR MERGULHA NA POÉTICA BRASILEIRA

Site de Antônio Miranda é lido em pontos secretos dos oceanos do planeta

O poeta e professor da UnB Antônio Miranda, presidente da Biblioteca de Brasília e inventor da Bienal da Poesia, tem um dos sites mais ativos e completos de poesia contemporânea do Brasil e da América Latina.

São quase dois (2) mil poetas ali apresentados em cinco (5) mil páginas com sete (7) mil fotografias e ilustrações. Tem até um link para a Poesia Visual Moderna. Ou seja: o homem está editando uma verdadeira Enciclopédia Virtual. Quem gosta de poesia não pode deixar de visitá-lo; www.antoniomiranda.com.br.

Pois então: este site é visitado anualmente por um milhão e trezentas mil pessoas de todos os cantos do planeta.

Ontem (14.05), a convite de Miranda, acompanhei a pulsação de seus leitores pelo mundo afora. Para isso, ele usa uma ferramenta chamada “WHO´S.AMUNG.US da gogleo que mostra que leitores estão lendo o que e de onde são esses leitores.
Até os minutos de visita são contados por este ferramenta. Um mapa-mundi fica pulsando e mostrando tudo.
Teve momentos ontem em que o site estava sendo visitado por 42 pessoas ao mesmo temp. Gente de Maputo, de Tóquio, de Caracas, do interior do Brasil e assim por diante.

O mais interessante, porém, é que diariamente esta ferramenta mostra que Miranda tem um leitor desconhecido (unknown) cuja pulsação no mapa vem sempre de um ponto sombrio do oceano.

Ontem, este unknown estava na costa africana. Mas anteontem, estava no Mar Morto e outro dia no Oceano Pacífico.

Moral da história: alguém, quem um comandante de um submarino nuclear, provavelmente dos EUA, entra diariamente via satélite no site do Miranda para ler poetas brasileiros.

Ontem entrou nas páginas de Luiz Coronel, depois foi para Artur Azevedo, e em seguida visitou José Paulo Paes.

CALÇADAS POÉTICAS

Um grupo de poetas reunidos na Biblioteca Nacional de Brasília irá levar ao governador Arruda proposta para transformar algumas calçadas da avenida W3 Sul em “Calcadões Poéticos.”
Poesias serão escritas nessas calçadas por pedras portuguesas, a exemplo das Calçadas Musicais do bairro Vila Isabel, no Rio de Janeiro, onde estão algumas músicas de Noel.

POESIA DE NICOLAS BEHR CHEGA AO CINEMA

POETA Nº1 DE BRASÍLIA É FILMADO REINVENTANDO A CIDADE

Braxilia.
Este é o título do curta metragem que a diretora Danyella Proença começou a filmar este fim de semana sobre a poética de Nicolas Behr. O filme será apresentado no próximo Festival de Cinema de Brasília, o Festival dos 50 anos da capital.

As tomadas de ontem à noite no Beirute (14.05) mobilizaram muitos poetas e artistas da cidade, entre eles o cantor e compositor Renato Matos, os compositores Clodo e Climério, as poetas Noélia e Amneres e o artista plástico Gougon.

Foi tudo uma grande festa e a cena onde todos brindavam a obra de Behr foi filmada e refilmada por inúmeras vezes. A cada subida e encontro dos copos, todos gritavam em alto de bom som: PUTA QUE PARIU!!!!!!!!

BEHR LANÇA LIVRO DE FOTOS DO MOVIMENTO CABEÇAS


O poeta, aliás, está com tudo e não está prosa. Nick Behr autografou na noite de anteontem (13.05) cerca de 200 exemplares do seu novo livro “Beije-me”.

O livro não tem sequer um poema escrito. Foi editado em cima de fotos que o poeta guardava dos Concertos Cabeças, que no final dos 70 eram realizados no gramado da 331 Sul e reunia aos domingos milhares de jovens que cantavam, dançavam, recitavam poesia, pintavam e faziam teatro.

Aliás, o Concerto Cabeças é um capítulo especial da cultura brasiliense que merece um filme à parte. Em plena ditadura militar da linha dura, os jovens saíram às ruas para expressar seus sentimentos culturais.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

GRAFITICES GRAFITAGENS



GRAFITICES GRAFITAGENS

Um rap de Luis Turiba

GRAFIEIROS, GRAFITAI

GRAFFITIS GRAMATICAIS

GRAFITEIROS SÓ GRAFITA

GRAFFITIS QUE A TINHA DITA

GRAFITEIROS GRAFITAIS

GRIFOS GRITOS E SINAIS (refrão)

Grafitamos na lua cheia a expressão estou vazia

Tinta vermelha escorrida cintilou e foi uma grita

Cá na Terra refletiu-se a ferida suicida

Sentiu-se pingos na noite...era sangue, chuva de vida

Aos raios do Sol clamamos: prolongamento do dia

No canto da mãe Sereia pautamos a nota fria

Mas não sossegamos nisso

Fomos aos Alpes suíços e fixamos um aviso:

Dos signos, a linguagem é a mais subversiva

E saímos a bordar parede após parede

Brincando, na mão o Mundo,

Como quem tem fome ou sede......

Grafamos no Everest: abaixo os clones as pestes!

Bem no pico do Himalaia: s`isso não é ímpar, é maia

Nas cordilheiras dos Andes: pinocheteiros se mandem!

No doce do Pão de Açúcar: êta vidinha insossa!

Na estátua da Liberdade: teje pressa, teje solta!

Nos peitos da Mama África: cadê o leite das moças

Tudo em letras garrafais, invisíveis, fortes, foscas

Pois .....

Nada escapa do espaço d´uma espreitada de spray

Espreitamos a monarquia a coroa e o próprio Rei

Que nu, como bem nascido, pichamos-lhe o corpo

De uma cor e de uma outro o próprio umbigo

No Alaska um fio-dental, na Sibéria um carnaval

No Nepal um samba-enredo com sotaque oriental

Ideogramas chineses voaram dos Dazibaos

E três hai-kais japoneses pousaram no Senegal

Em Wall Street alertamos pra praga dos pré-datados

No deserto do Saara pros oásis enlatados

Em Manhattan desenhamos limosines-ratazanas

E no Rio de Janeiro: Aid´s cuidado Copacabana

Vestimos umas fardas velhas de antigo oficiaiSS

Grafitamos nas estrelas: TORTURA NA TERRA, JAMAIS

Lançamos Jesus pra Cristo e Picasso pra Picão

Ressuscitamos Virgílio, Nero, Pelé, Platão

Nas fábricas nossos grafitis são sempre secos e breves:

FOME! FALTA! FILA! FALHA!

GREVE! GREVE!GREVE! GREVE!

Com a letra A abro Alas

Com a B bebo bem

Com e letra C caço e calo

Com a D dou d´além

No Big-Ben avisamos aos ingleses chãos e chiques

Falta charme à rainha e o príncipe pegou bronquite

Enquanto toda realeza encara a falta de pique

Os irlandeses do U2 cantam no show pic-nic

Com todas tintas tintamos

da negra neve ao alvo piche

E na Escócia escoçamos

uma garrafa de alambique

E atravessamos a Mancha

manchados de mandraquices

Na torre Eiffel penduramos tigres de papel crepom

Em Beirute nos berramos: carro-bomba não é bombom!

E nesse picha-que-picha-que-picha

Que não tem lixa que limpe

Paredes são galerias, são taças que tal um brinde?

Pois...

O spray na mão criadora de um pichante apaixonado

Transmuta armas em flores, em arco-íris em fados

Nestes riscos supersônicos mensagem do além do além

Tem muito mais que o alônico daquilo que todos vêem

A bomba Agá, por exemplo,

de mortífero cogumelo

Em uma jatada de riscos,

sem estrondo horror ou gritos

No riso de um simples elo,

passa a ser um bom templo

Pirulito ou cogumelo

Chega a cheirar o impossível,

Une judeus palestinos

Separa a foice e o martelo

GRAFITEIROS GRAFITAIS

GRAFFITIS GRAMATICAIS

GRAFITEIRO SÓ GRAFITA

GRAFFITI QUE A TINTA DITA

GRAFITEIROS GRAFITAIS

GRIFOS GRITOS E SINAIS

BARCA POÉTICA

BARCA POÉTICA COM O COLETIVO DE POETAS

Programa especial em homenagem a Patativa do Assaré

O Coletivo de Poetas presta tributo ao poeta Patativa do Assaré no sarau deste final de semana, sábado (16) e domingo (17), na Barca Brasília pela passagem do seu centenário de nascimento. Os poetas convidados são Ézio Pires, Menezes y Morais, Ariosto Teixeira e o cantor e compositor Renato Matos. Além de poemas próprios, os integrantes do CP farão rodas de leituras da obra do Patativa do Assaré (1909-2002).

Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré, nasceu no Ceará. Antes de se tornar poeta popular, foi violeiro e cantador, cuja composição, A Triste Partida, foi gravada por Luiz Gonzaga, no LP homônimo. Aos quatro anos de idade, por falta de médico na cidade, Patativa perdeu o olho direito. Faz parte, portanto, da linhagem de poetas cegos como Homero, Camões, Jorge Luiz Borges, Cego Aderaldo e Glauco Matoso. Patativa aprendeu a ler com os folhetos de Literatura de Cordel, da qual tornou-se um dos maiores expoentes de todos os tempos. Os passageiros da Barca Brasília também serão convidados a participar da homenagem a Patativa, com rodas de leituras.

Ézio Pires é poeta, escritor e jornalista aposentado.Tem vários livros inéditos. Autor, entre outros, dos livros de poesia Anja e A Beleza Tem Fome. É ex-presidente do Sindicato dos Escritores no DF.

Ariosto Teixeira é jornalista, cientista político, contista e poeta. Entre os livros publicados, estão A Judicialização da Política no Brasil e Poemas do Front Civil.

Menezes y Morais é poeta, jornalista, escritor, professor e historiador. Ex-presidente do Sindicato dos Escritores, entre os livros publicados, estão a peça teatral Por Favor, Dirija-se a Outro Guichê e O Livro das Canções de Amor & Outros Cantares de Igual Teor.

Renato Matos nas palavras do jornalista e crítico de arte Luís Turiba, “é a voz mais importante, mais constante, mais polêmica, mais gritante e mais viva de Brasília. É fruto da mistura de ritmos e poesia desta Brasília já pós-futurista deste terceiro milênio.” Seu último trabalho registrado o CD MP-Tudo foi produzido pela “Incidental Percussiva” com o patrocínio da “ONG T-Bone” e conta com participações especiais: Clementina de Jesus, Cássia Eller, Natiruts, Vinícius de Moraes, Ananda Jyoti e Lila Roots.

O passeio na Rota Dom Bosco, no Lago Paranoá, além de proporcionar uma visão diferenciada da cidade de Brasília e dos vários atrativos naturais e arquitetônicos da orla, reaviva o sonho registrado em 30 de agosto de 1883, que faz relação ao projeto da nova capital como terra prometida. Para sua satisfação, a Barca Brasília oferece serviços de bar e cozinha e uma equipe preparada para lhe receber bem. Traga seus amigos e familiares. Estamos esperando por vocês!

A Barca Brasília garante, com sua equipe, segurança, conforto e um atendimento personalizado.

SERVIÇO

Barca Brasília, poesia do Coletivo de Poetas em homenagem Patativa do Assaré.

Dias 16 e 17 de maio - sábado e domingo

Saída da Barca: 17h com retorno às 20h30
Cais do Bay Park Hotel: SHTN Trecho 02 Lote 05.
Valor do passeio:
R$ 40,00

(desconto especial para compra antecipada de 25% = R$30,00 por pessoa )
Couvert artístico:
R$ 10,00
Consumo de alimentos e bebidas à parte.
Reservas e informações:
www.barcabrasilia.com.br
passeio@barcabrasilia.com.br
Telefones:
8419-7192 (Edmilson Figueiredo) e 8432-6234 (Amon Trajano).
Evento não indicado para menores de 16 anos desacompanhados.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Guerreando pra sorrir

"Guerreando pra sorrir"
A lição do meu avô, que casou com minha avó e pariu a minha mãe

Zulu Araújo
Presidente da Fundação Cultural Palmares

Abolição, palavra carregada de sentidos, dores, afetos e interpretações as mais diversas. Palavra que incendiou corações e mentes no século XIX e estimulou discussões apaixonadas sobre a vida, a liberdade e o futuro da humanidade. Símbolo que titulou movimentos libertários e tornou-se o principal combustível para a entrada do Brasil no século XX. Conteúdo concreto que povoou os sonhos de milhões de brasileiros ao longo de quase 400 anos. Mas, apesar de tudo isso, há uma forte inquietação quanto ao seu significado nos dias de hoje.



Vivemos momentos de perplexidade diante de tanta polêmica e reações indignadas por parte de setores da sociedade brasileira. Isso, por causa das políticas públicas, implementadas para a promoção da igualdade racial no Brasil, mais conhecidas como políticas de ações afirmativas. Por isso, vale perguntar: Para que conquistamos a Abolição? Que idéia ou sentido de liberdade gerada por este ato deve orientar nossas ações nos dias de hoje?



O poeta José Carlos Capinam, ícone do movimento tropicalista nos anos 1960, nos dá uma pista. Com versos poéticos e precisos, no poema/canção Abolição, ele nos ensina: "Acabar com a tristeza, com a pobreza e o apartheid, não fazer da humanidade, a metade da metade, parte branca, parte negra". Pois bem, é com esses versos na cabeça e um tanto de emoção, que gostaria de responder às indagações acima.



Abolição para que a sociedade brasileira conquiste a cidadania plena, o desenvolvimento econômico e social, para que todos seus filhos, independente da cor da pele, de sua origem social ou opção religiosa possam ser tratados com dignidade e igualdade, conforme a Constituição. Mas também para que, em seu nome e em nome de milhões de brasileiros e brasileiras, que empunharam essa bandeira com coragem e distinção, impeçamos que a desigualdade, o racismo e a discriminação, gerados por séculos, naturalizem-se em nosso cotidiano, como parte do nosso jeito mestiço de ser.



Abolição para sensibilizar e conscientizar os homens e mulheres que dirigem o país, em especial aqueles que nos representam na Justiça e no Parlamento, de que a promoção da igualdade racial não pode ser apenas o recheio mágico de discursos vazios sobre a beleza da mestiçagem, o encanto das mulatas etc. Ainda mais quando estudos e pesquisas apontam para a iniqüidade das relações raciais no Brasil, a exemplo do uso do critério da "boa aparência", que leva à exclusão milhões de brasileiros e dificulta a eles o acesso a determinados nichos do mercado de trabalho, como a publicidade, a moda e a televisão.



Abolição para impedir que o conservadorismo e o medo que latifundiários impingem ao campo, sempre que tratamos de regularização da terra, nos leve a ignorar a presença de milhões de remanescentes de quilombos, que, apesar de tanta dor e indiferença, continuam resistindo nos rincões do país, com a viva esperança de que a abolição os alcance de fato e assim possam ter acesso àquilo que lhes pertencem por justiça e direito.



Abolição para superarmos a abissal diferença entre a qualidade do ensino público e privado e a exclusão de um enorme contingente de jovens brasileiros do ensino superior. Afinal, o Brasil contemporâneo, aberto, criativo e plural não pode entregar à própria sorte parte da juventude brasileira a grupos de extermínio e a narcotraficantes. Reconhecer esse direito e possibilitar a reparação histórica por meio da ampliação do acesso desses jovens às universidades públicas é mais que um dever, é um compromisso com o futuro do país.



Portanto, a celebração desses 121 anos da abolição da escravatura no Brasil, só tem sentido se, de um lado, debelarmos a hipocrisia que grassa na sociedade quanto à questão racial (todos consideram que existe racismo no Brasil, mas ninguém se intitula enquanto agente de tal crime), e, de outro, dermos conteúdo real às aspirações de mais da metade da população brasileira. Ou seja, é preciso instaurar a abolição definitiva da discriminação, que ainda persiste no Brasil, por meio de ações concretas que levem à promoção da igualdade racial e social. E nada melhor que o poeta Capinam para nos inspirar: "Abolir essa careta, que esconde a Natureza e que me faz ser teu irmão. Abolindo a velha intriga e guerreando pra sorrir".

domingo, 10 de maio de 2009

BIC PRADO, a nudez da poeta sacerdotisa

Luis Turiba

Vamos conhecer novos poetas?

A partir desta semana, o blogdoturiba apresentará a vocês, alguns poetas de importância vital na construção da contemporânea cena poética brasiliense e brasileira neste início do século XXI. Poetas que se firmam em uma Brasília, cidade de apenas 50 anos.

Para abrir esta série que ouso chamar de “Reportagens Poéticas”, a escolhida é a brasiliense Bic Prado, cuja linguagem, um pouco minimalista e transbordantemente ecológica, nos remete a uma paisagem rural dentro de um mundo de lógica urbana. Em suas apresentações, Bic se auxilia de cânticos, atitudes ousadas, caixas sonoras e roupas camponesas.


Bic Prado foi parceira numa performance poética que fizemos num Concurso de Poesia da Funarte. Para que eu recitasse um poema sobre a arte de comer sushi, ela entrou nua e cobriu-se com um enorme barco do prato japonês. Ficamos em segundo lugar. Foto de Marcelo Dischinger

Vem aí seu primeiro livro

Inédita de livros mas veterana em performances e recitais poéticas, Bic está prestes a publicar seu rebento de estréia: “Poemas de um livro verde”, a sair pela coleção Oi Poema, com o apoio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) da Secretaria de Cultura de Brasília.


Quem é Bic?

É ela mesmo quem se apresenta: “Nasci em Brasília, Fabiane Prado Silveira, sou conhecida por Bic e adotei o Prado em homenagem a meu avô, Onofre, Pioneiro. Este meu primeiro livro surge a partir de temáticas ambientais, revelando momentos simples e cotidianos da cidade e do campo.

Para certos poemas, foram criadas melodias, algumas inspiradas em embriões melódicos de aves silvestres. Meu trabalho busca o envolvimento e a participação direta com o público e o compartilhar de idéias e reflexões sobre a vida.”



Apresentação do seu livro


Seu livro que está no prelo para sair no início do segundo semestre, terá apresentação de Ciro Inácio Marcondes. Diz ele num texto que deu como título “A odisséia natural”:

“Bic também se desdobra sobre uma poesia de extrema aglutinação, inspirada em cantigas, quase-mantras, sempre de olho na essência, naquilo que a verborragia não pode captar, em categorias de vasta amplitude. É neste momento que a técnica sinestésica da poeta deflagra a conexão entre todas as coisas, quando tudo remete a tudo, e quando tudo que existe pode dialogar: “Chão de céu / Céu de rio / Rio de sol / Raio de vôo / Vôo de avô/ Ave”.

Aqui, Bic perpetua sua odisséia pelas coisas dadas da natureza, atrás de um saber ancestral, mitológico. Se, em determinados momentos, suas mensagens são diretas, até coercitivas, denunciando o escandaloso avanço da urbanidade, em outros, as vias atingidas são inconscientes: “Pá na pedra / Pé na palavra / Diz”. A ausência de conectivos, a utilização de versos curtos, não-pontuados, de palavras isoladas, traduz este retorno ao essencial, que não se alonga e se basta.

E finaliza: “A maturidade da poesia de Bic (mesmo quando procura o prisma universal do naïve) reside, portanto, na seriedade de seu compromisso com a própria realidade. Seu entendimento do mundo supera de longe a medíocre vivência do aqui-e-agora, da efemeridade tola e abstrusa da vida moderna, encontrando na poesia um elo para amarrar as infinitas e invisíveis conexões de forças eternas, mutáveis e imutáveis, que encontramos na natureza. O que não a impede de se abrir também ao lugar-comum poético, voltando-se também para as “tolices” dos sentimentos humanos, coisa que seus versos exprimem melhor que minhas palavras: “Hoje / Um beijo / Seria uma flor se abrindo / No céu da boca”. É aptidão para poucos ir do ínfimo ao infinito, o que me permite pensar na poeta Bic Prado como uma espécie de sacerdotisa para esta odisséia do que constitui o mundo, em suas riquezas e em seus lixos.