segunda-feira, 29 de junho de 2009

RIO-PARIS

Poema de Lurdiana Araújo, em homenagem ao maestro Silvio Barbato e as demais vítimas do vôo 447, da Air France
 
Rio-Paris esquece as lágrimas,

não lamente caminhos interrompidos,

no horizonte há uma estrela, siga,

e encontrará o templo do que foi vivido.

 

Rio-Paris navega coração alado,

esquece a dor e a saudade

porque o oceano, para os sonhos

interrompidos e o desejo de vida

por viver, é um berço sob medida.

As desventuras que findam esta vida

não desfazem o leito dos amores vividos.

 

Rio-Paris canta coração alado,

o oceano é agora a tua casa, não há

fronteiras, nem muros, nem trincheiras.

As noites soam brandas

e as ondas cantam hozanas.

As horas, os dias, transformam em melodia

o Arquipélago de São Pedro e São Paulo,

oratório do oceano, onde os anjos

... louvam oferendas, as estrelas e o céu...

 

No horizonte o adeus, a despedida,

porque o oceano é um berço sob medida,

este mundo é um maestro apaixonado

e esta vida um poema inacabado.

 

Lurdiana Araújo

 

BRASILIENSES VÃOS ÀS RUAS POR CULTURA E CIDADANIA



Por Luis Turiba

Foto de Júnior Aragão

O brasiliense deu uma grande lição de cidadania e amor à cultura neste fim de semana (27 e 28 de junho), comparecendo em peso a duas manifestações em espaços públicos.
A primeira, sábado, em defesa do artista plástico Galeno; outra, no domingo, em memória do maestro Silvio Barbato e da cantora Juliana Aquino, ambos desaparecidos no vôo 447, da Air France.
No sábado, o jardim da Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, na entrequadra 307-308, centenas de pessoas foram prestar solidariedade ao artista plástico Franscisco Galeno de Fátima, que pintou três painéis interiores para substituir as pinturas de Volpi que foram danificadas e apagadas.
Durante seu trabalho, Galeno foi achincalhado e ameaçdo por um grupo de moradores que tentaram impedir, de todas as formas, que ele terminasse sua obra. Mas a maioria dos moradores da Asa Sul deu todo apoio a sua pintura, assim como a classe artística de Brasíllia. Assim, venceu o bom senso e a igrejinha ganhou cores, vida e voltou a ser um dos monumentos mais freqüentados de Brasília.

“Uma meia lua inteira pousou no bico da Torre de TV – foi a presença de Silvio Barbato”, Turiba

A outra manifestação emocionante, foi a Concerto para a maestro Silvio Barbato, que aconteceu na Torre de TV e juntou milhares de pessoas. Organizada pela cantora lírica Janette Dornellas e pelo secretário de Cultura Silvestre Gorgulho.
Ao longa da homenagem, Janette leu emocionada mensagens e poemas para Silvio Barbato.
A Orquestra Sinfônica de Brasília, sob a regência do maestro Cláudio Cohen, e o Coro Sinfônica da capital apresentaram obras clássicas que eram do gosto do maestro Barbato, como “O Guarany”, de Carlos Gomes; “O Barbeiro de Sevilha”, “Bolero de Ravel”, “Ária do Toreador”, “La Traviata”, “Danúbio Azul”.
O destaque da noite ficou por conta da banda de rock pesadoTrampa, liderada por André Noblat, que apresentou o rock-poema “Eu te presenteio com a fúria”, orquestrada por Silvio Barbato. A apresentação será agora transformada em DVD.
A família da cantora Juliana Aquino compareceu ao concerto para receber o título de Honra ao Mérito dado pelo GDF. A irmã do maestro, Silviana Barbato, também esteve presente e agradeceu ao público o carinho com Silvio Barbato.

sábado, 27 de junho de 2009

DÁ PRA PUXAR A DESCARGA AÍ, MERMÃO!

Como ninguém puxa a válvula e ainda deixa a porta do Senado, digo, banheiro aberto, José Sarney não sai do troninho

Por Márcia de Almeida,
do site www.emdiacomacidadania.com.br

Alvo de investigação da Polícia Federal, o esquema do crédito consignado no Senado inclui entre seus operadores José Adriano Cordeiro Sarney - neto do presidente da Casa, o senador José Sarney (PMDB-AP). De 2007 até hoje, a Sarcris Consultoria, Serviços e Participações Ltda, empresa de José Adriano, recebeu autorização de seis bancos para intermediar a concessão de empréstimos aos servidores com desconto na folha de pagamento. Ao Estado, o neto de Sarney disse que seu 'carro-chefe' no Senado é o banco HSBC. Indagado sobre o faturamento anual da empresa, ele resistiu a dar a informação, mas depois, lacônico, afirmou: 'Menos de R$ 5 milhões.', deu o Estadão, mas o ex-presidente diz que é uma perseguição da mídia por ele apoiar Lula.
Aí, ontem, veio outra informação, a de que sua filha, a senadora e atual governadora do maranhão, roseana sarney, virou funcionária da casa em um dos famosos trens daalegria, que incorporavam ao serviço público os não-concursados. Por acaso, este trem foi em 1985, quando papai Sarney era Presidente da República, quando defendeu e representou a ditadura militar durante seus 21 anos de existência e, hoje, ninguém fala disso.
O movimento Fora, Sarney já esta na rede e dentro do próprio Senado. Mas Lula diz que o país não pode parar por coisas menores, mesmo estando comprovado o assalto permanente aos cofres públicos efetados pelo Legislativo deste país abençoado por deus, e bonito por natureza, mas que beleza!/Em fevereiro, tem Carnaval, como remarcou Jorge Benjor.

CADA QUAL COM O SEU "MICO" JACKSON

Por Luis Turiba

Quando trabalhei no Jornal de Brasília, na primeira metade dos anos 80, recebi na redação um rapaz de Ceilândia que na época fazia um espetáculo de rua como clone do Michael Jackson.
Rodopia, dava aqueles passinhos da esteira rolante, tinha todo os trejeitos do "Rei do Pop".
Não tive dúvida. Peguei o cachimbo (estava tentando parar de fumar cigarros), os óculos escuros e pedi ao Mino Pedrosa que tirasse uma foto nossa.
O Michael Jackson da Ceilândia - sim, ele morava nesta cidade periférica de Brasília - ficou satisfeitíssimo com a entrevista que deu, sorriu feliz e desapareceu no mundo.
Não sei porque, guardei a fotografia no meu álbum de lembranças.
Agora, que o "Rei do Pop" nos abandonou, esta foto velha e quase amarelada ganhou um significado todo especial para mim. Também fui fã de Michael e por ele paguei meu "Mico". Tomara que o nosso Jackson ceilandense tenha a chance de se reeeeeencontrar como me reeeeeeencontrei com o fantástico cantor, compositor e dançarino norte-americano que, como disse a sábia Linda "nasceu preto, morreu branco e sem nariz." Os mitos são assim mesmo....

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Convocação de apoio a GALENO, 27, de 16hs às 18hs.

  
           Companheiras e companheiros de Brasília. Já é hora de dar um basta ao movimento reacionário e medieval que ameaça e danifica constantemente a obra do grande artista plástico Francisco Galeno na Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima na 308 Sul. 
            Trata-se de um artista brasiliense modesto, dotado de imensa alma artística, que conseguiu realizar na Igrejinha da 508 sul  um trabalho digno, belíssimo, rico nas cores e na criatividade.  
               A obra é apropriada  para o local que, anteriormente, como se sabe, abrigava um painel do Volpi, tristemente vandalizado pelo antigo sacerdote da Igreja. Como muito bem observou o diretor do IPHAN em Brasília, arquiteto Alfredo Gastal, não estamos na idade das trevas.
              É inaceitável e odiento esse movimento reacionário contra a obra de Galeno. Sempre é bom lembrar que Galeno nasceu no dia
dedicado à Nossa Senhora de Fátima, razão pela qual recebeu o nome de Galeno de Fátima. 
               Ele não merece ser alvejado por esse bando de fanáticos.
              Convoco todos os amigos, companheiros, brasilienses de minha e de todas as gerações a comparecerem neste sábado`, de 16hs às 18 hs
a uma super-manifestação de apoio ao artista plástico e à sua obra, orgulho de uma cidade como Brasília.
 
                Gougon

GRAFITEIROS OCUPAM ESPAÇO RENATO RUSSO

Foto de Júnior Aragão
O Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul, em Brasília, está de cara nova. Durante toda a semana, artistas participantes da mostra “O Encontro 2009”, exposta no local, pintarão as fachadas do prédio.

Ao todo, 20 mil m² de paredes serão cobertas por painéis gigantes de grafite. Os interessados em conhecer um pouco mais sobre a técnica têm até a próxima terça-feira (30) para acompanhar o trabalho dos artistas.
O projeto “O Encontro – Arte Urbana em Brasília”, aborda como temática o Grafite. Na mostra, trabalhos de brasileiros e franceses.

FOI-SE O HOMEM, FICOU O MITO




quinta-feira, 25 de junho de 2009

BRASÍLIA, BRASIS


“Eu organizo o movimento, eu oriento o carnaval, eu inauguro o monumento no Planalto Central do País”

Caetano Veloso

No princípio era o barro, o cerrado, a esperança. Até que o velho Fenemê cheirando a graxa com sua pintura cor de terra, estacionou ao deus-dará do Planalto Central e ali descarregou a primeira legião de trabalhadores anônimos. Sim, era o homem.

“Vinham de longe através de muitas solidões”, escreveu Vinicius de Moraes. As forças vivas da Nação foram convocadas a erguer “num tempo, o novo tempo”. Estava dada a largada para uma das mais espetaculares epopéias de um povo no século XX. Uma verdadeira maratona da civilização moderna. Tanto que quase meio século depois eles continuam chegando à cidade moderna. “Será que é imaginação? Será que vamos conseguir vencer?” Os versos de Renato Russo refletem a perplexidade da chegada. Josés, Raimundos, Severinos e Franciscos perdiam a identidade. Coletivamente, eram candangos – palavra originária do quimbundo-angolano kandungu, pessoa ruim, vilão. Nos canteiros de obras passavam a ser chamados de Bahia, Piauí, Mineiro, Pará, Gaúcho ou Goiano. Toda conquista envolve riscos. Quantos ficaram pelos caminhos, perderam-se pela poeira das construções? A notoriedade cosmopolita de Brasília na Idade Mídia da Razão foi construída por hordas de brasis. O vidro fume dos prédios inteligentes, o transitar veloz dos Mitsubishis, o telefone celular e o lep-top que pluga o político e o executivo com qualquer praça do planeta. Nada disso existiria sem os milhões de brasis. Brasília tem hoje o sotaque dos brasis, o jeito dos brasis, a cara dos brasis.

Brasília, a melhor e a mais viva síntese de um povo. Brasília, capital Brasis.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

O fim do diploma e a cozinha da redação

Por Romário Schettino
Presidente do Sindicato dos Jornalistas do DF

É falsa a afirmação de que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) não muda nada na profissão do jornalista. Assim como é falso o argumento de que a decisão foi baseada na defesa da liberdade de expressão, como se essa estivesse ameaçada pelos jornalistas diplomados.

Para os ministros togados do STF, basta o interessado ingressar em uma redação amiga para aprender a ser jornalista, como se jornalismo fosse apenas a emissão de opinião e não, fundamentalmente, a apuração dos fatos (reportagem) com o uso de técnica específica e ética profissional. Quem decide o que será divulgado não é o jornalista, mas o dono do negócio, ou seja, o empresário da comunicação.

À exceção de do ministro Marco Aurélio, que compreendeu a necessidade de uma formação mínima, os outros oito embarcaram na absurda tese de Gilmar Mendes, segundo a qual não há diferença entre fritar um ovo e escrever uma matéria. A cozinha do jornal, senhor ministro, tem outro significado, bem mais sutil.







ENCONTRO CULTURAL DA IGREJINHA


 



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Arquiteto explica o "quase Volpi" da Igrejinha

Rogério Carvalho
Arquiteto e autor do projeto de restauro da Igrejinha de Fátima 
  

Entendo que restaurar é devolver unidade. O objeto deve necessariamente ser uno; deve promover ao expectador uma leitura coerente com aquilo que foi pensado, projetado e construído em determinada época. Nesse sentido, o trabalho de Niemeyer, Burle Marx, Athos Bulcão e Alfredo Volpi deveriam ser minuciosamente estudados, e após levantamento histórico, deveriam, dentro do possível, serem recuperados integralmente. A linguagem modernista e seus signos deveriam estar presentes não só na arquitetura e no paisagismo/urbanismo de seu entorno imediato, como tanbém nos bens móveis e integrados à arquitetura.

 

O trabalho de levantamento histórico foi realizado no arquivo público do DF e também nas informações disponíveis no arquivo da Superintendência do Iphan no DF. Foram consultados diversos periódicos, fotografias e textos avulsos. Foram ainda feitas diversas entrevistas. Toda a pesquisa me levou a definir quais seriam os pontos, que tratados nesse restauro, me levariam àquela leitura coerente que já me referi.

 

São eles:

1. Recuperação do projeto paisagístico de Roberto Burle Marx;

2. Restauro da escadaria que dá acesso à Igrejinha;

3. Restauro do piso externo, buscando a paginação original definida pelo Burle;

4. Restauro dos bancos projetados por Burle;

5. Restauro dos azulejos – substituição de algumas peças que haviam sido inseridas na década de 90 e que possuíam uma coloração muito escura; inserção de novos azulejos, na área atingida pelo incêndio, feitos pelo mesmo ceramista azulejeiro que sempre trabalhou com o Athos, porém, buscando variação de cor em três tipos para evitar blocos de azulejos monocromáticos;

6. Restauro do piso interno; (polimento e retirada da cera esverdeada)

7. Impermeabilização da laje;

8. Pintura externa e interna,

9. Restauro dos bancos genuflexórios (madeira, ferragens e substituição do revestimento) e redesenho e confecção a partir de

fotografia, do tocheiro de 17 braços desenhado pelo Athos para compor a cena frontal direita ao altar - redesenho e confecção do altar desenhado por Athos e que hoje não mais é encontrado lá.

10. Readequação dos objetos litúrgicos em espaço coerente com o desenho da igreja e de acordo com as normas litúrgicas definidas pelo Vaticano.

11. Novo sistema de som, iluminação externa e interna – estudos realizados pela mesma equipe que definiu a iluminação do Coliseu em Roma – Schréder.

12. Prospecção e manutenção de imagens resgatadas nas paredes internas;

13. Restauro dos painéis de Alfredo Volpi.

 

Este último, sem dúvida, o ponto mais delicado do projeto de restauro. Na década de 90 foram realizadas prospecções integrais nas três paredes que conformam o interior da Igreja. Infelizmente, a movimentação de algumas senhoras e do pároco à época – 1962, não deixou sobrar muita coisa do painel de Volpi. O reboco foi raspado e lixado. Existem fotografias com as paredes prospectadas e lá dá para perceber, sem dúvida, que sobraram apenas, ínfimos resquícios de policromia disformes, que impedem, com a tecnologia atual, a recuperação dos painéis. Cheguei a pensar em reproduzir as imagens do único registro fotográfico existente – Revista Módulo – do esboço de Volpi, porém, sabia que nunca conseguiria fazer com que alguém conseguisse o ritmo das pinceladas do artista e na falta de registro, nunca teria certeza de todas as cores utilizadas por ele. Todas as fotos existentes são em preto e branco. Entendi que deveria parar onde começava a hipótese. Por essa razão, defini que o que deveria ser restaurado no espaço relacionado ao painel idealizado por Volpi seria a ambiência que ele produzia na igreja. Restauraria a intenção do artista. Ele tinha que ser respeitado tanto quanto todos os outros criadores daquele espaço. Ora, em local tão pequeno como a igreja, um mestre da cor como Volpi não erraria! Três paredes revestidas intencionalmente de azul cobalto produziriam introspecção; a nave ficaria ainda menor visualmente, seria promovido o encontro do fiel com Deus, não existiria nada além desse contato. Foi esta intenção, esta ambiência que fez com que eu entrasse em contato com o Galeno para questioná-lo se aceitaria trabalhar conosco. Minha escolha pelo artista foi embasada naquilo que já conhecia de sua obra, e porque Galeno possui técnica, cromatismo e elementos de construção gráficopictórica semelhantes aos de Volpi. Eu poderia ter um "quase" Volpi ou poderia ter novamente agregado àquelas paredes, arte de primeira linha. A escolha foi óbvia!

 

Foram realizadas durante um ano reuniões com representantes da comunidade (Frei Odoli e diversos membros da paróquia). Esboços do Galeno foram apresentados, criticados e construídos em grupo. Conversei com vários amigos artistas plásticos e críticos de arte, inclusive ligados ao Volpi;  Tive a certeza da escolha do artista quando li manifestação de Olívio Tavares de Araújo, curador da obra de Alfredo Volpi, que "via na obra de Galeno, nada mais nada menos, que o próprio Volpi."  Portanto, baseado nessa certeza, direcionei o trabalho de Galeno. Alguns pontos foram apresentados ao artista, que concordou plenamente com a minha posição e com as necessidades apresentadas:

 

1.  Necessariamente o fundo dos três painéis deveria ser azul cobalto, o mesmo utilizado por Volpi na Igrejinha e no Painel do Itamaraty, painel que também faz parte de sua fase sacra; Ladi Biezus me disse que Volpi havia comprado grande quantidade de pigmento no tom azul cobalto.Utilizou diversas vezes esse tom em sua fase sacra.

 

2.  Que o painel frontal deveria conter, de maneira centralizada, uma Nossa Senhora de Fátima ladeada por dois elementos que reforçassem essa centralidade como em um oratório; Construção do Volpi para aquele painel.

 

3.  Que nos dois outros painéis houvessem elementos distribuídos de maneira linear e/ou aleatória, relacionados à história da aparição de Fátima e que ocupassem visualmente a extensão total de cada painel.

 

 

É isso! Espero ter ajudado a esclarecer a motivação das escolhas para esse restauro/intervenção.


terça-feira, 23 de junho de 2009

MANIFESTAÇÃO PELA OBRA DE GALENO DA IGREJINHA


"Tempo rei, ó tempo rei...transformai as velhas formas do viver". Gilberto Gil
Luis Turiba
Fotos de Eugênio Parente

O arquiteto Rogério Carvalho, responsável pela reforma na Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, na 307-308 Sul, e todos os artistas da capital, convocam todos as amigas e amigos da arte de Brasília e do Brasil para a manifestação que ocorrerá no próximo sábado, dia 27, a partir das 14:00h, em frente à igrejinha, para a manutenção da pintura de Galeno ad eternum!
Estaremos lá. Quem não puder vir, pode mandar i-meio para o blog que está centralizando o debate e a defesa das obras do Galeno.
Os três painéis que Francisco Galeno de Fátima está pintando para substituir as paredes de Volpi da Igrejinha, causaram enorme polêmica entre os moradores das quadras vizinhas. Uns queriam, outros não.
A obra chegou a ser suspensa pelo Ministério Público a pedido de 68 moradores. A reação da comunidade artística da cidade foi tamanha que o assunto foi parar no jornal Bom-Dia Brasil, da TV Globo. O ministério público recuou e Galeno pode terminar seu trabalho esta semana.
Uma vitória da estética, da liberdade de expressão, os seguidores de Jesus, o maior revolucionário que este planeta já presenciou.
VIVA NOSSA SENHORA DE FÁTIMA, A "NOSSA" SENHORA

segunda-feira, 22 de junho de 2009

BRASÍLIA CANTA SILVIO BARBATO

Desaparecido no vôo da Air France que caiu há um mês no oceano Atlântico, Maestro Silvio Barbato será homenageado neste domingo, 28, às 17 horas, na Torre de TV

Os músicos da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional prestam sua homenagem aquele que foi seu maestro e diretor artístico por tantos anos. E como era bem do gosto de Sílvio Barbato, não faltará cantores de ópera e um grande coro.
A marca registrada de Silvio Barbato era os grandes concertos ao ar livre, onde ele procurava popularizar a orquestra, apresentando ao público os grandes clássicos da música erudita. Sempre sorrindo, Barbato conversava com a platéia, chamava crianças ao palco para regerem com ele, regia a platéia. Inventava artifícios para aproximar o erudito do popular. Por isso, chegou a reger concertos sinfônicos onde tocaram o guitarrista da banda Sepultura e a cantora Fernanda Abreu.
Na década de 80, regeu o baiano-brasiliense Renato Matos cantando Um Telefone é Muito Pouco, na Rampa Acústica do Parque da Cidade. E no Mérito Cultural do MinC, em 84, fez a sua orquestra acompanhar grandes mestres do samba, como Jamelão, Martinho da Vila, Velha Guarda da Portela, Paulinho da Viola.

A IDÉIA
A idéia de um concerto em homenagem ao maestro surgiu numa conversa informal entre o Secretário de Cultura Silvestre Gorgulho e a cantora Janette Dornellas, amiga de Silvio Barbato desde 1985. Silvio gostava que a Orquestra fosse até o povo. E um dos seus locais favoritos era a Torre de TV. Foi lá que ele regeu em 2007 uma inesquecível produção da ópera Carmem, em parceria com o SESC, onde a própria Janette fez o papel da cigana Carmem, para um público estimado em 42 mil pessoas.
A proposta do concerto-homenagem foi levada à orquestra pelo Secretário Silvestre Gorgulho e os músicos imediatamente aderiram.
Dois músicos e regentes que trabalharam com Silvio Barbato ficarão a frente da Orquestra neste domingo: Claudio Cohen e Joaquim França.
Claudio Cohen, além de amigo, foi por muitos anos Diretor Administrativo da orquestra e também spalla, que é o violinista que lidera o naipe dos violinos e senta-se na primeira cadeira.
Joaquim França foi regente assistente de Silvio também por muitos anos, sendo o responsável por ensaiar a orquestra nas ausências do maestro. Na ocasião, um vídeo com imagens e fotos do maestro será exibido num telão.

JANETTE DORNELLAS, A ETERNA CARMEM DE SILVIO


Janette Dornellas cantou seu primeiro concerto com Silvio Barbato em 1985. Ele era então um jovem maestro de 26 anos, recém chegado da Itália onde se aperfeiçoou em Regência.
Ela não se esquece do impacto que foi a entrada de Silvio no primeiro ensaio: extremamente bem vestido, perfumado, com o nariz empinado e LINDO, arrancando das vozes femininas um longo Ohhhhhh.
Depois deste concerto, Janette cantou com Silvio dezenas de vezes, em concertos como coralista e solista, e principalmente em produções importantes de óperas como Carmem, em 2000 e 2007, Don Giovanni, MacBeth e Idomeneo, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, e a ópera composta por Silvio Barbato, O Cientista, em Fortaleza, Salvador e Duque de Caxias.
Janette também trabalhou na parte administrativa da orquestra, quando Silvio assumiu o posto de Claudio Santoro após sua morte. Ela foi responsável, durante alguns anos, pela divulgação dos concertos da Orquestra.

www.janettedornellas.mus.br

LEONARDO NEIVA
Leonardo Neiva recebeu este ano o prêmio Carlos Gomes de Melhor Cantor Erudito do País.
Brasiliense, nascido em Taguatinga, Leo, como é chamado pelos amigos, cantou também diversas vezes com Silvio.
Leonardo foi um dos cantores de Brasília que participou da primeira montagem de Os Miseráveis no País. Depois de São Paulo, cantou Os Miseráveis no México e, de volta ao Brasil, resolveu voltar a cantar ópera e atualmente é o barítono mais requisitado para concertos e óperas em todo o Brasil.

SARA SARRES

Considerada uma das maiores atrizes do teatro musical brasileiro, Sara Sarres protagonizou os espetáculos O Fantasma da Ópera como Christine, Les Misérables como Cosette, Godspell (dirigido por Miguel Falabella) como Maria Magdalena, O Mágico de Oz como Glinda, Cole Porter como Bessie, Comunitá como Antônia e mais recentemente como Anita, em West Side Story, dirigida por Jorge Takla.
Brasiliense, iniciou seus estudos musicais aos 7 anos de idade, estudou piano, percussão erudita e canto. Estreou aos 15 anos na ópera A Flauta Mágica (Mozart) e a partir daí participou de várias montagens de óperas, concertos e grupos corais como solista.
Fez o curso de ópera IVAI (Instituto de Artes Vocais de Israel) em Tel Aviv, onde estudou com grandes nomes da ópera como, Joan Dornemann, Mingon Dunn, Richard Barret e Teatro Musical com Dan Gattinger; Estudou em Milão com Rita Patane e desde os 13 anos tem como vocal coach Marconi Araújo.
Sara estuda Balé Clássico no Studio 3 e teve aulas de atuação com os americanos Ned Canty, John Norris e Ira Siff; Clown com Elisabeth Dorgan e interpretação para cinema no Studio Fátima Toledo e na Academia Internacional de CInema com Christian Duurvoort.



LYS NARDOTO E JEAN NARDOTO
Os irmãos Nardoto eram filhos de Adelmo, violinista da Orquestra do Teatro Nacional e desde pequenos conviviam com maestros e ensaios da orquestra.
Lys estreou aos 7 anos de idade com Silvio Barbato, cantando o papel do pastor na ópera Tosca, de Puccini, no Teatro Nacional.
De lá para cá, cantou também dezenas de vezes com ele, destacando-se no papel da Rainha da Noite da ópera A Flauta Mágica de Mozart. A última vez que fez este papel foi com Silvio, na Esplanada dos Ministérios em 2008, para uma multidão.
Nesta produção da Flauta, Jean Nardoto cantou o papel do príncipe Tamino.

BANDA TRAMPA
Uma das características principais de Silvio Barbato era sua inquietação musical. Silvio não só regia, mas compunha óperas, trilhas de filme, escrevia arranjos para músicas populares. E adorava Rock’n roll.
Ano passado, regeu uma orquestra no show da banda de rock Trampa, que tem entre os integrantes André Noblat. O show se chamava Trampa Sinfônica.

http://www.trampa.com.br/

O REPERTÓRIO

Em concertos ao ar livre, dirigidos por Silvio, não podiam faltar os grandes clássicos que as pessoas mais gostam e, principalmente, um grande coral!
Foram convidados todos os cantores da cidade que queiram prestar sua última homenagem a esse maestro tão querido por todos, que fazia a festa de músicos e coralistas, com suas expressões divertidas, suas tiradas impagáveis e seu histrionismo.
Grandes coros de ópera como Va Pensiero e Marcha Triunfal da Aída serão apresentados. Também clássicos como Bolero de Ravel e trechos da ópera Carmem de Bizet. Não poderia faltar Renato Russo, a banda Trampa e uma ária de musical, lembrando Juliana Aquino.
E, bem ao estilo Silvio Barbato, canhões do Exército Brasileiro, fechando o concerto com a Abertura 1812, de Tchaikowsky.

ROTEIRO CONCERTO BRASÍLIA CANTA SILVIO BARBATO

1) Abertura da ópera O Guarany – Carlos Gomes

2) Ária da Rainha da Noite (solista Lys Nardoto) – Mozart

3) Coro Va pensiero – Verdi

4) Ária Fígaro (solista Leonardo Neiva) – Rossini

5) Bolero de Ravel

6) Ária Habanera (solista Janette Dornellas e coro) – Bizet

7) Alvorada do Schiavo – Carlos Gomes

8) Ária do Toreador (solista Leonardo Neiva e coro) – Bizet

9) Abertura da Forza do Destino- Verdi

10) Música com a banda de rock Trampa

11) Brindisi da Traviata (solistas Lys Nardoto e Jean Nardoto e coro) – Verdi

12) Ária do Fantasma da Ópera Whising You Were Here (solista Sara Sarres ) – Weber

13) Danúbio Azul – Strauss

14) Ave Maria de Gounod (solista Janette Dornellas e coro)

15) Eduardo e Mônica – Renato Russo

16) Marcha Triunfal da Aída – Verdi

17) Abertura 1812 – Tchaikowsky

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Igrejinha: Arte, Ética, Poder e Fé

Mariangela Oliveira,

Psicopedagoga


Até que ponto a expressão do artista é livre? Existe uma ética para essa expressão?

Ouvi falar dos painéis que o artista Galeno está pintando na Igrejinha, na 307/308 Sul,em Brasília/DF, mas ainda não tinha visto a obra que vem trazendo tanta polêmica. Ontem, 17/06, vi pela televisão parte dela e comecei a procurar entender o motivo pelo qual os frequentadores diários da Igrejinha estão rejeitando essa obra.

Galeno é muito criativo e sua arte mostra isso. A pintura que está fazendo na Igrejinha vem da alma, das suas vivências, da sua história e do modo como vê e sente a vida! A rejeição dos católicos vem da alma, das suas vivências, das suas histórias e do modo como veem e sentem a vida! Galeno está certo sob seu ponto de vista e tem o direito de se expressar, assim como as pessoas da comunidade tem o direito de dizer o que acham da obra e de não quererem que ela fique exposta numa Igreja Católica. Os mesmos sentimentos e direitos fluem como se convergentes fossem!

A arte é viva e convivemos com ela em todos os espaços, mas será que uma Igreja Católica é um espaço aberto à livre expressão artística? Será que igrejas de outros credos abririam seus espaços para essa expressão livre, que não foi sequer dialogada? Será que a própria Igreja Católica abriu esse espaço?

Ao transitar em espaços religiosos o artista precisaria, antes de tudo, dialogar consigo para identificar em sua alma algo além de si mesmo. Se Galeno é capaz de tamanha criatividade, trazendo uma releitura, uma alegoria da aparição de Nossa Senhora de Fátima, ele também deve ser capaz de dialogar e tentar entender o que a comunidade da Igrejinha diz.

O espaço da Igrejinha não é uma tela pessoal, não é uma galeria de arte, não é o hall de um hotel, de um prédio para receber toda e qualquer obra de arte. É um espaço religioso! E como tal, requer um olhar diferenciado, um senso estético e principalmente ético por parte de todos os envolvidos! Como espaço religioso, a Igrejinha se sustenta pela presença e atuação das pessoas que diariamente e ao longo dos anos vêm cuidando e fazendo dela seu Templo de encontro com Deus. Igreja se faz com pessoas, sem elas, qualquer Igreja se transforma apenas em um ponto turístico.

A Igreja Católica sustenta por séculos algumas tradições em sua expressão que são intrínsecas dela mesma e que devem e podem ser respeitadas. Uma dessas tradições está fincada na própria maneira como a história nos é contada sobre o aparecimento de Nossa Senhora de Fátima as três crianças. Da mesma maneira que Cristo nos é apresentado pregado e sangrando em uma cruz, que diversos santos são mostrados matando dragões, amarrados e flechados, a Igreja sustenta em seus anais a história literal da aparição em Fátima. Isso é uma práxis e como tal deve ser respeitada literalmente dentro do seu próprio espaço religioso.

Ao artista é livre sua expressão em qualquer lugar que não seja o espaço dentro da própria Igreja. Usá-lo para expressar algo pessoal sem a anuência dialogada com a comunidade, sem traduzir o sentimento comum, é falta de respeito com as crenças e fé do outro, portanto, é total falta de ética!

As pessoas que frequentam a Igrejinha diariamente desejam ter um espaço religioso que traga e expresse a história de Nossa Senhora de Fátima como ela foi e é contada, e não como o artista a vê. Se ela está expressa de maneira alegórica, e não é capaz de fazer o elo entre o humano e o divino, ela perde sua finalidade dentro do Templo. Para se alcançar essa ligação nem é preciso uma obra de arte, basta uma vela acesa, porque o seu significado mítico vai além dela mesma. Não é o caso de sua arte. Invés de religar, elevar, ela interrompe, desvia, não sai do plano terreno. A Arte feita com fins específicos para lugares pré-determinados tem de ter, necessariamente, uma finalidade: sua obra não comunica nesse ambiente! O artista está certo em pintar o que lhe vem da alma, mas não está sendo ético ao ultrapassar os limites alheios.

Brasília está tombada pelo Patrimônio Cultural da Humanidade, assim como a Igrejinha, mas isso não dá o direito do IPHAN de decidir por esse ou qualquer outro artista para que ele expresse a seu bel prazer algo pessoal que foge àquilo que a própria Igreja Católica sustenta a séculos. São séculos de história que se deseja modificar com um painel pessoal do seu autor. O dever do órgão está circunscrito a não deixar que o prédio se deteriore pelo tempo e desgaste natural, e não, pela imposição de artes e artistas, sem o devido diálogo com a comunidade que dá sustentabilidade à existência religiosa da Igrejinha de Fátima. A atitude do IPHAN, sustentado pelos impostos do contribuinte, também carece de um olhar do Ministério Público, porque o órgão está se desviando da sua verdadeira função. Algumas questões ficam no ar quando se envolve a parte legal: é uma doação? É um serviço contratado?  Quanto custou? Quem pagou? Se foi pago com dinheiro público, como foi o processo licitatório? Como se processou a escolha?

O papel de qualquer obra de arte é convergir e não causar a dispersão. Igrejas como a Catedral, o Santuário Dom Bosco e outras, sustentadas exclusivamente pela comunidade, já vêm passando por uma séria crise de afastamento dos fiéis, em razão, também, da falta de condições de se chegar até elas em função do crescimento da cidade, do congestionamento, da falta de estacionamento e agora, para agravar ainda mais a situação, se veem na perspectiva de terem seus espaços ocupados por cenas que não traduzem de forma alguma o sentimento de uma comunidade que deseja exercer seu direito de professar sua fé dentro dos padrões dogmáticos e próprios da Igreja Católica. O tombamento não significa que aquele espaço passou a ser uma galeria ou um prédio turístico! Não significa também que a Igreja tenha de abrir mão da sua história, dos seus dogmas, dos seus ritos, das suas regras.

Galeno, faça uma pintura que torne o lugar mais leve, aconchegante, um espaço de oração. Não queira que sua arte, sua pintura se transforme em algo que traga ressentimentos, amargura, tristeza! Pinte para lhe satisfazer, mas também para trazer coisas boas, para acrescentar. Se você deseja que os outros respeitem e entenda o seu trabalho, você deve primeiramente respeitar e entender que aquele espaço é, antes de tudo, dos fiéis que frequentam e dão sustentabilidade à Igrejinha dentro dos seculares padrões católicos. Você tem seu valor e está sendo premiado por ter esse espaço valoroso para se expressar. Pense, analise e tente reverter esse processo. Não desperdice isso!

Basta ir além do que sua alma diz. Interprete a alma do outro! Você pode!


 

 

 

 

 


quinta-feira, 18 de junho de 2009

CONHEÇA A SINOPSE DO ENREDO DA BEIJA-FLOR PARA 2010

Brilhante ao Sol do Novo Mundo, Brasília, do Sonho à Realidade, a Capital da Esperança

Na noite da ultima quarta-feira, 17, a direção da Beija-Flor de Nilópolis apresentou a sinopse do enredo para o carnaval de 2010 para a comunidade da cidade, no Rio. A apresentação foi feita simultaneamente para os compositores da escola e também para os de Brasília, que terão direito a inscrever seus sambas.
Isso aconteceu graças a uma teleconferência, via internet, a primeira ocorrida entre sambistas de Estados diferentes. O diálogo entre a Beija-Flor e Brasília durou mais de quatro horas com transmissão ao vivo. Em Brasília, os sambistas estavam na sede da ARUC, no Cruzeiro.
Os compositores de Brasília poderão apresentar seus sambas até o dia 7 de agosto, com cinco cópias da letra e uma versão cantada em CD. A seleção dos quatro (4) sambas que irão participar da seleção final em Nilópolis será nos dias 8 e 9. Do júri farão parte a comissão de carnaval da Beija-Flor, o secretário de Cultura Silvestre Gorgulho e, provavelmente, o vice-governador Paulo Octávio.

Conheça agora a sinopse que dará origem ao enredo da Beija-Flor para o próximo carnaval.

"Reluz meu samba como cristal brilhante, a refletir neste instante, mais um sonho encantado, a emanar sua energia, como alvorada que anuncia o dia, resplandecendo o Planalto Central.
Vai Beija-Flor aventureiro, abre as asas, abraça o cerrado brasileiro, traz Brasília em seu carnaval...
Faz a anunciação da terra prometida, entressonhada e celestial, da divina visão de Dom Bosco, em sua viagem no espaço do tempo, nos paralelos do futuro virtual. E torna o mito “Goyaz”, uma verdade, uma história de amor pra eternidade, de Paranoá, guerreiro, um lago de lágrimas, de Jaci, um luar de paixão, a espreitar, num olhar azulado, a bela índia alada, que jaz, por Tupã enfeitiçada, deitada pra sempre em seu chão.
Emerge do passado a sua herança, do coração do Egito, coincidência, inspiração... Aketaton, gêmea ancestral do deserto, que se esplanou em largos espaços abertos, em templos, “estelas”, em reverência ao sol, abrindo-se, feito asas, norte e sul, qual vôo de íbis, ave sagrada, em seu vôo na imensidão.
Que se abram suas páginas de história, de desbravamento e bravura, de onde em busca de riquezas se ergueram bandeiras, que rasgaram o seu coração, que ainda criança, pulsava invisível e sereno, entre as matas desse sertão.
Mostre que sempre foste um sentimento, sonho e predestinação, por ser de fato o centro, deste imenso florão e que da colônia ao império, adormeces-te em ideais, como um ponto de vista de quem enxergou à frente, além da própria visão pois viste correr o tempo, entre tormentas, revoltas e insurreições e que da tempestade, sentiste os novos ventos, que ainda que tarde sopraram a liberdade e que após “o brado forte e retumbante”, o patriarca te batiza, de Brasília, afinal.
Que da inquietude da República foste sempre um desejo, a ânsia de realizar, e foi assim disposta na carta magna, como um vislumbre, um definitivo olhar. Viste então a missão científica, em grande marcha para o Oeste desbravar, e a medida que ela avança, abrindo a terra agreste e mansa, veio então te visitar.
Traçaram em seu planalto, um quadrilátero, entre as tortas árvores do cerrado, fauna e flora a se revelar e das entranhas do seu solo rubro, rochas cristalinas que apontam e despontam ao sol a brilhar, de suas veredas, um seio que esbanja ricos mananciais, desnuda o seu berço esplêndido e líquido, sul e norte a desaguar.
Por fim um marco te fecunda a terra, como sêmem de pedra, que do alto da serra vigia teu sono derradeiro e sob o imenso céu a contemplar o cruzeiro faz seu ventre guardar ternamente, o alvorecer do novo tempo brasileiro.
Mas eis que do horizonte faz luzir a modernidade como um raio intenso e verdadeiro e de minas sopra “Venturis”, varrendo os anos dourados, de esperança e prosperidade, e JK segue adiante, acordando enfim, o gigante, com seu ímpeto aventureiro.
E um país se redescobre ao mirar-se no espelho do futuro, é o querer, a coragem, o poder e fazer... E uma caravana parte, épica, qual êxodo caboclo, epopéia de pioneiros, desterrados candangos, operários guerreiros, vários Brasis, num só Brasil que se juntam a construir e a crescer...
De uma cruz esboçada em papel, ergue-se em aço uma cidade, elevando-se ao céu em silhueta de arrojo, um prodígio em traços simétricos, de volume e equilíbrio, abstrata e concreta, o contraste. Brasília nasce, num parto de vitória sobre as mentes conformistas e se faz triunfo de Juscelino, de Lúcio e Oscar, viva e ávida, pássaro dos sonhos, o próprio sonho querendo voar. E se mostra assim, branca de luz de sol de abril, de tantas mentes, de tantos braços, tanto suor, tantas lágrimas, de tantos, de todos nós, do Brasil!
Hoje, do Sonho à realidade, ela brilha! E a cada alvorada, se reinventa e re-existe, virtual e jovem, eclética e mística, cidade criança e da esperança, a “esquina do Brasil”, Babel de sotaques, mistura, um caldeirão cultural, alfabética e numérica, superlativa, absoluta, sintética, artística, letra e música, Bossa, nova, nossa, capital... Somos todos partes desse corpo, da nave-mãe de asas abertas em seu imenso abraço norte e sul, como ave que hoje voa em nosso mundo encantado, a terra do carnaval.
Somos todos “candangos” a construir um sonho, somos “calangos” irmãos sob o mesmo céu estrelado, somos você, Brasília, nas asas de um Beija-Flor que vêm te beijar agora, como se fosse flor, A flor do cerrado!"

Alexandre Louzada, Fran Sérgio, Laíla e Ubiratan Silva
Comissão de Carnaval 2010

quarta-feira, 17 de junho de 2009

SAMBISTA USA TECNOLOGIA DA INTERNET PARA COMPOR SAMBA-ENREDO



Beija-Flor transmite argumentos para compositores de Brasília em teleconferência

Luis Turiba

Logo mais à noite(17-06), na sede da escola de samba supercampeã de Brasília, a Aruc do Cruzeiro, dezenas de sambistas e compositores da capital vão receber e conhecer a sinopse que orientará a composição do samba enredo que a Beija-Flor levará para a Sapucaí em 2010.

A escola de samba de Nilópolis desfilará com o enredo BRILHANTE AO SOL DO NOVO MUNDO, BRASÍLIA, DO SONHO À REALIDADE, A CAPITAL DA ESPERANÇA, uma homenagem ao cinqüentenário da capital brasileira.


O enredo foi negociado com o governador Arruda e com o vice Paulo Octávio. Enganam-se redondamente aqueles que pensam que os carnavalescos e os produtores de cultura de Brasília. Os sambistas da capital participaram, apoiaram e vão apoiar o carnaval da Beija-Flor, que fará uma interação completa com as escolas de samba de Brasília. E o melhor: nossa cidade será divulgada positivamente no sambódromo para milhões de pessoas do todo o planeta.

As orientações sobre o samba enredo de 2010 serão dadas diretamente de Nilópolis pelos carnavalescos Laíla, Bira, Fran Sergio e Alexandre Louzada através de uma teleconferência, via Internet.

Ou seja, os sambistas e compositores de Brasília concorrerão em pé de igualdade com os compositores da escola de samba supercampeã do carnaval carioca. Em agosto, os três melhores sambas de Brasília irão concorrer com os do Rio de Janeiro.

JUSTIFICATIVA DO ENREDO, SEGUNDO OS CARNAVALESCOS

 Tudo o que permeia a história de nossa jovem capital federal, nos remete ao sonho, ao místico, as coincidências e inspirações extraordinárias, e nela, abre-se um campo de suposições e até mesmo nos transporta ao imaginário.

            Brasília é um invento que transborda as pranchetas de seu traçado arquitetônico pois apesar de planejada, temos às vezes a impressão de que em parte ela é fruto do inconsciente e que rouba pra si, todo um universo de sonhos, mitos, lendas e fatos que convergiram para a vasta região do Planalto Central brasileiro, para compor sua pré-história.

            Brasília nos desafia e nos encanta à medida que nos afastamos de sua imagem de centro nervoso de nossa política governamental. Ela é sim, uma obra do homem, porém ela é certamente o resultado de inspirações, uma obra de arte, desenhada em um quadrilátero, compondo a paisagem harmoniosamente no encontro de céu e terra, como se ela já existisse invisivelmente antes da sua construção.

            Ela é a multiface do Brasil e do mundo, o que lhe dá a mestiçagem da aparência de seu urbanismo e arquitetura, bem como os contornos físicos e culturais do seu povo. Brasília nos faz viajar constantemente, do imaginário extraterrestre à mitologia indígena; um pouco Maia, Asteca, Inca, Egípcia ou mesmo o que imaginamos ser divino-celestial.

            Grandes nomes de nossa história, direta ou indiretamente, se conectam a ela. A idéia de se plantar a capital do Brasil no centro de seu território, nasce nos primórdios da colonização e desbravamento de nossa terra.

            De Marquês de Pombal a JK, passa por Tiradentes e os ideais da inconfidência, pela declaração de nossa independência e o batismo de seu nome, por José Bonifácio até os primeiros anos da então Jovem República Brasileira. Descreve uma trajetória de pioneirismo com a marcha para o oeste através da expedição de Louis Cruls, desencadeando mais tarde um grande êxodo de brasileiros desterrados, para a sua construção.

            No ano em que se comemora os seus 50 anos de vida, a capital de todos os brasileiros e patrimônio da humanidade, merece de todos nós, uma homenagem e a Beija-Flor de Nilópolis tem o orgulho de fazê-la. Por sua complexidade e importância para o Brasil e o mundo, por sua peculiar história, de imaginações, de visões e visionários, de desbravamento e pioneirismo, de coragem e triunfo da vontade política de um brasileiro e por ser ela, um monumento ao arrojo de nossa engenharia e arquitetura, Brasília, do Sonho à Realidade, empresta sua beleza para enfeitar o samba.

 

NOSSA SENHORA É NOSSA!

Atenção! Fanáticos planejam jogar tinta em cima da imagem da santa feita por Galeno

 
Luis Turiba

 

"Senhor, piedade, pra esta gente careta e selvagem". Assim cantou Cazuza para aqueles que não sabem amar.

Pois é, gente: precisamos ficar alerta porque os reacionários, caretas e corocas que se acham donos da Igrejinha da 307-308, estão prestar a cometer um ato terrorista selvagem contra a Nossa Senhora de Fátima pintada pelo artista plástico Francisco Galeno de Fátima no interior do primeiro templo construído em Brasília.

Primeiro, eles se reuniram num abaixo-assinado de 68 pessoas e tentaram impedir que Galeno continuasse o trabalho encomendado pelo IPHAN por intermédio do Ministério Público.

Ontem (terça, dia 16) cobriram a imagem da santa com um plástico, num ato de provocação ousado contra uma instituição pública como o IPHAN e o trabalho do próprio artista.

Agora, o pior: fontes ligadas ao movimento desses fanáticos garantem que alguns deles estão tramando jogar tinta em cima do trabalho de Galeno. Um horror esse pessoal.

 

A Nossa Senhora é nossa!
 

Essa é a mensagem das 100 camisetas que o Café Martinica irá fazer para defender o trabalho de Galeno. As camisetas serão vendidas e o dinheiro arrecado doado às crianças necessitadas de Brazlândia, onde mora o artista plástico.

O blogdoturiba recebeu uma proposta de Noemi:

"É imprescindível a mobilização das pessoas ao Galeno, ao Iphan, à Igrejinha e também Brasília, que tem a possibilidade de vê-la restaurada e, quem sabe comemorar isso em seus 50 anos! Elaboramos um abaixo assinado, publicado no seguinte endereço: http://vivacultura.ning.com/profiles/blogs/movimento-pela-continuidade-da

Peço que acessem, divulguem e dêem prosseguimento, entregando-o ao final ao Correio Braziliense. Ana Lemos

terça-feira, 16 de junho de 2009

ORAÇÃO PARA NOSSA SENHORA DA BALA PERDIDA

Luis Turiba

- Reze antes de sair de casa –

Mãe,
Afaste de mim esta bala
Este dardo inflamável
Esta sete diuturna
Este terror sem rumo
Este projétil alado & raso

Pois já que elas não cessam
Que pelo menos nos errem

Rogai por nós os passantes
Os transeuntes os pedestres
Os motoristas e as crianças
E principalmente as mães

Não nos faça alvos fáceis
Desta chuva de petardos
Não nos atinja o corpo
Nem a alma nem os prantos

Que veloz, não me alcance
Que sua força não me curve
Que seu fogo não me queime
Que o acaso não me derrube

Eu que diariamente passo
Por favelas becos vielas
Por túneis curvas células
Eu que faço o bom combate

Protegei as nossas vísceras
Das emboscada bandidas
Dos acertos entre quadrilhas
Do fogo amigo ou polícia

Só te peço oh mãe amiga
Santa do cotidiano
Poupe-nos o banho de sangue
De passagem tão insana

sábado, 13 de junho de 2009

O MARTÍRIO DE GALENO


Artigo do editor Carlos Marcelo, publicado no Correio Braziliense de hoje (13.06)

carlosmarcelo.df@diariosassociados.com.br


Com orgulho, o artista plástico Galeno mostra a última fase do trabalho que desenvolve, a convite do IPHAN, no interior da Igreja Nossa Senhora de Fátima. Abre um sorriso ao perceber o embevecimento dos que acompanham sua trajetória diante do resultado do maior desafio que já enfrentou: levar a sua arte às paredes da capela desenhada por Niemeyer no coração da Asa Sul.
Mas o artista baixa o olhar quando reproduz a sucessão de ironias e hostilidades que tem escutado diariamente nas últimas semanas por se recusar a seguir um modelo figurativo para a representação da aparição de Nossa Senhora às crianças portuguesas Jacinta, Lúcia e Francisco em 13 de maio de 1917.
“Tem dias que a gente perde até a vontade de trabalhar....”, disse.
Opiniões divergentes existem e sempre existiram, ainda mais quando o tema envolve religiosidade e fé. Por isso, antes de mais nada, é preciso pautar a discussão sobre os novos painéis da Igrejinha, que envolveram até o Ministério Público Federal (acionado após recebimento de abaixo-assinado com 68 nomes que não aceitam o trabalho de Galeno), pelo respeito.
Estabelecido o patamar mínimo para qualquer debate, convém tentar alcançar a dimensão do fato e não reduzi-lo a uma questão de gosto pessoal.
Pelas características únicas do projeto original, a Igrejinha é uma edificação que transcende a próprio religão: trata-se de um monumento arquitetônico e urbanístico – ali se encontram, reunidos, os gênios de Niemeyer e Athos Bulcão, em espaço de convívio idealizado por Lúcio Costa,e por isso dezenas de turistas a visitam diariamente.
A Igrejinha não é propriedade particular dos seus fiéis freqüentadores, que lá encontram espaço para o exercício de sua fé. Ela é maior do que a população que a circunda e dele se apropria”, definiu o artista plástico Omar Franco, em comentário no blog do poeta e jornalista Luís Turiba, um dos primeiros a ampliar a discussão.
Desejar a Igrejinha ornada da mesma que outros oratórios espalhados pelo Brasil é, em última instância, recusar Brasília. Significa a rejeição ao projeto original da cidade em prol da reprodução de moldes seculares – um dos freqüentadores chegou a sugerir que Galeno projetasse uma imagem sacra na parede e se limitasse a copiá-la. Mais preocupante do que esta visão reducionista da capital e do processo criativo do artista, porém, é tomar conhecimento dos episódios de desrespeito à arte de um brasileiro nascido em 13 de maior e que, por isso, carrega Nossa Senhora não apenas na inspiração. Porque o nome completo do artista que tem sido hostilizado por alguns fiéis é Franscisco de Fátima Galeno. Um piauiense radicado no Planalto Central desde 1959; um brasiliense como todos nós.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Pergunta que não quer calar: e agora?

Luis Turiba
 
Encontro com o mestre-guru da política brasiliense Renato Riella. no restaurante natural FLOR DE LOTUS, e lhe pergunto sem deixar a bola quicar.
Por que o deputado Leonardo Prudente, presidente da Câmara Distrital, está contra a Beija-Flor desfilar a história dos 50 anos de Brasília no carnaval de 2010, no Sambódromo do Rio de Janeiro?
Riella pensou, pensou, pensou e no final do almoço respondeu:
- Ciúmes!
Faz sentido: quem foi ao Rio fechar o acordo com a Beija-Flor foi o deputado distrital Raad Mansur. Prudente não gostou nada e agora está se posicionando contra seu principal aliado, que é o vice Paulo Octávio.
Mas Paulo Octávio já garantiu a direção da Beija-Flor que o assunto está fechado e a primeira parcela, de R$ 300 mil, será paga em julho.
- Os recursos para garantir a divulgação dos 50 anos de Brasília estão garantidos, disse o vice. 

CARTAS CONTRA A CENSURA NA IGREJINHA

A censura imposta pelo Ministério Público (uma vergonha!, coisa do tempo da ditadura) às pinturas que o artista plástico Francisco Galeno fez na igrejinha Nossa Senhora de Fátima, para substituir os painéis de Volpi, continua repercutindo em inúmeros segmentos da vida cultural de Brasília e do País.

 

O blogdoturiba comprou essa briga e vai publicar aqui as cartas e as mensagens de indignação que os chegam. Com a palavra os artistas Glênio Lima e Darlan Rosa, que apoiaram o manifesto feito por Omar Franco contra a censura aos trabalhos de Galeno:

Leiam as cartas de ambos: 

 

Querido Omar

Obrigado por compartilhar a sua indignação com este grande equívoco instalado.

Estou certo que você colocou, com muita propriedade, as

palavra na boca de muita gente, que não aguenta tanta burrice

e pobreza cultural. Que modernidade é essa de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa,

que não permite ideias inteligentes e, acima de tudo, contemporâneas e

que aproximam mais da nosso tempo?

Parabéns e, conte com a minha solidariedade.

Um abraço

Glenio Lima

 

Grande Omar,

Eu também estou solidário ao nosso colega Galeno, cujo trabalho de reconhecida qualidade e beleza, representa as primeira gerações de artistas formados na cidade, e portanto tem todo o direito de estar na Igrejinha. Eu entendo a sua indignação e como eu acredito ela seja de todos nós.

Como eu estava fora de Brasília, eu não pude acompanhar os primeiros passos desta discórdia, mas me parece que está faltando um pouco de comunicação com a comunidade, para que a pendência se resolva, e o trabalho seja inaugurado com celebração por todos. Inauguração esta que eu não tenho dúvida que acontecerá, pois a arte do Galeno está acima disso tudo.

Sou favorável ao diálogo e a paz. Pode contar comigo,

 

Darlan Rosa

O AMEAÇADO

Jorge Luís Borges

 

É o amor. Terei que ocultar-me ou que fugir.

Crescem os muros de seu cárcere como num sonho atroz.

A formosa máscara está de volta, mas como sempre é a única.

De que servirão meus talismãs; o exercício das letras; a vaga erudição; o aprendizado das palavras usadas pelo áspero Norte para cantar seus mares e suas espadas; a serena amizade; as galerias da Biblioteca; as coisas comuns; os hábitos; o jovem amor da minha mãe; a sombra militar de meus mortos; a noite intemporal, o sabor do sonho?

Estar contigo ou não estar contigo é a medida do meu tempo.

Já o cântaro se quebra sobre a fonte; já o homem se levanta ao cantar de um pássaro; já estão obscurecidos os que olham pelas janelas – mas a sombra não trouxe a paz.

É, já sei, o amor: a ansiedade e o alívio de ouvir tua voz, a espera e a memória, o horror de viver no sucessivo.

É o amor com suas mitologias, com suas pequenas magias inúteis.

Há uma esquina pela qual não me atrevo a passar.

Já os exércitos me cercam, as hordas.

(Este quarto é irreal, ele não o conheceu.)

O nome de uma mulher me delata.

Me dói uma mulher em todo o corpo.

 

Tradução: Luis Turiba, 1998

 

quinta-feira, 11 de junho de 2009

POETA CONDENA CENSURA NA IGREJINHA DE BRASÍLIA


Nicolas Behr envia carta ao Correio Braziliense protestando contra censura

Sr. Redator,

Toda criação deve ser livre, não pode sofrer constrangimentos de nenhuma natureza. Geleno é um artista plástico com obras de alta qualidade,reconhecido no Brasil e no exterior.
 
 A Igrejinha, assim como toda Brasília, nasceu sob o signo da arte, da inventividade, da ousadia. As pinturas criadas por Geleno no interior do templo são singelas,brasileiríssimas, que em nada atentam contra a fé cristã. Pelo contrário: reforçam os vínculos dos brasileiros com a sua religiosidade. A arte da Igrejinha não pode ficar refém de meia duzia de beatas que reuniram 68 assinaturas numa comunidade, as superquadras próximas, onde vivem pelo menos 10.000 pessoas.
 
Galeno é um artista consciente do seu papel, pessoa responsável, sensível, e que já fez mudanças nas obras, atendendo pedidos de frequentadores da Igrejinha. Algumas pessoas ainda não entenderam a idéia de Brasília. Que a luz do Espirito Santo as ilumine.

Nikolaus von Behr, Lago Norte










PINTURAS PAINÉIS DA IGREJINHA

Omar Franco, artista plástico

Está na hora de esclarecer alguns aspectos inerentes à arte e à cultura, quando a pedido de carolas, trazem à cena o Ministério Público Federal para salvaguardar suas vontades e desejos de ver fora das paredes da Igrejinha uma obra de arte autêntica e de valor inestimável, tanto do ponto de vista estético, quanto pelo valor social/cultural que o artista Galeno representa.

A Igrejinha não é propriedade particular dos seus fiéis frequentadores, que lá encontram espaço para o exercício de sua fé. Ela pertence a todos os brasileiros. Ela é parte de um todo. Ela é maior do que a população que a circunda e dela se apropria. O trabalho de arte, que nela está sendo feito, transcende a existência imediatista dos seus frequentadores.

Dessas paredes já foram retiradas as pinturas do genial Alfredo Volpi. Foram vilipendiados os azulejos de Athos Bulcão, transformaram seus arredores em mictórios fétidos. O desejo de retornar as cores azul e branco das paredes refletem muito bem o vazio existente na cabeça dessas pessoas. A igreja católica foi o maior mecenas que humanidade já conheceu. Se esqueceram da Capela Sixtina?

Quem conhece um pouco de semiótica sabe o poder que a imagem tem. A arte é reflexo imediato de uma ação cerebral criativa. O que mais nos aproxima de Deus do que a nossa capacidade de criação? Seria conveniente substituir a obra do Galeno por uma N.S. de gesso? Como ousam destruir o que não conhecem? Essa atitude tomada por pessoas, contrárias ao trabalho tão bom e honesto que vem sendo realizado pelo Francisco de Fátima Galeno (nascido em Parnaíba, Piauí, em 13 de maio de 1956, mesma data em que nasci) nos devolve à penumbra, à escuridão, às trevas e ao obscurantismo recente da nossa história política, quando os poderosos chamavam a polícia para resolver querelas que contaminavam seus interesses particulares comezinhos.

Não é possível em uma cidade como Brasília, cercada de arte por os todos lados e tombada pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade, se submeta a uma minoria ignorante, limitada e poderosa, sem argumentos, acione o Ministério Público Federal, já sobrecarregado, para se meter numa ação de poucos, que novamente se dispõem a dar um grande chute na Santa, mas dessa vez, como fogo amigo, dando um tiro no próprio pé.

Brasília, 10 de junho de 2009.

terça-feira, 9 de junho de 2009

GALENO É IMPEDIDO DE PINTAR IGREJINHA NA 307 SUL

ARTISTAS DEFENDEM PINTURAS CONTRA AÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO
Luis Turiba
Foto de Carlos Moura

Ao chegar hoje (9 de junho) na igrejinha Nossa Senhora de Fátima, na 307 Sul, para concluir o painel central com a imagem da santa, o artista plástico Francisco Galeno foi impedido que prosseguir seu trabalho por ordem do Ministério Público.

A santa pintada por Galeno está envolta num manto branco fechado com pequenos carretéis amarelos e tem uma pipa na parte superior. Ela dialoga diretamente com as outras pinturas, com brinquedos de crianças.

POLÊMICA

O Ministério Público do DF resolveu atender a um abaixo-assinado de 68 moradores das quadras próximas à igrejinha Nossa Senhora de Fátima pedindo a suspensão da obra de arte.

Vários artistas de Brasília foram imediatamente à igrejinha prestar solidariedade a Galeno e até os quatro carnavalescos da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, que estão em Brasília, estiveram no local.


O poeta Nicolas Behr está organizando um abaixo-assinado para que Galeno possa completar seu painel central onde está a Nossa Senhora. As dois painéis laterais já estão prontos.

BRASILIENSES VÃO DESFILAR NA ALA DO “PACOTÃO”

 Luis Turiba
 
Quem quiser desfilar em 2010, fique esperto e se ligue ba Beija-Flor

  

Depois de seu primeiro dia em Brasília, o carnavalesco Alexandre Louzada decidiu que o desfile da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis em 2010, quando sairá com o enredo "Brasília Capital da Esperança", terá uma ala com artistas, criadores, atletas, pioneiros e personalidades brasilienses.

Será a ala da esperança e do sonho realizado. A ala do cinquentenario da cidade será chamada de "Pacotão", em homenagem ao irreverente bloco carnavalesco que foi criado em Brasília para zombar da ditadura militar no governo Geisel.
Ao saber da noticia, o poeta Nicolar Behr disse que levara a faixa SOU DE BRASILIA, MAS SOU INOCENTE.
 
A idéia é ter nesta ala um carro alegórico da ala a imagem de um brasiliense contemporâneo, tipo o roqueiro Renato Russo.

Louzada está em Brasília acompanhado dos carnavalescos Fran Sergio, Ubiratan Silva e o cenógrafo Ailton Neves.

Almoçaram com o governador Arruda, na residência de Águas Claras, onde ouviram histórias de JK e de pioneiros; visitaram o Memorial JK na companhia do vice-governador Paulo Octávio e do secretário de Cultura, Silvestre Gorgulho. À tarde, visitaram o Museu da República e a noite participaram do Recital Poético e Musical na casa da Cristina Roberto (Bom Demais), no Lago Norte. Lá. Louzada gravou um longo depoimento para a cineasta Tânia Quaresma sobre suas experiências com Brasília.

A comitiva da Beija-Flor continua até quinta-feira conhecendo uma Brasília não oficial. Visitarão o Jardim Botânico, o Vale do Amanhecer, a ARUC, o Calaf, o Beirute, o Zecutivo e o açougue Cultura T-Bone, na 312 Norte, onde vão tirar prosa com Vladimir Carvalho, Joãosinho Trinta, Ernesto Silva, Raul de Xangô, Ivan Presença, Nicolas Behr, Sylvia Cyntrão e outras cabeças pensantes de Brasília.   

segunda-feira, 8 de junho de 2009

SELMINHA SORRISO, A MUSA DO CINQUENTENÁRIO


A porta-bandeira Selminha Sorriso, lenda viva do carnaval carioca

Brasilienses ligados no cinqüentenário da nossa capital devem, daqui por diante, prestar muita atenção neste nome e conseqüentemente no seu farto, gostoso e largo sorriso. Refiro-me a Selminha Sorriso, a histórica porta-bandeira da escola de samba campeoníssima do carnaval carioca Beija-Flor de Nilópolis. Selminha é uma lenda viva deste que é considerado o maior espetáculo da terra. Esta foto com ela (quanta honra para o blogueiro) foi tirada por Maxtunay na Cidade do Samba.

Mas Selminha existe mesmo na sua carioquíssima mestiça. Em carne, osso e sorriso. E sorri muito, o tempo todo: para a vida, para o samba, para seus entes queridos, para as forças divinas e da natureza. Agora, para a alegria de todos nós, ela vai sorrir também para Brasília.

Selminha tem agora uma missão especial na grande jornada de acontecimentos que será a celebração dos 50 anos de Brasília. É ela que, graciosamente, é a responsável por levar e elevar, nos desfiles da Marques de Sapucaí (Sambódromo), o estandarte azul e branco da campeoníssima Beija-Flor de Nilópolis, que em 2010 desfilará com o enredo “Brilhante ao sol do no mundo. Brasília, do sonho à realidade, a capital da esperança”, contando com magia, empolgação e muito samba no pé a epopéia histórica e espiritual da construção de Brasília e do seu primeiro cinqüentenário.

Selminha e o mestre-sala Claudinho bailam como quem flutua e costumam assim, garantir a nota 10 para a escola. No final do mês passado, quando o vice-governador Paulo Octávio e o secretário Silvestre Gorgulho foram ao Rio de Janeiro fechar o patrocínio para o desfile, Selminha demonstrou uma confiança muito grande no desfile de Brasília na Sapucaí.

“Brasília é a capital de todos os brasileiros. Embora ela seja mais conhecida por causa da política, nós vamos mostrar que Brasília é a melhor síntese do povo brasileiro, uma cidade construída por trabalhadores e pessoas comuns que até hoje moram lá, trabalham, dão duro, se esforçam para sobreviver e honram o povo brasileiro.”

Selminha, que é formada em Direito e exerce a profissão de bombeira, fez questão de destacar a ligação que Brasília tem hoje com sua escola do coração:

"Brasília abriga hoje o nosso querido Joãosinho Trinta, uma das pessoas mais importantes da grande ópera de rua que é o carnaval brasileiro." Pois então, Selminha, Brasília está de asas abertas para receber teu sorriso.

OLHA A BEIJA-FLOR AÍ, GENTE!

 

Luis Turiba

 

O café Bom Demais, no CCBB, ficou entupido de gente na última terça-feira por ocasião do lançamento do livro "Renato Russo, o filho da revolução", biografia do nosso poeta-roqueiro escrita por Carlos Marcelo. Foi o encontro de três gerações: a "Coca-Cola", a "Abertura Democrática" e a "Lula lá."

 

A certa altura, depois de algumas taças de vinho, um certo ti-ti-ti tomou conta dos presentes diante da pergunta que não se calou: "você já escolheu a sua ala para o desfile da Beija-Flor".

 

Percebi, então, que os 50 anos de Brasília já está no inconsciente coletivo dos que pensam, agem e fazem a capital pulsar. Brinca daqui, brinca dali, o certo é que ninguém quer ficar de fora do grande desfile da Beija-Flor de Nilópolis no carnaval de 2010, no sambódromo da Sapucaí, no Rio. Tem gente que já quer até pagar o carnê da fantasia.

 

O enredo bolado pelo carnavalesco Alexandre Louzada e sua equipe será "Brilhante ao Sol do Novo Mundo, Brasília, do sonho à realidade, a capital da Esperança".  

 

Louzada é ousado. Estudou Brasília desde os primórdios e vem aí com uma proposta fantástica. Vai falar do "leite e mel" jorrando na lenda de Dom Bosco, os índios Paranoás, da Missão Cruls, da Constituição de 1880, da visão futurista de JK, dos Candangos, da conquista do Centro-Oeste, de quem são os corruptos, quem são os trabalhadores. O desfile pode até ter um carro desenhado por Oscar Niemeyer, 101 anos.

 

Louzada e seus parceiros passam esta semana em Brasília. Chegam segunda, almoçam com o governador, fazem visitadas a prédios arquitetônicos históricos, inclusive a igrejinha Nossa Senhora de Fátima, e à noite estarão no grande encontro cultural na casa de Cristina Roberto, no Lago Norte, onde haverá inclusive homenagem ao maestro Silvio Barbato.

 

Vistam também o místico e o arquitetônico, as cidades periféricas, a classe artística, a UnB, os bares. Ou seja: a Brasília não oficial, tipo a pulsação do Conic, da rodoviária, de Ceilândia. Silvestre Gorgulho, secretário de Cultura; e João Oliveira, da Brasiliatur irão acompanhá-lo. Certamente ele e sua comitiva almoçarão com o governador Arruda e com o vice Paulo Octávio, que foi quem fechou toda a negociação com a grande escola do Rio. A Beija-Flor queria seis, mas o enredo foi fechado por 3 milhões.

 

Na realidade, a parceria com a Beija-Flor foi o primeiro ato concreto para o cinqüentenário da capital. O enredo foi saudado com grande alegria por figuras lendárias da escola, como a porta-estandarte Selminha Sorriso e o cantor Neguinho da Beija-Flor. Também os sambistas de Brasília acompanharam tudo e os compositores daqui terão direito a participar do concurso de samba-de-enredo.

 

Mas voltando a pergunta da noite de terça-feira: qual será mesmo a sua Ala na Beija-Flor? O blogdoturiba fez uma enquête. Vamos conhecer algumas opções gaiatas: Ala da Catedral – destaque para o chapéu em forma de catedral; Ala da Terceira Ponte – já pensou em carregar os três arcos da Ponte JK na cabeça; Ala da Torre de TV – cuidado com o bico da torre; Ala dos Azulejados – uma homenagem a Athos Bulcão; Ala dos Corruptos – terno, gravata e dólares transbordando pelas cuecas; Ala das Invasões – homenagem aos brasileiros que vieram para cá com uma mão na frente outra atrás e ganharam lote do governo; Ala do Gayrute   - onde você pode soltar a franga, o frango e não pagar o pato; Ala das Secretárias Poderosas da República e do Senado. xiiii!; Ala dos Candangos - sabe aquela ala dos Ratos, Mendigos e Urubus do Joãosinho Trinta na Beija-Flor. Pois pode ter algo parecido. Uma homenagem aos trabalhadores que construíram Brasília. Essa, certamente, será uma das preferidas.

 

Bem, mas se você quer inventar uma Ala, não vacile. Ainda há tempo. Afinal, quando Neguinho da Beija-Flor fizer aquela chamada: "Olha a Beija-Flor aí, gente!", você poderá responder a plenos pulmões: "sou de Brasília e me orgulho da cidade!"

 

Poeta e escritor, editor do blog