segunda-feira, 17 de outubro de 2011

PRÊMIO JABUTI DE LITERATURA VAI PARA JOSÉ CASTELLO

17/10/2011 15h56 - Atualizado em 17/10/2011 16h22

'Ribamar' vence o prêmio Jabuti
na categoria romance

Livro mais pessoal de José Castello é uma homenagem ao pai.
'1822', de Laurentino Gomes, venceu na categoria reportagem.

Do G1, em São Paulo

Ribamar (Foto: Divulgação)Capa de "Ribamar", o romance vencedor do prêmio
Jabuti de 2011 (Foto: Divulgação)

"Ribamar", livro mais pessoal do escritor e crítico literário José Castello, foi o vencedor deste ano da categoria romance do prêmio Jabuti. A obra usa referências musicais para marcar a jornada de um filho, em uma homenagem ao pai do escritor.

Laurentino Gomes, que também escreveu "1808", levou o prêmio este ano com "1822", na categoria reportagem. Dalton Trevisan venceu a categoria contos e crônicas com "Desgracida", e Ferreira Gullar foi o vencedor da categoria poesia com "Em alguma parte alguma".

Vencedor na categoria biografia, "De menino a homem", de Gilberto Freyre, receberá homenagem póstuma, segundo regulamento. O prêmio irá para "Alceu Penna e as garotas do Brasil", de Gonçalo Junior, 2º colocado na categoria.

O caso da categoria biografia é exceção. Segundo as novas regras que entraram em vigor este ano, apenas os primeiros colocados de cada categoria são premiados e podem concorrer ao título de Livro do Ano. As mudanças aconteceram após uma polêmica no ano passado - "Leite Derramado", de Chico Buarque, ficou em segundo lugar na categoria romance, mas venceu como Livro do Ano. O resultado fez com que Editora Record ameaçasse abandonar o prêmio.

Veja a lista dos premiados até agora:
Artes: "Os Satyros", de Germano Pereira
Arquitetura e Urbanismo: "Dois séculos de projetos no Estado de SP", Nestor G. Reis e Monica S. Brito
Biografia: "De menino a homem", de Gilberto Freyre
Capa: "Invisível", de João Baptista da Costa Aguiar
Ciências da Saúde: "Atlas de endoscopia digestiva da SOBED", de Marcelo Averbach
Ciências Exatas: "Teoria Quântica - estudos históricos e implicações culturais", de Olival Freire, Osvaldo Pessoa, Joan L. Bromberg (org)
Ciências Humanas: "Manejo do mundo: conhecimentos e práticas dos povos indígenas do Rio Negro", de Aloisio Cabalzar
Ciências Naturais: "Bioetanol de cana-de-açucar – P&D para produtividade e sustentabilidade", de Luís Augusto B. Cortez (coord.)
Contos e Crônicas: "Desgracida", de Dalton Trevisan
Didático e Paradidático: Coleção "Pessoinhas", de Ruth Rocha e Anna Flora
Direito: "Fundamentos constitucionais do direito ambiental brasileiro", de Norma Sueli Padilha
Economia, Administração e Negócios: "Multinacionais brasileiras: internacionalização, inovação e estratégia global", de Moacir M. Oliveira Jr.
Educação: "Impactos da violência na escola: um diálogo com professores.", de Simone G. de Assis, Patrícia Constantino e Joviana Q. Avanci
Fotografia: "Fotografia de Natureza", Luiz Claudio Marigo
Gastronomia: "Machado de Assis: Relíquias Culinárias", de Rosa Belluzzo
Ilustração: "O Corvo", de Manu Maltez
Ilustração de Livro Infantil ou Juvenil: "Gildo", de Sivana Rando
Infantil: "Obax", de André Neves
Juvenil: "Antes de virar gigante e outras histórias", de Marina Colasanti
Poesia : "Em alguma parte alguma", de Ferreira Gullar
Psicologia e Psicanálise: "Coração... É emoção: a influência das emoções sobre o coração", de Elias Knobel, Ana L. M. da Silva, Paola Andreoli
Reportagem: "1822", de Laurentino Gomes
Romance: "Ribamar", de José Castello
Tecnologia e Informática: "Aprendizagem a distância", de Fredric M. Litto
 

VIVA, VIVA, VIVA! PROFESSOR EM BRASÍLIA DÁ BOM EXEMPLO.

Professor revitaliza escola e faz violência de bairro do interior diminuir

A escola fica em Arapoanga, um dos bairros mais violentos de Planaltina, a 40 quilômetros de Brasília. Quando assumiu a direção, o professor Jordenes encontrou o caos.

O Fantástico foi até a escola pública com as melhores notas do Distrito Federal. "A nossa escola alcançou já em 2010 o que o MEC estipulou para que alcançássemos em 2014", revela o professor Jordenes da Silva.

Quem vê o povo reunido na maior tranquilidade não imagina o terror de dez anos atrás. "As pessoas tinham medo de botar os filhos na escola. Ela vivia, essencialmente, a condição de insegurança do bairro", lembra o professor.

A escola fica em Arapoanga, um dos bairros mais violentos de Planaltina, a 40 quilômetros de Brasília. Quando assumiu a direção, o professor Jordenes encontrou o caos.

"Era desrespeito com os professores e servidores, e destruição do patrimônio da escola", conta.

A primeira providência do novo diretor foi chamar a polícia. Em um só dia, 75 prisões; 25 camburões da PM saíram lotados da escola.

"Foragidos da Justiça, pessoas com mandado de prisão e que usavam a escola para ter acesso aos adolescentes e alunos", diz.

É claro que depois vieram as ameaças de morte, mas o professor Jordenes estava determinado a fazer a escola funcionar. Uma ideia fixa que talvez tenha começado muitos anos antes de tanto ouvir o pai repetir o velho ditado: "Feliz do homem que é escravo de uma grande ideia".

"Eu resolvi me tornar escravo de uma grande ideia: formar meus filhos", diz Juverci da Silva, pai de Jordenes.

Quando juntou a tralha da família e deixou o interior de Minas em direção a Planaltina, Juverci já sabia o que fazer. "Procurei uma escola, matriculei os filhos, comprei uma carroça, um cavalo e fui para a rua".

Um carroceiro e uma empregada doméstica semianalfabetos tomavam as lições dos filhos com obstinação.

"Vocês aprendem a tabuada, porque, se souberem de cor, vocês vão conseguir a matemática de vocês", ensina a mãe Jurandy da Silva.

O filho mais velho virou doutor com três diplomas: biologia, administração e direito. Por isso, ele acredita na força da educação. E mesmo no bairro cinzento e pobre, quer seus alunos estudando na sombra de um jardim florido.

"Esse impacto traz ao aluno a certeza de que chegou a um lugar especial", acredita Jordenes.

Tão especial que tem musica clássica em vez de sirene. "O ambiente é calmo e tranquilo, mas é vivo, porque a música também traz essa vivacidade. A sirene, não", acrescenta.

Há espelhos por todos os lados. "A imagem te dá o referencial de como você se contextualiza, o que você faz aqui na escola. Quando colocamos as barras de espelho, os alunos começaram a olhar primeiro para si. Isso deu um choque de autoestima", explica o professor.

Ele não tem vergonha de pedir. Com a embaixada do Japão, conseguiu uma tela interativa. Foi a primeira escola do Brasil a ter essa ferramenta.

"Só o Fantástico, da Rede Globo, e nós tínhamos esse quadro quando ele chegou nessa escola. Só que de lá para cá a nossa evasão escolar caiu 35%."

É fácil entende o porquê. "É muito melhor, porque a gente tira parte do conteúdo maçante que a gente só aprende no quadro branco", opina Gualter Sobrinho, de 13 anos.

O fascínio dos alunos com a tecnologia é canalizado para as microaulas no blog da escola, que já tem 60 mil acessos.

"Tendo uma dúvida, ele passa um e-mail, que é entregue para o professor da matéria, que sana a dúvida", aponta Jordenes.

Em uma comunidade tão pobre, por que não empregar gente da região? "Começamos a trazer para trabalhar na limpeza da escola moradores do bairro. Nesse momento em que estamos conversando, o responsável pela segurança da escola é pai de uma aluna da oitava série".

Em dez anos, muita gente já mudou de vida. O professor Uarlen Dias foi aluno de Jordenes. Está de volta como professor para ensinar em outro contexto.

"Do lado de cá era a quarta série e do outro lado a quinta. O que dividia era uma madeira no meio. Eu vi isso mudando", diz Uarlen.

Ex-alunos dificilmente perdem o vínculo com a escola. "Esse telhado é um presente de Sandro, da seleção brasileira. Nosso ex-aluno", mostra Jordenes.

Da Inglaterra, onde mora, o volante Sandro, do Tottenham e da seleção brasileira, diz que o bairro de Arapoanga mudou por causa da escola.

"É um bairro hoje está muito melhor, conseguindo tirar mais a criminalidade e drogas das ruas. Hoje em dia está uma maravilha", elogia Sandro.

Receitar educação contra a violência é um remédio de eficiência comprovada até pelo juiz de Planaltina, Ademar Vasconcelos.

"Tínhamos, no final dos anos 1990, uma média de quase um homicídio por dia. Isso diminuiu, assim como o tráfico de drogas", garante o juiz.

Para Jordenes, o que existe no local é uma competição que ele está determinado a vencer.
"O traficante oferece a moto, o dinheiro, o tênis, o celular. Eu não posso oferecer isso. O que eu ofereço é uma possibilidade. Só que eu ganho essa luta. Eu ofereço ao aluno a possibilidade de sonhar. Eu tenho 1.243 alunos. A minha história prova para cada um deles que a educação dá certo, porque ela transformou a minha vida, e pode transformar a deles também", conclui.

sábado, 15 de outubro de 2011

BAILARINOS DESAFIAM CHUVA E DANÇAM NO CÉU DA CINELÂNDIA

 

Cinelândia é palco do espetáculo ao ar livre 'Ensaio sobre a beleza'

Atrações incluem performances ao vivo, projeções e efeitos especiais.
Promovido pela Globo Rio, evento abre o Momento Itália Brasil.

Do G1, com informações do Jornal Nacional

 
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Bailarinas são observadas pelo público, que enfrentou chuva para conferir o espetáculo (Foto: Reprodução/TV Globo)Bailarinas são observadas pelo público, que
enfrentou chuva para conferir o espetáculo (Foto:
Reprodução/TV Globo)

Nem mesmo a chuva impediu que os cariocas prestigiassem o espetáculo "Ensaio sobre a beleza", realizado na noite deste sábado (15), na Cinelândia, no Centro do Rio.

Com entrada franca, a superprodução do artista italiano Valerio Festi é composta por 100 artistas brasileiros e italianos, entre acrobatas, dançarinos e atores.

"Ensaio sobre a beleza" apresenta performances ao vivo (coreografias aéreas e de solo), projeções e efeitos especiais, ocupando toda a Praça Floriano, assim como as fachadas do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e da Câmara dos Vereadores.

O evento, promovido pela Globo Rio, abre o Momento Itália Brasil, firmado entre os governos dos dois países para celebrar e fortalecer seus laços.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

CINEMA BRASILEIRO PERDE UM GRANDE CRIADOR

14/10/2011 13h59 - Atualizado em 14/10/2011 15h22

Morre Leon Cakoff, crítico de cinema e idealizador da Mostra de SP

Cakoff tinha 63 anos e estava internado no hospital São José.
Crítico criou a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 1977.

Do G1, em São Paulo

 
 
Leon Cakoff (Foto: Janete Longo/AE)Corpo do crítico de cinema Leon Cakoff será velado
no MIS, em São Paulo (Foto: Janete Longo/AE)

Morreu na tarde desta sexta-feira (14), aos 63 anos, o crítico de cinema Leon Cakoff. O idealizador da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo tinha câncer e estava internado havia duas semanas no Hospital São José, em São Paulo. O corpo será velado no MIS (Museu da Imagem e do Som) nesta tarde e cremado no sábado no Memorial Parque Paulista.

Leon Chadarevian (seu nome verdadeiro), nasceu na Síria, em 12 de junho de 1948. Ele veio para o Brasil com a família aos oito anos e formou-se pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Por problemas com o regime militar, adotou o pseudônimo Cakoff.

Leon foi casado durante 22 anos com Renata de Almeida, atual diretora da Mostra, e deixa dois filhos com ela, Jonas e Thiago, além de dois filhos anteriores do primeiro casamento, Pedro e Laura. A carreira como jornalista teve início em 1969. A partir de 1974, dirigiu o Departamento de Cinema do Museu de Arte de São Paulo (Masp).

Cakoff dirigiu o curta-metragem "Volte sempre, Abbas", de 1999, em parceria com a esposa Renata de Almeida. O filme acompanha a visita do cineasta iraniano Abbas Kiarostami à Mostra e foi exibido na mostra Novos Territórios, do Festival de Veneza.

O crítico também foi responsável pela distribuidora Mais Filmes, criada em 2000, e estava entre os sócios do Arteplex, que reúne nove salas de cinema em um shopping paulistano e depois ganhou unidades também em Porto Alegre, Curitiba e Rio de Janeiro.

Cakoff esteve ainda entre os organizadores do longa-metragem "Bem-vindo a São Paulo" (2004). No filme, diretores mostram uma visão da capital paulista. Quatro anos depois, produziu e protagonizou o curta "Do visível ao invisível", do português Manoel de Oliveira, também selecionado para o Festival de Veneza. Cakoff voltou a trabalhar com Oliveira, ao produzir o filme "O estranho caso de Angélica" (2010).

Ema 35 anos, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo trouxe ao Brasil diretores como Manoel de Oliveira, hoje com 102 anos. O cineasta se tornou amigo de Cakoff. O evento também já convidou o iraniano Abbas Kiarostami, o israelense Amos Gitai, o americano Quentin Tarantino e o espanhol Pedro Almodóvar. O americano Dennis Hopper, o alemão Wim Wenders,  o iraniano JafarPanahi, o sérvio Emir Kusturica e o finlandês Aki Kaurismaki, entre tantos outros, também participaram da mostra.

A 35ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo começa oficialmente na próxima sexta-feira (21).

EU VI UM PAVÃO, poema clássico

 
 
Eu vi um cometa derramar granizo
eu vi uma nuvem enrolada em hera
eu vi uma árvore andar pela terra
eu vi uma formiga engolir uma baleia
eu vi um mar bravo cheio de cerveja
eu vi um copo de três metros de fundura
eu vi um poço com lágrimas de lamúria
eu vi olhos numa chama flamejante
eu vi uma casa maior que a lua e mais distante
eu vi o sol até no meio da escuridão
eu vi quem teve essa incrível visão
 
 
* poema clássico publicado pela primeira vez em inglês no século XVII por autor anônimo.
Foi publicado no Segundo Caderno de O Globo de hoje, porque será lançado em livro pela editora Scipione.

TEM CUL PA EU ?????

 
Chega de basta!
 
O carioca precisa indignar-se com a frouxidão das autoridades que, com a maior cara de pau, olham-se umas as outras, a se perguntar:
 
- Tem culpa eu?

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

UM RIO DE SUSTOS, CHOQUE DE REALIDADE

 
Luis Turiba

E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, a rua alagou, o bonde virou, a juíza morreu, o restaurante explodiu.

E agora, José, você que sofreu, você que pagou, você que explodiu, o que será do Rio?

Quando pensamos que chegamos ao fim do bueiro, ou melhor, do poço, vem algo pior e quase inacreditável. Depois que um comandante da PM urde, trama e arma sua horda o silêncio da justiça, assinando uma juíza do bem em plena luz do dia, o que mais podemos esperar de uma cidade que não consegue mais disfarçar sua crueldade-jardim?

 Sim, José! O Rio de Janeiro está gravemente enfermo. Está na UTI da civilidade e da razão. Precisa mesmo tomar um choque de realidade e verdade. De vergonha e de dignidade.  Abre o olho prefeito. Olha a nau, Cabral. Na subida do morro me contaram: há algo de fedido e muito pobre no reino da poluída Guanabara.
Como fazer uma Copa do Mundo sem abolir a Lei de Gérson? Quem paga o pato? Quem solta o bicho? Quem ganha no grito? Quem é mais esperto? O secretário que culpa o motorneiro do bonde ou o dono do gás explosivo que se hospitaliza para fugir do flagrante. Também quero o meu Nike. UPPs de TPM. Que recorde vamos bater nas Olimpíadas de 2016? O de desmandos, de corrupções, de desmantelos?
Chega de basta, José?
Ou restaura-se o mínimo de lógica, ou explodiremos todos no sol dos sem sentidos na Praça Tiradentes, no Corcovado, no Pão de Açúcar, no Maracanã, no Sambódromo, no Theatro Municipal.