quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

ECOTURISMO NA AMAZÔNIA: VENHA CURTIR O VERDE

Trilha etnoambiental é nova opção de turismo ecológico perto de Manaus

Turista tem a oportunidade de conhecer mais sobre indígenas e a floresta.
Passeio tem apoio de órgão governamental.

Carlos Eduardo Matos Do G1 AM

 
Trilha etnoambiental (Foto: Carlos Eduardo Matos/G1 AM)Os próprios indígenas realizam o passeio pela trilha (Foto: Carlos Eduardo Matos/G1 AM)
Turismo AM (Foto: Editoria de Arte/G1)

Em meio à agitação do centro urbano de Rio Preto da Eva (a 80 km de Manaus), município conhecido no Amazonas como a 'terra da laranja', uma área verde de 42 hectares protegida por 17 famílias indígenas de nove etnias se destaca pelo silêncio - que serve de refúgio para animais silvestres - e pela exuberância da flora medicinal.

A beleza desta selva intacta tornou-se fonte de renda para 99 índios, que formam a Comunidade Indígena Beija-Flor. Há dois meses, foi criada a 'Etnotrilha do Selvagem', a primeira trilha etnoambiental do Amazonas, roteiro obrigatório para quem curte turismo ecológico. A iniciativa ganhou apoio da Amazonastur (Empresa Estadual de Turismo do Amazonas), que está ajudando a comunidade a construir malocas e outros espaços culturais para apresentação de danças, rituais e artesanatos.

Cerca de 800 turistas já percorreram a trilha, afirmou o presidente da Comunidade Beija-Flor, Sérgio Sampaio, de 30 anos, da etnia Tukano. Segundo ele, pessoas de vários estados do Brasil e de países como a Argentina já visitaram o local.

Trilha etnoambiental (Foto: Carlos Eduardo Matos/G1 AM)Durante o passeio, placas situam os visitantes e informam sobre as características do lugar (Foto: Carlos Eduardo Matos/G1 AM)
saiba mais

"A comunidade precisava manter o sustento, sem denegrir a mata e esquecer seus valores culturais. Tivemos a ideia de abrir as portas da comunidade para que as pessoas compartilhem as belezas desta floresta nativa e conheçam um pouco dos nossos costumes", explicou.

História
A Comunidade Beija-Flor nasceu da ideia do falecido empresário Richard Melnik, que reuniu membros de várias etnias indígenas para produzir artesanatos para que fossem vendidos no exterior. Com a morte do fundador, a comunidade conseguiu o apoio da prefeitura de Rio Preto da Eva e da Funai (Fundação Nacional do Índio) para se manter no local, mas com o compromisso de preservar a área, impedindo invasões.

Atualmente, índios das etnias tukano, saterê-mawe, sessano, baré, cocama, tuiuca, cambeba, arara e apurinã dividem o mesmo espaço de forma pacífica. O chefe da comunidade é o pai de Sérgio, o aposentado Sérgio Sampaio, de 62 anos, que é o benzedor da tribo. A comunidade se desenvolveu e já possui escola, posto de saúde, casa de informtica e casa de farinha.

No local, o turista pode conhecer e comprar artesanato indígena (Foto: Carlos Eduardo Matos/G1 AM)No local, o turista pode conhecer e comprar artesanato indígena (Foto: Carlos Eduardo Matos/G1 AM)

Passeio
Passear pela Etnotrilha do Selvagem pode durar uma manhã. Antes de entrar na mata, o turista é recebido com café da manhã regional e apresentação de danças típicas das etnias que vivem no local. A trilha possui um quilômetro e meio de extensão.

De acordo com Sérgio, o nome 'Selvagem' é em referência ao igarapé, com água cristalina, que corta a área preservada.

Em todo o trajeto, placas informam sobre as espécies de animais silvestres encontradas no local, e sobre plantas medicinais ao longo da trilha. No caminho, os índios, que atuam como monitores, explicam aos turistas os inventos usados para caçar e as plantas que ajudam na sobrevivência na selva.

Depois do passeio, o turista é convidado para um almoço. "Nós oferecemos um peixe assado na folha de bananeira", acrescentou. Sérgio explicou que a comunidade recebe famílias e excursões com grande quantidade de turistas, mas é importante fazer o agendamento para que os índios preparem a estrutura de recepção e atendimento.

Trilha também possibilita o conhecimento de diferentes plantas medicinais (Foto: Carlos Eduardo Matos/G1 AM)Trilha também possibilita o conhecimento de diferentes plantas medicinais (Foto: Carlos Eduardo Matos/G1 AM)

NOME: Comunidade Indígena Beija-Flor
ONDE FICA: Município de Rio Preto da Eva, bairro Monte Castelo
QUANDO FUNCIONA: De segunda a domingo, mediante agendamento prévio
QUANTO: R$ 25 turistas nacionais; R$ 15 turistas amazonenses e universitários
CONTATO: www.beijaflorrpe.blogspot.com; (92) 9382-8759 e (92) 9297-2982
 

SAMBA DE BRASÍLIA VAI CONTINUAR NA TERRA DO FORRÓ

Ou a gente se Raoni
Ou a gente se Sting

Luis Turiba

MAIS UM GOLPE NO CARNAVAL DE BRASÍLIA: GOVERNADOR AGNELO DESCUMPRE
COMPROMISSO ASSUMIDO E MANTÉM DESFILES DAS ESCOLAS DE SAMBA NA
CEILÂNDIA

NOTA OFICIAL

A diretoria da ARUC recebeu com surpresa, revolta e indignação a
decisão do GDF, anunciada nesta quarta-feira (18/01) pelo Secretário
de Cultura, Hamilton Pereira, de manter os desfiles das escolas de
samba na Ceilândia, contrariando a vontade da maioria esmagadora das
entidades carnavalescas que, em agosto passado, por 14 votos a 4,
manifestaram o desejo do retorno dos desfiles para o Plano Piloto. A
decisão é mais surpreendente, ainda, se considerarmos que no dia 28 de
dezembro do ano passado, pelo Ofício nº 437, assinado pelo Secretário
de Cultura e encaminhado ao presidente da Uniesbe, Geomá Leite, o
Secretário de Cultura afirmava oficialmente que "os desfiles serão
realizados no centro da cidade, facilitando o acesso das escolas e
proporcionando a cada comunidade o acompanhamento do desfile da
agremiação de sua cidade". (fax simile em anexo)
Mas a decisão contraria, também, compromisso assumido no ano passado,
no Carnaval, pelo próprio Governador do Distrito Federal, Agnelo
Queiroz, que anunciou, em entrevista à imprensa, no Celambódromo, que
os desfiles voltariam para o Plano Piloto porque não se justificava um
investimento tão alto, como o realizado no Carnaval, beneficiar apenas
os moradores de uma região administrativa.
O Secretário de Cultura e o Governador estavam com a razão. O Carnaval
é uma festa de todo o Distrito Federal e, assim como o 21 de Abril, o
7 de Setembro e o Reveillon, deve ser realizado no centro da cidade,
facilitando o acesso igualitário dos habitantes de todo o Distrito
Federal, com transporte, estacionamento e segurança, e dando a
visibilidade que a maior festa popular do Brasil merece.
É assim que acontece em todos os estados do Brasil. O Carnaval do Rio
de Janeiro não é em Nilópolis ou em Madureira, mas na Sapucaí, no
centro da cidade. O de São Paulo não é Santo Amaro ou na Vila
Brasilândia, mas no Anhembi, na área central. O de Salvador não é em
Itapoã ou no Nordeste de Amaralina, mas na Praça Castro Alves.
Levar o Carnaval do DF para a Ceilândia é transformar o Carnaval do DF
no Carnaval da Ceilândia, uma vez que apenas os moradores daquela
cidade assistem aos desfiles. E, como disse o próprio governador, não
se justifica investimento tão elevado beneficiar apenas uma região
administrativa.
Mas o que justifica, então, o governador Agnelo Queiroz renegar o
compromisso assumido publicamente e o Secretário de Cultura, Hamilton
Pereira, mudar de opinião em menos de um mês?
Na nossa opinião, só mesmo pressões políticas e interesses mesquinhos
e eleitoreiros, iguais aos que levaram os desfiles para a Ceilândia,
há 7 anos, no governo Roriz, podem explicar tais atitudes que
desrespeitam a vontade da ampla maioria das entidades carnavalescas, a
opinião da ampla maioria da população, que segundo pesquisas
realizadas no ano passado pela própria Secretária de Cultura, pela TV
Globo e pelo Blog da Paola mostraram que a esmagadora maioria dos
entrevistados querem a volta dos desfiles para o Plano Piloto, o
compromisso assumido pelo próprio Governador e a decisão anunciada
pelo próprio Secretário de Cultura.
Mais uma vez, a exemplo do que ocorreu nos governos Roriz e Arruda, o
Carnaval está sendo usado como instrumento político e manipulado por
mesquinhos interesses eleitoreiros. Não se pensou no que é melhor para
o Carnaval e para a população do DF. Mas sim no que rende mais
dividendos eleitorais.
Realmente, esse não é um Novo Caminho, como esperávamos e
acreditávamos. Mas sim um velho e surrado caminho.
A decisão causou profunda revolta e indignação entre os componentes da
ARUC e, diante dessa repercussão negativa, a diretoria da ARUC convoca
uma reunião geral de todos os seus diretores e componentes para a
próxima segunda-feira, às 19 horas, em nossa quadra, quando
decidiremos se a ARUC vai ou não participar do desfile na Ceilândia.
Independente dessa posição, a diretoria da ARUC repudia a manutenção
dos desfiles na Ceilândia, considera essa decisão uma traição do GDF
aos compromissos firmados com as entidades carnavalescas e um
desrespeito às entidades carnavalescas e ao povo do Distrito Federal.

Brasília, 18 de janeiro de 2012

Moacyr de Oliveira Filho - Moa
Presid

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Seu Teodoro morre de parada cardíaca nesta madrugada (15-01)t

 
Uma perda muito grande. Mas o Bumba-meu-boi do DF vai continuar o trabalho o Mestre.

  O mestre da cultura popular, do Bumba-meu-boi no DF e comendador da Cultura, Seu Teodoro Freire, faleceu às 3h20 desta madrugada (15-01-2011) no Hospital Santa Helena, em Brasília. Ele estava com 91 anos e sofria de enfisema pulmonar, e já há alguns dias vinha resistindo bravamente aos revezes das saúde debilitada. Ele conseguiu, ainda em vida, a honra e o merecido reconhecimento de receber das mãos do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do também então Ministro da Cultura Gilberto Gil, a Ordem do Mérito Cultural tornando-se uma grande referência de cultura popular na cidade e sendo reconhecido o trabalho dele como patrimônio imaterial do Distrito Federal.

"Ele será cremado ainda hoje e já estamos providenciando os detalhes de seu velório", informou consternado um dos filhos dele, Guarapiranga Freire, que nos últimos anos tem assumido a responsabilidade em continuar com o trabalho cultural do Bumba-meu-boi e do Tambor-de-Crioula de Seu Teodoro.

No último dia 10 foi aberto o período de festejos de São Sebastião, que iria até o próximo dia 20. "Com o falecimento de meu pai, teremos que cancelar toda nossa programação deste mês. Não há o menor clima de continuarmos com as festividades agora. Ficou um vazio muito grande", explicou Guarapiranga Freire.

Sonhos não realizados

Seu Teodoro Freire, como idealista e grande sonhador, partiu sem conseguir realizar alguns de seu maiores sonhos: o primeiro e maior, era a construção da nova sede do Centro de Tradições Populares. "Esse sonho, lutaremos para tentar realizar e dependemos da garantia de recursos junto ao Governo do Distrito Federal e da iniciativa privada. Pena que não conseguimos realizá-lo dentro das comemorações do cinquentenário do Bumba-meu-boi e Tambor-de-crioula de Seu Teodoro. Chegamos até a lançar o projeto arquitetônico das novas instalações do Centro de Tradições Populares", relembrou Guarapiranga Freire. Segundo ele, os objetivos da nova sede são: a manutenção deste Patrimônio Cultural Imaterial do Governo do Distrito Federal, promoções de intercâmbio cultural entre Brasília -DF / Maranhão, entre outras unidades da federação, e ainda uma parceria planejada para atender os anseios da comunidade do Distrito Federal, com atenção especialmente voltada para as Escolas Públicas e Zonas rurais. " Esse espaço em Sobradinho, que abriga todas as festas maranhenses, será transformado em museu quando o novo edifício for construído", promete Guarapiranga Freire.

Outras paixões não realizadas de Seu Teodoro eram aparentemente ainda mais difíceis: a construção, em pleno Planalto Central, de um clube de regatas do Flamengo e uma versão local da Estação Primeira de Mangueira, a escola de samba do coração dele.

Seu Teodoro Freire

Seu Teodoro chegou à cidade em 1962, trabalhou na Unb, criou o Centro de Tradições Populares e seguiu mantendo viva a cultura do Bumba meu boi na cidade

O maranhense Teodoro Feire, conhecido como Seu Teodoro, nasceu na pequena cidade de São Vicente Ferrer, localizada a 280 km de São Luís (MS), em 1920. Desde os oito anos era apaixonado pelo cultura popular e dedica-se à tradição de sua região: o Bumba meu boi e outras paixões como o time de futebol Flamengo e sua escola de Samba, a Mangueira. Ele sempre usava um chapéu de palha com tira vermelha e preta, referência à paixão pelo time rubro-negro carioca. "Sempre recordo do dia que ganhei meu chapéu de palha, com uma tira preta, de um estudante da Universidade de Brasília. Depois, tive que colocar a fita vermelha já que não uso o preto sem o vermelho junto", gostava de falar.

Quando menino, em épocas festivas, saía às escondidas para acompanhar os cantadores e as toadas de boi, escondido da sua mãe. Passou uma temporada no Rio de Janeiro até chegar em Brasília, em 1962.

Assim que chegou à capital do Brasil, foi trabalhar na Universidade de Brasília e após um ano criou o Centro de Tradições Populares, em Sobradinho, com o intuito de difundir e levar adiante as festas e danças dessa importante manifestação da cultura e folclore brasileiro. "É importante manter a dança do boi viva para as novas gerações", gostava de defender.

A primeira apresentação e visita à cidade aconteceu mesmo antes de morar em Brasília. Foi no primeiro aniversário da cidade, quando veio para fazer uma apresentação. Encantou-se com o Planalto Central e veio para ficar.

O Centro de Tradições Populares, no começo, era bem simples, feito de paredes de taipa, chão de terra batida e teto de palha. Hoje, tem uma boa estrutura e reúne cerca de 75 integrantes onde faz apresentações de bumba-meu-boi, de Tambor-de-Crioula e comemora as festas de São Sebastião, São Lázaro e da Matança do Boi (essa há 49 anos). Houve também o Encontro-de Bumba-meu-Boi realizado na Funarte, em homenagem ao sempre empolgado mestre.

Fonte: Marcos Linhares e Gabriel Alves (assessoria de imprensa do Centro de Tradições Populares) 





 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

JOÃOSINHO TRINTA, REI DO CARNAVAL, RECEBE HOMENAGEM DA BEIJA-FLOR

Beija-Flor homenageia Joãosinho Trinta em ensaio na Sapucaí

Primeiro ensaio técnico antes do carnaval aconteceu em meio a entulhos.
Chuva que caiu sobre a cidade não espantou o público da atual campeã.

Rodrigo Vianna Do G1 RJ

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Beija-Flor homenageia Joãosinho Trinta em seu primeiro ensaio técnico (Foto: Rodrigo Vianna/G1)Beija-Flor homenageia Joãosinho Trinta em seu primeiro ensaio técnico (Foto: Rodrigo Vianna/G1)

Com uma homenagem ao carnavalesco Joãosinho Trinta, que morreu em 17 de dezembro do ano passado, a escola de samba Beija-Flor abriu, na noite deste domingo (8), a temporada de ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí, no Centro do Rio. Nem mesmo a chuva que caiu sobre a cidade espantou o público que compareceu em peso para assistir à atual campeã do carnaval carioca.

À frente dos 15 componentes da comissão de frente, a escola exibiu uma faixa com a foto do carnavalesco e a frase "Joãosinho Trinta, a família Beija-Flor se orgulha de ter feito parte de sua história". Joãosinho ficou por 17 anos na Beija-Flor, sendo campeão cinco vezes, entre 1976 e 1983, com desfiles antológicos, como o "Ratos e urubus larguem a minha fantasia", de 1989, surpreendendo o público com uma réplica do Cristo Redentor como mendigo.

Antes do samba de esquenta, Laíla, diretor de harmonia, disse que Joãosinho também será lembrado no enredo deste ano, "São Luís - O poema encantado do Maranhão", desenvolvido por uma comissão de carnaval, que vai falar sobre a cidade natal do carnavalesco: "Hoje abrimos os ensaios com uma homenagem mais do que justa ao maior mestre do carnaval", disse ele.

A pouco menos de dois meses para o carnaval, as obras de ampliação do Sambódromo seguem em ritmo acelerado. A inauguração, que estava prevista também para este domingo, foi adiada para o dia 12 de fevereiro, com uma lavagem simbólica da nova Passarela do Samba. A manicure Luciene Santos, de 25 anos, gostou do que viu.

"Eu acho que está ficando chique. Vai ficar diferente e mais espaçoso. Quem gosta de samba vai ter a oportunidade de ver o maior espetáculo da Terra de um novo ângulo. A gente estranha um pouco ao ver ainda no esqueleto, mas quando estiver tudo pronto, acho que vai ficar realmente lindo", disse ela, que mora em Pilares, no subúrbio, que foi acompanhada da família.

Comissão com a cara da comunidade
Enquanto a escola se preparava para entrar na Avenida, o coreógrafo Fabio de Mello repassava as orientações com os componentes da comissão de frente, todos da comunidade. Estreante na azul e branca de Nilópolis, na Baixada Fluminense, Fabio contou que a coreografia que será usada no dia do desfile não será apresentada durante os ensaios técnicos.

Selmynha Sorriso e Claudinho apresentaram parte da coreografia oficial (Foto: Rodrigo Vianna / G1)Selmynha Sorriso e Claudinho apresentaram parte
da coreografia oficial (Foto: Rodrigo Vianna / G1)

"Por questões técnicas não poderemos mostrar a coreografia oficial. Os componentes virão como mestres de cerimônia, puxando o samba e animando o público. Mas o tempo todo também estaremos trabalhando, discutindo as mudanças com a reforma e a posição dos jurados. O que eu posso dizer é que faremos algo nunca visto na Sapucaí", explicou ele.

Apesar da pista molhada, o casal de mestre-sala e porta-bandeira Selmynha Sorriso e Claudinho não perderam o rebolado e apresentaram parte da coreografia oficial.

"É uma honra estar aqui presente, uma satisfação. A Beija-Flor vai abrir os ensaios com chave de ouro e com chuva também, e eu estou adorando. A coreografia está afiada, ensaiadinha. E esse ano, abrindo com chuva no novo sambódromo. Esse ensaio é muito importante para todas as escolas, para treinar a coreografia e no dia fazer tudo certinho e ganhar as notas 10", disse ela.

Raíssa Oliveira exibia boa forma e samba no pé (Foto: Rodrigo Vianna / G1)Raíssa Oliveira exibia boa forma e samba no pé
(Foto: Rodrigo Vianna / G1)

Canto da comunidade foi ponto alto
Para mostrar uma prévia do que está sendo preparado na quadra da comunidade, os integrantes capricharam no visual. Com direito a flor na cabeça, fantasia de índio e até cabelo azul, em menção à cor da escola, os cerca de 2 mil mostraram a força do canto, mesmo em meio a poças d'água e debaixo de chuva.

Sob o comando do intérprete oficial, Neguinho da Beija-Flor, os componentes pareceram ignorar a chuva e "brincaram" na Sapucaí em obras. A bateria, comandada pelo mestres Plínio e Rodney, deu um show à parte.  Há dez anos à frente dos ritmistas, a rainha Raíssa Oliveira exibiu boa forma e samba no pé. Difícil foi conter o assédio dos foliões que assistiam ao ensaio na pista.

Para o carnaval deste ano, a Beija-Flor pretende levar para a Avenida o bumba-meu-boi, as lendas, a música, os grandes escritores e poetas com o enredo sobre São Luís. Segundo o carnavalesco Fran Sérgio, a escola pretende contar os 400 anos da cidade, desde a sua colonização com a chegada dos franceses, holandeses e portugueses até a miscigenação.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

CHICO BUARQUE CANTA E ENCANTA OSCAR NIEMEYER

Chico Buarque dedica noite de estreia no Rio a Oscar Niemeyer

Cantor homenageou arquiteto de 104 anos, que estava na plateia.
Músico carioca não se apresentava na cidade desde 2007.

Henrique Porto Do G1 RJ

Uma homenagem surpresa marcou a volta de Chico Buarque aos palcos cariocas na noite desta quinta-feira (5), no Vivo Rio, casa de espetáculos da Zona Sul da cidade. Próximo ao fim do show, o primeiro no Rio de Janeiro desde 2007, o músico desviou a atenção do público (e consequentemente os holofotes) para uma presença especial na plateia.

"Gostaria de dedicar esta noite ao meu querido amigo Oscar Niemeyer", disse Chico, puxando palmas para o arquiteto de 104 anos, recém-completados em dezembro último. A carinhosa saudação do músico, ele mesmo um ex-estudante de arquitetura, tomou uma rápida proporção de delírio coletivo e fez com que Niemeyer, que assistiu ao show na primeira fila, acabasse sendo aplaudido de pé por pessoas acomodadas em todos os setores da casa.

O cantor e compositor Chico Buarque se apresenta no Vivo Rio, no Rio de Janeiro, na noite desta quinta (5): músico carioca misturou canções do novo álbum, 'Chico', com antigos sucessos, como 'Sob medida' e 'O meu amor' (Foto: Alexandre Durão/G1)O cantor e compositor Chico Buarque se apresenta no Vivo Rio, no Rio de Janeiro, na noite desta quinta (5): músico carioca misturou canções do novo álbum, 'Chico', com antigos sucessos, como 'Sob medida' e 'O meu amor' (Foto: Alexandre Durão/G1)

Mas Niemeyer não foi o único agraciado da noite. De maneira mais comedida, porém igualmente delicada, Chico dá um jeitinho de relembrar parceiros e pessoas queridas ao longo dos cerca de 90 minutos de apresentação. Como Tom Jobim, seu eterno "maestro soberano", com quem compôs "Anos dourados" e "A violeira"; Edu Lobo, colaborador em "Choro bandido", "Valsa brasileira" e "Carreira" (esta última encerra o show). Ou a namorada, a cantora Thais Gullin, também presente ao Vivo Rio, para quem canta "Essa pequena" ("Meu tempo é curto, o tempo dela sobra / Meu cabelo é cinza, o dela é cor de abóbora").

É o apito de um trem, parte da introdução da canção "O velho Francisco", que anuncia a volta do malandro à sua praça, o Rio de Janeiro, cerca de 25 minutos depois do horário previsto (o show estava marcado para 21h). Elegantemente vestido de preto pelas mãos do figurinista Cao Albuquerque, Chico Buarque demonstrou nervosismo no início do show. Parecia excessivamente concentrado nas letras e nos acordes das primeiras músicas do espetáculo, dentre elas "Desalento", gravada no clássico álbum "Construção", de 1971; e "Injuriado", esta mais recente, incluída no CD "As cidades", de 1998.

"Obrigado. Boa noite, Rio", cumprimentou o compositor, ainda se aclimatando à tietagem basicamente feminina e aos gritos de "Lindo!" e "Gostoso!" e "Maravilhoso!", que ecoaram entre os números iniciais.

Mas a fisionomia tensa ficou para trás durante "Rubato", faixa de seu trabalho mais recente, "Chico". Foi quando o compositor largou o instrumento, tirou o microfone do pedestal, passeou pelo palco e brincou com Jorge Helder, coautor da música. "Este é o baixinho baixista, meu parceiro comparsa nesta música", divertiu-se Chico brincando com as palavras, uma de suas especialidades.

O arquiteto Oscar Niemeyer foi aplaudido de pé pelo público que lotou o Vivo Rio, no Rio de Janeiro, na noite de estreia de Chico Buarque no Rio (Foto: Alexandre Durão/G1)O arquiteto Oscar Niemeyer foi aplaudido de pé pelo público que lotou o Vivo Rio, no Rio de Janeiro, na noite de estreia de Chico Buarque no Rio (Foto: Alexandre Durão/G1)

A banda, ao lado lado do repertório infalível acumulado ao logo de mais de 40 anos de carreira, é um dos pontos fortes do show. Além de Helder, Luiz Claudio Ramos (direção musical, arranjos, regência e violões), João Rebouças (piano), Bia Paes Leme (teclados e vocais), Wilson das Neves (bateria), Chico Batera (percussão), e Marcelo Bernardes (flauta e sopros) vêm acompanhando Chico pelos palcos nacionais e internacionais há décadas.

É visível a intimidade dos músicos com o criador e suas canções, transpostas para o palco sob a batuta e o bom gosto do maestro Luiz Claudio — é debruçado ao violão de Ramos, por exemplo, que "Geni e o zepelim" ganha um surpreendente contorno flamenco. "Obrigado aos amigos que me acompanham há tanto tempo", agradece Chico.

Fora tradicionais apresentações e cumprimentos, não há interação entre artista e público. As músicas são executadas com um intervalo mínimo entre elas, apenas o tempo necessário para o alarido dos aplausos terminar. Mas ninguém parece se importar muito com a pouca comunicação. "Quem tem um repertório desses dispensa presença", destacou uma atenta senhora nos camarotes.

Recursos eletrônicos para ajudar com as letras, como monitores ou teleprompters, são esnobados. As únicas anotações próximas ao cantor no palco são duas folhas de papel, com a ordem das músicas, coladas no chão. Todos os versos de todas as músicas estão decorados. Ou quase todos.

Chico Buarque e parte da banda que o acompanha em quase todos os 90 minutos de show. Cantor relembra parceiros como Tom Jobim e Edu Lobo (Foto: Alexandre Durão/G1)Chico Buarque e parte da banda que o acompanha em quase todos os 90 minutos de show. Cantor relembra parceiros como Tom Jobim e Edu Lobo (Foto: Alexandre Durão/G1)

"Errei a letra", entrega-se Chico durante "Sinhá", parceria com João Bosco, que encerra seu último álbum. Aplausos. Até um deslize vira atração aos olhos e ouvidos da plateia carioca.

Os momentos mais divertidos e descontraídos da noite são os duetos com o aplaudidíssimo baterista e sambista Wilson das Neves, que canta "Sou eu" e "Tereza da praia" (Jobim mais uma vez) junto do dono da festa — é a hora em que Das Neves reverencia o amigo tirando o chapéu, literalmente, para cantar com o autor de "A banda".

A temporada carioca de Chico Buarque prossegue até o dia 12 de fevereiro. Depois, o músico segue para São Paulo, com shows entre 1º e 25 de março. Se trilhar o mesmo caminho de suas duas últimas turnês, é provável que o público possa levar o espetáculo para casa em CD e DVD ainda este ano.

domingo, 1 de janeiro de 2012

UMA CENA DO REVEILLON DIGNA DE DARCY RIBEIRO


O homem-enceradeira e a abundância de Iemanjá

Luis Turiba

O réveillon de Copacabana, cujo foguetório este ano durou exatos 16 minutos, é evento atemporal extraordinário porque está montado em cima de uma combinação transcendental de explosões sensoriais, onde nós, humanos vestidos de branco e taça de champanhe à mão, somos parte explícita da engrenagem da pirotecnia emocional.

Quando menos imaginamos, estamos ali envolvidos no tubo lisérgico participando com nossa energia de bem-estar, solidariedade e busca de esperança, paz e amor. Na festa, ninguém fica passivo. Os fogos pipocam e pipocamos juntos com o balé de luzes e sons. Gritamos, vibramos, cantamos, choramos, abraçamos nossa turma e a turma do lado, pulamos sete ondinhas com aquele ceuzão piscando imagens desenhadas a fogo e desfeitas a lágrimas.

Sim, tudo tudo tudo vai dá pé. Dois milhões de pessoas na mesma sintonia de Iemanjá. Segundo Darcy Ribeiro, "o crioléu carioca foi capaz de aposentar Papai Noel e colocar no quadro uma deusa grega. É preciso ser grego, de talento e de tesão, pra inventar Iemanjá, uma deusa que fode. A mãe de Deus faz amor – é uma idéia incrível."

Disse o mestre antropólogo certa vez com sabedoria: "dos milhões que vão à praia, do dia 31 para o dia primeiro, passar o ano na praia, molhando os pés na água do mar, ninguém vai pedir pra Iemanjá acabar com um câncer ou com AIDS – vai pedir pro marido não bater tanto, vai pedir uma amante mais gostosa, um namorado dos bons. Isso é de uma beleza incrível."

Como a festa em Copa começa 24 horas antes e só termina no dia seguinte, pude testemunhar uma cena afetiva digna de um filme de Darcy Ribeiro sobre a deusa Iemanjá. Aliás, a melhor e mais amorosa passagem que nossos olhos assistiram esse ano.

Um casal de brasileiros - ele, negro, alto, meia idade, muito parecido com Gandhy; ela, branca, baixa, rechonchuda – caminhava tranquilamente à beira-mar. Repentinamente param. Ele enche as duas mãos de filtro solar e, com gosto, começa a passar o óleo pelo corpo dela. Tudo naturalmente, ambos em pé. Ao chegar ao bumbum, o nosso herói não mediu esforços para alcançar todos os seus recônditos, côncavos e convexos. Com as duas mãos em movimentos circulares, deu um trato às desenvoltas nádegas de sua dama como se fosse, ele, uma verdadeira enceradeira humana.

Quase foi aplaudido. Darcy gostou, Iemanjá sorriu. Feliz 2012.   

 


 

DARCY RIBEIRO FALA DA FESTA DE IEMANJÁ

Iemanjá e a Utopia brasileira

Darcy Ribeiro, em depoimento a Antônio Risério e Luis Turiba na revista "Invenção do Brasil", 2000

"A Utopia brasileira é a uma utopia singela: comida, casa, escola e remédio. O resto – o espírito nacional, o orgulho de si mesmo como povo, a criatividade, a alegria – já foi feito. Nós já fizemos o mais difícil. Somos o único povo, de que tenho notícia, que foi capaz de inventar um culto nos últimos trinta anos, um culto igual ao dos gregos, que é o de Iemanjá  e a arrastou para uma posição que acabou com Papai Noel, aquele finlandês bestão que anda num carro puxão por veados, com um saco nas costas, jogando presente em chaminé. Quer dizer, acabou com um negócio tão alienado que os caras aqui gostam de se juntar pra comer fruta seca, numa época em que as frutas estão mais vistosas, com caju, mana, bacupari, pitomba, mangaba, as frutas mais prodigiosas da terra.

Minha festa de Iemanjá é isso: uma mesa cheia de frutas. Comer fruta seca é coisa de imbecil.

Sim, o crioléu carioca foi capaz de aposentar Papai Noel e colocar no quadro uma deusa grega. É preciso ser grego, de talento e de tesão, pra inventar Iemanjá, uma deusa que fode. A mãe de Deus faz amor – é uma idéia incrível.

Dos milhões que vão à praia, do dia 31 para o dia primeiro, passar o ano na praia, molhando os pés na água do mar, ninguém vai pedir pra Iemanjá acabar com um câncer ou com AIDS – vai pedir pro marido não bater tanto, vai pedir uma amante mais gostosa, um namorado dos bons.

Isso é de uma beleza incrível. Então, a criatividade nós temos. A criatividade no plano erudito também é formidável. No ano 3000 ainda vão falar de Niemeyer. E isso vai prosseguir, rodando. Tudo isso e muito mais."