sexta-feira, 16 de novembro de 2012

BRASILEIROS FAZEM DOCUMENTÁRIOS DE VANGUARDA COM MÉTODO KORSAKOW

Brasileiros fazem documentários com soft de vanguarda alemão


Rio, 17 de novembro - Os primeiros cinco projetos brasileiros de webdocumentários baseados no soft de narrativa não-linear criado pelo alemão Florian Thalhofer serão apresentados ao público neste domingo, às 11 horas, no Oi Futuro Flamengo. A oficina começou no dia 14 e se encerra nesse domingo

Quatro temas de documentários foram definidos pelos oficineiros e um quinto, ainda em elaboração, será surpresa. Um deles abordará a ocupação pelos índios da antiga sede do Museu do Índio, próximo ao Maracanã; um outro mostrará os bastidores da oficina; o terceiro terá como tema "sonhos humanos" e o quarto será sobre as impressões de estrangeiros sobre a Música Popular Brasileira.

O trabalho é fruto da oficina que o transmídia Florian Thalhofer fez ao longo dos últimos quatro dias com 20 brasileiros que atuam nas mais diferentes áreas das artes e da cultura do Rio de Janeiro. 

Thalhofer foi um dos convidados da terceira etapa do evento "Inter-Agir: na rua, na rede, na cena contemporânea", idealizado pela produtora Ana Lucia Pardo, com patrocínio do Oi Futuro e da secretaria de Estado da Cultura do Estado do Rio de Janeiro. Lúcia Pardo ficou muito satisfeita com o resultado das oficinas:

"Esses aprendizados com o vanguardista alemão Thalhofer será fundamental para o desenvolvimento das pessoas que trabalham com cinema e linguagens digitais no Brasil", comentou a coordenadora. 

Na abertura do evento, além do multimídia alemão, o público assistiu a peça "Vozes Urbanas" do Teatro para Alguém, de São Paulo, que trabalha com transmissões na internet; um papo com o multimídia Giuliano Chiaradia, fundador do Set Experimentl e diretor da TV Globo; intervenções da atriz Sonaira D´Ávila, fundadora do Studio Escola de Artes, do Rio de Janeiro. 

Quem é?

Florian Thalhofer, cineasta experimental alemão, inicia hoje uma oficina narrativa não-linear, para ensinar a usar um software por ele criado para produzir filmes multimídias, o Korsakow. A oficina será no Oi Futuro, no Flamengo, e consistirá em: demonstração de recursos; dez passos para desenvolver um filme Korsakow; avaliação de webdocumentário Korsakow já publicado e aberto para experimentações; e desenvolvimento do webdocumentário. 


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

ARTE TRANSMÍDIA NO OI FUTURO


Múltiplas linguagens transmídias


Luis Turiba*


"A internet é o LSD dos nossos tempos", dizia apaixonadamente Claudio Prado, bicho-digital e ex-assessor cibernético do então ministro da Cultura Gilberto Gil.


Pensando bem, o que aconteceu na última terça-feira (12/11) no auditório do Oi Futuro Flamengo, por ocasião da terceira etapa do projeto "Inter-Agir – na rua, na rede, na cena contemporânea" foi uma verdadeira "viagem lisérgica" à utopia colorida e imediata que as novas mídias digitais nos propiciam, especialmente no espaço da cultura.


Foi uma noite de vanguarda e quem disse que ser vanguarda é fácil. Poucas linhas na imprensa. Chovia muito e quando chove o carioca vira caracol. Mas a noite do "Inter-Agir" não foi nada silenciosa. Tudo que aconteceu ali foi transmitido pela internet para milhões de olhares planetários. A interação, portanto, foi imensurável.


Coordenado pela produtora Ana Lucia Pardo, que há quatro anos reúne cabeças pensantes em debates, oficinas, performances e intervenções artísticas, o "Inter-Agir" reuniu numa mesma noite diversas linguagens e seus múltiplos usos na (e da) mídia digital. As primeiras etapas desse ousado projeto que começou em 2008, estão reunidas no livro "Teatralidade do Humano", com 480 páginas e apresentação de Gilberto Gil.


Mas voltemos à noite de vanguarda no Oi Futuro. Quem estava lá pode assistir uma peça transmitida pela internet – "Vozes Urbanas", do Teatro para Alguém, de São Paulo, que começou no palco e se desenvolveu na rua com postagem direta para o auditório; uma aula-show sobre os múltiplos usos do telefone celular como ferramenta para fazeres artísticos (poesia, clipes, documentários, instalações visuais, etc), dada pelo multimídia Giuliano Chiaradia, fundador do Set Experimental e diretor de TV da Globo; e intervenções da atriz Sonaira D´Ávila, fundadora do Studio Escola de Atores.


A estrela do "Inter-Agir", porém, foi o documentarista alemão Florian Thalhofer, artista multimídia audiovisual e inventor do sistema de filmagens "Korsakow" que cria filmes com narrativas não lineares. Florian fará uma oficina sobre seu software para 20 jovens cariocas.


Uma coisa ficou clara. A internet e as novas mídias digitais (tablets, micros, celulares) são usadas em nosso cotidiano por quase todo mundo. No entanto, pouquíssimas são as pessoas que conseguem potencializar essas ferramentas para criações de novas linguagens e conceitos. Com um celular na mão, nem o céu é o limite.


Mas depois de muito papo cabeça pra lá da Califórnia, e antes de partir para sua ilha de edição no Projac, Giuliano Chiaradi, que começou seu papo pedindo que todos ligassem seus celulares, deu uma de maestro e regeu a platéia num coral de luzes e chamadas. Foi a coisa mais esquisita que já vi num palco, mas também a mais pós-moderna. Um cyberneticoro.


Luis Turiba, poeta e jornalista





terça-feira, 13 de novembro de 2012

UMA POESIA ELABORADA NO RITMO DAS MÁQUINAS




Uma poética lubrificada

 

"As birras são burras"

               Mauro Gama

 

O livro-máquina construiu-se por intermédio de uma engenharia de linguagens antropofagicamente devoradora como uma boca banguela da Baía da Guanabara.


A máquina-livro engole o leitor para alimentar-se de suas assembleias de neurônios que pululam pelas artérias de suas engrenagens.


Aquele leitor que não estiver azeitado para a travessia – refiro-me aqui a "musculatura leitora" daqueles que curtem poesia -, não fluirá nas ondas da rádio-atividade dos poemas-peças que, conectados, fazem a giringonça caminhar como o avanço da onça rumo a presa tonta. O livro-máquina é para leitores-operários.


É essa a leitura (não definitiva) que meus olhos-neurônios fazem do livro "Casa das Máquinas", de Alexandre Guarnieri – Editora da Palavra, 2011. São 185 páginas de textos concretos que poderiam ser sonetos alexandrinos perfeitos.


O livro nasce de um projeto meta-linguístico, onde o poeta-peão-operário trabalhou por mais de 15 anos seu maquinário, peça por peça, fibra por fibra, rima por rima. Como bem disse Mauro Gama no pósfacio do artefato, Guarnieri soube "eleger um campo semântico exclusivo, o da paisagem industrial e sua parafernália."


Guarnieiri montou sua plataforma poética tendo por base alguns cânones que funcionam como peças alavancadoras de seus textos. Na capa do livro, a clássica máquina de "Metropolis" de Fritz Lang esfumaçando gases poluentes e anunciando que a leitura não será fácil.


Alexandre Guarnieri escala como guias trechos de poemas de João Cabral de Melo Neto, Haroldo de Campos, Nelson Archer, Gregório de Matos, Ferreira Gullar, Mauro Gama, Álvaro Mendes. Esses funcionam como chaves de ignição para seus poemas lubrificados.


A partir de um simples poema – "Interruptor" – faz-se luz para a montagem do poemaquinário. Com o neon no bem bom, válvulas, discos, engrenagens, motores com seus cilindros, rebites, bitolas, parafusos; uma máquina de escrever aqui, outra de triturar ali; letras, garranchos, o milagre do gás na geofísica, o trabalho, a mais valia, a força operária, o patrão burguês; as cidades - a grande máquina urbana com suas neuras pneumáticas e as brutalidades jardins. Sim, a guerra do dia-a-dia, a guerra civil, o revolver, a bomba-relógio, o infarto, o estresse, a caixa preta, o ferro velho, o blecaute, o renascer da máquina anônima.


Guarnieri coloca seu leitor-proletário como um Charles Chaplin apertando parafusos para farão a máquina-livro digna da nossa microscópica leitura.

 




quarta-feira, 7 de novembro de 2012

CICLO "INTER-AGIR" DEBATE A NOVA LINGUAGEM DIGITAL


 

Oi FUTURO APRESENTA TERCEIRO ENCONTRO DO CICLO DE ARTE DIGITAL "INTER-AGIR"

 

-  Evento será no dia 13 de novembro, a partir das 19h, começando com apresentação do grupo "Teatro Para Alguém" com espetáculo que acontece simultaneamente no teatro do Oi Futuro, no Flamengo, no estacionamento da Rua 2 de Dezembro, em frente ao centro cultural; e nos bastidores;


- Após a peça, haverá mesa de debates com o artista multimídia alemão, Florian Thalhofer, com o diretor de TV e Transmídia da Rede Globo, Giuliano Chiaradia e a fundadora do Studio Escola de Atores, Sonaira D'Avila, para discutir arte digital;


       - Uma oficina de cinema ministrada por Florian Thalhofer completará o ciclo, acontecendo no centro cultural do Oi Futuro Flamengo, de 14 a 18 de novembro

 

Rio de Janeiro, 07 de novembro de 2012 – O ciclo de debates sobre arte, pensamento, cultura, teatro e era digital "Inter-Agir – na rua, na rede, na cena contemporânea" – iniciado em 18 de setembro, no Oi Futuro, com palestra de Gilles Lipovetsky – chega a seu terceiro encontro no dia 13 de novembro, terça-feira, a partir das 19h.

 

O painel multidisciplinar, que se encerra em 11 de dezembro, foi concebido pela produtora  cultural Ana Lúcia Pardo e conta com patrocínio da Oi e da Secretaria de Estado da Cultura do Rio de Janeiro, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro.

 

Teatro/Internet

A programação desta rodada terá apresentação da primeira trupe a produzir espetáculos na internet, o grupo "Teatro Para Alguém", de São Paulo. Logo em seguida uma mesa de debates sobre arte digital com o artista audiovisual alemão, Florian Thalhofer, o diretor de TV e Transmídia da Rede Globo, Giuliano Chiaradia, a fundadora do Studio Escola de Atores, Sonaira D'Avila.

Desde 2008, o grupo "Teatro Para Alguém" já transmitiu, ao vivo, mais de 60 webpeças, hoje disponíveis gratuitamente para acesso a qualquer momento. O trabalho inédito levou o site à final do 22° Prêmio Shell de Teatro de São Paulo 2009, na categoria especial, "pela iniciativa de criação cênica via internet".

 

São eles que abrirão o ciclo "Inter-Agir" com espetáculo, às 19h, no teatro do Centro Cultural do Flamengo. A apresentação é gratuita e serão distribuídas senhas para 85 pessoas. Quem não conseguir lugar no teatro, poderá assistir nos telões localizados do lado de fora do teatro. A peça acontecerá simultaneamente no palco, nos bastidores e no estacionamento de carros da Rua Dois de Dezembro, onde fica o Oi Futuro, com os três ambientes interligados e transmitidos pela internet para o público que assiste à peça no teatro.


Oficina 

De 14 a 18 de novembro, das 11h30 às 15h30, acontecerá uma oficina narrativa não-linear, comandada por Florian Thalhofer, que ensinará a usar o software por ele criado para produzir filmes multimídias, o Korsakow. A oficina será no Oi Futuro, no Flamengo, e consistirá em: demonstração de recursos (tutoriais); dez passos para desenvolver um filme Korsakow; avaliação de webdocumentário Korsakow já publicado e aberto para experimentações; desenvolvimento do webdocumentário do seminário "Novos Rumos Para Novos Artistas".

 

Convidados

FLORIAN THALHOFER é documentarista, além de artista audiovisual multimídia. Em 2000, ele inventou o sistema não linear Korsakow, onde é possível criar produtos audiovisuais quebrando a narrativa linear pelo software homônimo. Apresentado como trabalho final na Universidade das Artes de Berlim, onde o artista tem base, o programa foi desenvolvido a partir de 2008 pela Universidade de Concordia em Montreal, Canadá. Hoje, Thalhofer executa seus projetos em vários países (Grécia). Para saber mais: http://thalhofer.com/.

 

GIULIANO CHIARADIA é diretor de TV e Transmídia da Rede Globo, desde 2007. Foi diretor da Chambre Blanche de 2011 a 2012; Gerente Sênior de conteúdo e Diretor da Viacom, 2005-7; Programação e Conteúdo, Produtor Sênior de Promos da MTV Networks. É diretor da Set Experimental e foi convidado este ano para apresentar um trabalho inovador focado na arte e expressão digital na Campus Party Europa, em Berlim, o maior evento de tecnologia, internet e inovação do mundo.

 

SONAIRA D´AVILA é atriz, professora, fundadora e diretora do Studio Escola de Atores, responsável pela implementação do Curso Técnico profissionalizante em Interpretação para TV e Cinema, Vídeo e Comunicação Digital. Foi, também, produtora de Elenco de Recursos Artístico e Assistente de Direção de novelas da Rede Globo e da Band. Também atuou como consultora do SEMTEC-MEC, para elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais para educação profissional na área de artes, em 1999.

 

Sobre o Oi Futuro

O Oi Futuro é o instituto de responsabilidade social da Oi, que emprega novas tecnologias de comunicação e informação no desenvolvimento de projetos de educação, cultura, esporte, meio ambiente e desenvolvimento social. Desde 2001, suas ações visam democratizar o acesso ao conhecimento e reduzir distâncias geográficas e sociais, com especial atenção à população jovem.

Na educação, os programas NAVE e Oi Kabum! usam as tecnologias da informação e da comunicação, capacitando jovens para profissões na área digital, fornecendo conteúdo pedagógico para a formação de educadores da rede pública, e fomentando o desenvolvimento de modelos inovadores. Já na área cultural, o Oi Futuro mantém dois espaços culturais no Rio de Janeiro (RJ) e um em Belo Horizonte (MG), com programação nacional e internacional de qualidade reconhecida e apreços acessíveis, além do Museu das Telecomunicações nas duas cidades.

O esporte é apoiado através de projetos aprovados pelas Leis de Incentivo ao Esporte, tendo sido a Oi a primeira companhia de telecomunicações a apostar nos projetos socioeducativos inseridos na Lei Federal. Em 2010, a Oi ainda lançou,por meio do Oi Futuro, seu primeiro edital para patrocínios de projetos de preservação e conservação do meio ambiente, reforçando ainda mais o compromisso com iniciativas sustentáveis.

 

SERVIÇO

Oi Futuro – Rua Dois de Dezembro, 63, Flamengo

Rio de Janeiro

Telefone: (21) 3131-3060

Grupo "Teatro para alguém" com "O Processo – Vozes Urbanas"

Teatro | 19h30

Duração: 30 minutos

Entrada: franca

Com distribuição de senhas para 85 pessoas, chegar meia hora antes.

Mesa de Debate

Teatro | 20h15

Oficina do artista alemão transmídia Florian Thalhofer

De 14 a 18 de novembro

De 11h30 às 15h30

Carga horária: 20 horas

Número de participantes: 14

Inscrições pelo e-mail oficina@ciclointeragir.com.br

 

MAIS INFORMAÇÕES SOBRE "INTER-AGIR"

Assessoria de imprensa: Luis Turiba

(21)- 8288-1825

turibapoeta@gmail.com

Curadoria e Coordenação geral do projeto: Ana Lúcia Pardo

(21) 9588-0452

Mais informações sobre o Oi Futuro:

Comunicação Corporativa - Oi

Leïlah Accioly

Oi Móvel: (21) 8834-0055

Oi Fixo: (21) 2556-6698

leilah.accioly@oi.net.br

  


 

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TRÊS POEMAS-FLASH


TRÊS POEMAS


À maneira de Francisco Alvim

 

1 - Filosofia de flanelinha


fecha e

deixa solto

 


2- Incontinência


shii...

... xixi

 


3- Desilusão

 

quando tirou a roupa

caiu tudo

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

DOMENICO DE MASI NA ESCOLA DE CINEMA DARCY RIBEIRO

 

SOCIÓLOGO ITALIANO DOMENICO DE MASI NA ESCOLA DE CINEMA DARCY RIBEIRO

 

Em visita ao Brasil para uma série de entrevistas e palestras nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro, o sociólogo italiano Domenico de Masi encerra sua viagem ao país com uma palestra na Escola de Cinema Darcy Ribeiro, na noite de 5 de novembro, às 19h.

 

Domenico de Masi é professor da Universidade La Sapienza, de Roma, e presidente da Escola de Especialização em Ciências Organizativas, a S3 Studium.

 

Considerado um dos mais polêmicos pensadores da era pós-industrial, é um estudioso das sociedades contemporâneas e propagador de um conceito inovador de trabalho, baseado na importância do tempo livre e da criatividade.

 

Domenico de Masi é autor de inúmeros livros, entre eles A economia do Ócio, O Futuro do Trabalho, A Emoção e a Regra, e O Ócio Criativo.

 

A palestra de Domenico de Masi, que contará com a presença do jornalista Roberto D'Ávila, faz parte da Série Encontros, atividade pedagógica dos Cursos Regulares da ECDR que reúne os alunos da Escola com pensadores e realizadores audiovisuais. No segundo semestre de 2012 já participaram desta atividade o músico e compositor David Tygel e a cineasta Tizuka Yamasaki.

 

A palestra de Domenico de Masi é gratuita e aberta ao público mediante inscrição prévia na Secretaria Escolar.

 

Escola de Cinema Darcy Ribeiro
Rua da Alfândega, n° 05 - Centro
Rio de Janeiro - RJ
Tel.:
(21) 2516-3514/ 2233-0224

secretaria@ecdr.org.br

 

 

 


sábado, 3 de novembro de 2012

MAMÃE, CHICO E BOB MARLEY


MINHA MÃE E BOB MARLEY


Luis Turiba


Dona Lourdes, minha mãe, com quem conversei muito hoje, Dia dos Mortos, foi uma mulher à frente do seu tempo. Uma cabocla alagoana que casou com meu pai, filho de português, de quem herdamos o sobrenome Toribio. Mamãe era "da Silva" como tantos outros "da Silva" desse país de mestiços. Misturou no Brasil, nasce um "da Silva".


Dona Lourdes adorava música e era dada a amizades estranhas. Aprendi com ela a ouvir Sarita Montiel, Bach, Orlando Silva, Angela Maria, Ray Charles, Ray Canniff e Beatles. O que vinha, traçava.


 Quando eles foram morar no Recreio, quando o bairro era um desertão distante da Barra, mamãe ficou amiga da vizinhança. Seu papo era irresistível. Naquele ambiente, se bem me lembro, moravam Fábio Júnior; o general-presidente (na época) João Figueiredo, que se recuperava da sua cirurgia cardíaca; e no quarteirão a frente estava o campo do Politheama, time do Chico Buarque.

Pois não é que Dona Lourdes se dava com todo mundo. Ela tinha gosto por fazer sucos. Meu pai fazia a melhor batida de maracujá que já bebi. Mas mamãe fazia suco de tudo. E quando o general Figueiredo passava em frente da casa dela fazendo caminhadas de recuperação cardíaca, parava pra beber suco de mangaba, de abacaxi com morango, de manga com gengibre, sabores exóticos da sua alquimia doméstica.

Com Chico fez amizade que durou anos. Ele lançava um LP e trazia pra ela autografado. Estão todos bem guardados. Também, a cada grande jogo que tinha no Politheama, ela levava sucos para todo mundo saborear no final. Consta a lenda que o Politheama jamais perdeu em casa. Mas mamãe não entendia nada de futebol. O que ela gostava mesmo era de fazer sucos para o Chico.

Um dia Chico fez uma encomenda especial. "Vem um pessoal de fora jogar aqui. Posso lhe encomendar uns 10 sucos diferentes? Eles querem provar as frutas brasileiras. Tá aqui o dinheiro!"

Dona Lourdes não aceitou o dinheiro, mas no dia combinado levou num carrinho mais de 15 jarras de sucos diferentes e algumas misturas mágicas. Tinha até de jaca, jabuticaba, pitanga, amora, saputi. Terminado o jogo contra o "Wailers", os sucos de Dona Lourdes fizeram o maior sucesso com aqueles negros cabeludos.

Eu já morava em Brasília, mas à noite conversei por telefone com ela. Curioso, perguntei sobre o jogo. Inocentemente, ela me disse: "Filho, eram uns negros bonitos, com umas tranças cumpridas, que suaram muito com o calor do Rio. Adoraram os sucos, beberam tudo. Principalmente depois que fumavam uns cigarrinhos cheirosos e passavam de mão em mão".

Ou seja: Dona Lourdes, entre tantas coisas que realizou nesse mundão, saciou a larica de Bob Marley e sua banda depois de uma pelada esfumaçada no campo do Politheama. Valeu, mãe.