terça-feira, 15 de outubro de 2013

BENET DOMINGO, O CATALÃO QUE AMOU O RIO DE JANEIRO

Benet Domingo, a trajetória de uma artista".

No ano de 2014 será o centenário do artista, arquiteto e cenógrafo PereBenet Domingo (1914 - 1969), catalão radicado no Rio de Janeiro durante as décadas de 50 e 60. Em sua breve, porém intensa trajetória artística, podemos observar o grande sucesso e colaboração cultural que aportou para o Brasil e a Espanha. Ainda jovem brilhou como artista em sua terra natal e depois de exilado no Rio de Janeiro trabalhou como cenógrafo teatral e carnavalesco, revolucionando o conceito do carnaval carioca, observando e valorizando a identidade nacional que até então não era vista, pois apenas se valorizava o que era estrangeiro. Apaixonou-se pelo Rio e por seu povo, registrando suas diversidades e riquezas, realizando uma extensa série de desenhos a bico de pena intitulada "Nas esquinas do Rio" na qual se verifica uma rica pesquisa e precioso registro dos anos dourados do Rio de Janeiro capital. Sua obra representa atualmente o resgate da memoria cultural da cidade e das bases de construção do carnaval e da identidade carioca.



PereBenet Domingo nasceu em 1914 em Tortosa, na região do Baixo Ebro da Catalunha, em uma rica família de ideais e lideranças republicanas.

Em sua infância, se diferenciava das demais crianças por admirar e pintar o pôr do sol ao invés de se entreter jogando futebol, pegava sua bicicleta e percorria até 14 km para alcançar uma boa vista à beira rio e pintar ao ar livre suas primeiras telas.

Em sua adolescência já frequentava a Escola de Artes de Tortosa, aonde diariamente praticava desenho e pintura desejando seguir a carreira de artista, porém, seu pai não permitiu que ingressasse na Faculdade de Artes sem antes cursar outra carreira, sendo assim, Pere ingressou na Universidade de Arquitetura de Barcelona aonde se formou arquiteto.

No ano de 1936, quando Pere finalmente se preparava para ingressar na tão sonhada Universidade de Belas Artes de Barcelona estourou a Guerra Civil Espanhola. Benet Domingo participou de toda a contenda e foi ferido duas vezes lutando pelos ideais republicanos, ao fim da guerra permaneceu durante seis meses em campo de concentração e todos os seus familiares foram presos e tiveram seus bens confiscados. Seu pai e seu tio por serem lideres da República tiveram que exilar-se em Paris.

Devido às fatídicas circunstâncias do pós-guerra toda a família viveu sob um mesmo teto em Barcelona, totalizando 18 familiares em um apartamento de apenas dois quartos. Nesse então, Benet Domingo trabalhava como vitrinista para ajudar no sustento da casa. Em 1939 finalmente ingressou na Universidade de Belas Artes além de frequentar o Circulo Artístico Barcelonês e suas diárias sessões de modelo vivo. Realizou anualmente exposições individuais nas galerias Pictória e Barcino tendo grande sucesso, obras adquiridas por colecionadores e críticas no Anuário de Arte Barcelonês.

Em 1945, Benet Domingo casou-se com sua prima irmã, a pedagoga, Conchita Domingo com quem teve dois filhos, Pedro Benet (1948) e Pilar Domingo (1953).

Em 1951 apesar de sua bem sucedida carreira artística, Benet Domingo se viu obrigado a abandonar sua amada Barcelona devido a forte pressão da Ditadura Franquista sobre os vencidos. Escolheu como novo lar a cidade do Rio de Janeiro após ver um filme em que a radiante Carmem Miranda aparece emoldurada pela maravilhosa Baia de Guanabara. Chegando ao Rio de Janeiro fez valer seus conhecimentos de arquiteto e sua criatividade artística destacando-se como cenógrafo da importante companhia teatral "Os Artistas Unidos" e sendo o vencedor do concurso para a pintura mural da Igreja de Sant`Ana.

A companhia teatral, Os Artistas Unidos, era dirigida pela grande dama do teatro, HenrietteMourineau e produzida por Carlos Brant e Hélio Rodriguez e se apresentavam no teatro do sofisticado e luxuoso Hotel Copacabana Palace, Benet Domingo foi convidado como cenógrafo oficial da companhia após inaugurar com grande êxito na peça "Jezabel", permanecendo com a Companhia até o seu fim e realizando para ela mais de quinze cenografias. Benet Domingo realizou uma grande exposição com cento e cinquenta obras no Hotel Copacabana Palace, que seguiu itinerância em Belo Horizonte e São Paulo, acompanhando a turnê da Companhia e sob patrocínio da mesma.

No Centro da cidade, no Campo de Santa`Ana, Benet Domingo trabalhou durante um ano coordenando uma equipe de oitenta pessoas na pintura mural do interior e Altar Maior da Igreja de Sant`Ana, pois seu projeto havia sido vencedor para a realização do XXXVI Congresso Eucarístico Internacional no Rio de Janeiro.

Ao observar e conhecer o Centro da cidade e seus personagens, Benet Domingo, percebeu o rico contraste entre Copacabana e o Centro, iniciando assim, uma pesquisa de observação e registro de cada transeunte carioca com suas peculiaridades e diferenças (tal qual Jean Baptiste Debret que ao longo de quinze anos registrou as cenas cotidianas da sociedade da época) a essa série de mais de cinquenta desenhos a bico de pena Benet Domingo deu o nome "Nas Esquinas do Rio" que compõe um valioso e inédito registro da memória cultural da cidade.

Benet Domingo foi convidado a realizar todas as cenografias decorativas para o Hotel Copacabana Palace e seus onze salões, sendo durante dezesseis anos o "homem do Copa" e realizando com elegância e originalidade todos os eventos do Hotel, devido ao grande sucesso de suas cenografias foi convidado a realizar as decorações de carnaval do  Hotel Quitandinha, em Petrópolis e do Joquei Club e Maracanãzinho no Rio de Janeiro, foi chamado também pelo cineasta argentino Carlos Hugo Cristensein, a realizar as cenografias cinematográficas para seus longametragens, entre eles: "Matematica Zero amor Dez", "Esse Rio que eu amo" e o "Rei Pelé".

Em 1957 a Secretaria de Turismo convidou Benet Domingo a fazer a cenografia do carnaval de rua, inaugurando assim uma etapa de grandes proporções, aonde o artista vive a sua liberdade de expressão aliada a sua estrutura arquitetônica. Durante dez anos consecutivos foi responsável pela decoração carnavalesca das principais avenidas cariocas, introduzindo a decoração pingente sobre as avenidas e realizando uma cenografia com a identidade e valores nacionais e não mais venezianos.

            Benet Domingo foi um marco no carnaval carioca, realizando cenografias únicas e monumentais que valorizavam a cultura e identidade nacional e representavam o espírito brasileiro. Nas cenografias "Rio Sempre Rio" e "Guanabara", que realizou respectivamente no Hotel Copacabana Palace e no Centro da cidade (Avenidas Presidente Vargas e Rio Branco) Benet Domingo realizou sua revolução social, ao colocar no Copacabana Palace o personagem do negro pandeirista como portal de entrada e destaque, fazendo com que o sofisticado folião passasse sob o seu salto e construindo no centro da cidade uma Carmen Miranda de 22 metros de altura que jorrava café sobre o mundo, que girava a seus pés.

Benet Domingo despertou a sensibilidade e o olhar do carioca para sua própria imagem carnavalesca, ensinando o brasileiro a expressar seu próprio carnaval que representava o profundo de sua raça e de sua maneira de sentir.

Em 1969 o homem pisa a lua e Benet Domingo falece. O Rio de janeiro já não era capital, o Hotel Copacabana Palace estava falido e a Ditadura estava instaurada, porém a obra e a memória do que o artista realizou não deverá ser jamais apagada.

 

 

Caixa de texto: Casa Benet Domingo – três gerações de arte.  Av. São Sebastião, 135. Urca, Rio de Janeiro.  Site: www.casabenetdomingo.com  E-mail: contato@casabenetdomingo.com  Telefones: (55 21) 2295 1175 – 8537 1175
 

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Fwd: Orlando Senna Vozes d'África

Vozes d'África    


Alguns leitores e alguns amigos denunciaram a ausência da África no meu comentário da semana passada, Sua língua. E logo a África, com um bilhão de habitantes e suas mil e 500 línguas. E logo a África, "pasto universal" como disse Castro Alves no poema que empresta o título a este texto: "há dois mil anos te mandei meu grito,
que embalde desde então corre o infinito". Só a Nigéria tem 250 línguas, talvez a maior diversidade linguística do mundo, a África do Sul tem onze idiomas oficiais. São cenários desse oceano de falas, que os especialistas organizam polemicamente em quatro famílias (afro-asiáticas, khoisan, nigero-congolesas, nilo-saarianas). Além das línguas faladas, a África é o continente que abriga a maioria das não faladas, ou seja, as línguas de sinais, as sopradas e as tamborizadas.

Ao abordar as falas da África, tenho de reabrir outro tema mencionado no texto da semana passada, as línguas artificiais. No oceano idiomático africano convivem expressões milenares, tanto nativas como colonizadoras, com a invenção de novas articulações linguísticas, ditadas por necessidades de comunicação. Até mesmo os colonizadores inventaram novas formas de se comunicar, como o africânder, desenvolvido a partir do século XVII pelos bôeres (colonos holandeses, alemães, franceses e ingleses), para se entenderem entre si e com os nativos. Sua interface inicial foi o holandês antigo e vicejou no cruzamento com línguas africanas e asiáticas (força de trabalho presente na região) e com outras línguas europeias. Na África do Sul e na Namíbia, o africânder é hoje a língua de comunicação interétnica mais utilizada.

O angolano Pepetela, um dos maiores escritores africanos de todos os tempos (Mayombe, Yaka, O planalto e a estepe), me chamou a atenção para o lingala, língua desenvolvida ao longo do rio Congo a partir do final do século XIX e hoje falada por mais de dez milhões de pessoas na República do Congo, República Democrática do Congo (ex-Zaire), norte de Angola e sul da República Centro-Africana. A maioria das canções dessa zona são em lingala, o que aumenta cada dia mais sua popularidade como língua franca. Ao contrário do africânder, com sua ignição em uma língua colonizadora, o lingala foi sendo formada a partir do bangi, uma língua banto, em conexão com as línguas europeias dos comerciantes e missionários que aportaram na região durante a ocupação belga.

Essa realidade demonstra que o conceito de língua artificial deve ser entendido como o de uma língua construida em laboratório, por alguns poucos linguístas, por "cientistas da palavra", como o Esperanto. O seu antônimo são as ditas línguas naturais (ou ancestrais) e também as línguas que grupos humanos vão inventando e articulando, misturando as existentes, criando novas relações fonéticas com a realidade, com sua realidade. Como são as línguas francas africanas.

E por fim um aspecto exemplar da África no que se refere à sua enorme diversidade linguística e às novas línguas que surgem no turbilhão de sonoridades: a maioria dos países africanos consideram a política linguística um tema estratégico, uma questão vital para o equilíbrio cultural e social dos estados que se formaram na década de 1970 (era pós-colonial) e do próprio continente. São políticas multilinguísticas, um dos símbolos disto é o fato da União Africana, a UA, considerar todas as línguas do continente, as mil e 500, como suas línguas oficiais. Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos, como está na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ou, em lingala, "bato nyonso na mbotama bazali nzomi pe bakokani na limemya pe makoki".

Por Orlando Senna

* Links para textos de Orlando Senna no Blog Refletor

Sua língua    27/09/2013    http://refletor.tal.tv/ponto-de-vista/orlando-senna-sua-lingua

160 Brasis no Canal Futura    20/09/2013    http://refletor.tal.tv/noticias/america-latina/brasil/orlando-senna-160-brasis-no-canal-futura

A Bahia dessemelhante    13/09/2013    http://refletor.tal.tv/ponto-de-vista/orlando-senna-a-bahia-dessemelhante

Dragão do Mar     06/09/2013    http://refletor.tal.tv/ponto-de-vista/orlando-senna-dragao-do-mar

Grafite     30/08/2013    http://refletor.tal.tv/miscelanea/artes-plasticas-2/grafite


terça-feira, 1 de outubro de 2013

Fwd: Escola de Cinema Darcy Ribeiro lança Núcleo de TV



Escola de Cinema Darcy Ribeiro Lança Núcleo de TV!

 

A Escola de Cinema Darcy Ribeiro está lançando, no Rio de Janeiro, um Núcleo de Criação e Produção para TV para atender à explosão da demanda de produção de conteúdo nacional após a Lei no 12.485, que transformou essa área em uma das mais promissoras do mercado audiovisual.

 

O Núcleo de Criação e Produção para TV da ECDR tem ênfase na produção de conteúdo, seriado e transmídia, visando a formação e o aperfeiçoamento de profissionais nas áreas de roteiro, direção e produção para TV. Pré-inscrições pelo site http://www.escoladarcyribeiro.org.br

 

O Núcleo de TV ECDR oferecerá atividades como Cursos, Oficinas Práticas de Criação, Palestras Temáticas, Consultorias Permanentes e Grupos de Estudo, sobre diversos temas relacionados à criação e produção para TV, como roteiro, narrativa transmídia, gêneros e formatos, storytelling, direitos autorais, formatação de projetos, entre outros.

 

Com o Núcleo de Criação e Produção para TV, a ECDR quer atender a cadeia produtiva do audiovisual e continuar garantindo a formação de profissionais de qualidade para o setor, expandindo a excelência do seu ensino em arte cinematográfica para a arte televisiva.

 

 

PROGRAMA:

• Cursos

Roteiro para Série de TV (48h)

Narrativa Transmídia (48h)

Personagens e Diálogos (32h)

 

• Oficinas: Práticas de Criação                                               

Criação de Roteiro para Série de TV (56h)                    

Criação de Roteiro Transmídia (56h)

 

• Palestras Temáticas

Ficção Seriada: Gêneros e Formatos (4h)

Formatação de Projetos para TV (4h)

Storytelling e Transmídia (4h)

Direitos Autorais e Roteiro (4h)

Indústria da Convergência (4h)

 

• Consultoria (permanente)

Série de TV – piloto (pacotes de contratação de horas, sob demanda)

Produção de Narrativa Transmídia (pacotes de contratação de horas, sob demanda)

Direitos Autorais

 

• Grupos de Estudo

Estudos Avançados em Roteiro e Dramaturgia (78h)

 

• Cursos de Iniciação em Roteiro

Roteiro - básico para alunos do ensino médio (32h, sob demanda)

 

Escola de Cinema Darcy Ribeiro
Rua da Alfândega, 5 - Centro 
Rio de Janeiro, RJ - CEP: 20070 - 000
Tels.:  (21) 2233 0224  / (21) 2516 3514

 

 

Escola de Cinema Darcy Ribeiro
Rua da Alfândega, n° 05.Centro
Rio de Janeiro.RJ.
CEP 20070-000
(21) 2516-3514 - Ramal 113

comunicação@ecdr.org.br

escoladarcyribeiro.org.br

 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

MINHA HOMENAGEM A TODOS QUE SOFRERAM NOS PORÕES DO DOI-CODI DA BARÃO DE MESQUITA


Tortura

Luis Turiba
 
Levanta-se o véu e rasga-se a túnica
Os corvos ainda bicam o que restou de ti
Uma dor cicuta que espiral perdura
....tortura...
 
O teu silêncio cobrado em preço físico
O teu algoz agora também teu karma
Tua voz teu suspiro e teu fantasma
 
Quem içou o dia e eternizou o cinza
Um Deus raivoso fez habitat às sombras
Tiras o capuz e o que vês? Abismos...
 
Jagunços a conspirar em cadafalsos
- Ora Senhor! Não se trata bandidos a bombons!
- Meus Deus! Meu Deus! Será que vou calabar?
 
Nunca serás mais o que antes eras
Se o corpo resistiu, o espírito tem chagas
Marcado como gado a ilusão tritura
.....tortura.......

 

 

 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

POEMA DE MANOEL DE BARROS NA BRIC-A-BRAC

PERALTAGEM

Manoel de Barros

O canto longo da sariema encompridava a tarde.

E porque a tarde ficasse mais comprida a gente sumia dentro dela.

A gente aproveitava para vasar o rio.

E quando o grito da mãe chegava do outro lado da tarde

A gente já estava no outro lado do rio...

O pai nos chamou de berrante.

Na volta fomos entrando pé ante pé pelas paredes

com medo de um carão do pai.

Logo a tosse do vô cortou o silêncio

E fomos apanhados ali.

Mas não apanhamos nem.

Nossa mãe falou que eu ia viver a vida inteira leso.

Mas ele me poupava.

Ela disse: esse menino vai passar a vida toda enfiando água no espeto.

Foi quase.

 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Fwd: Lançamento do CD Juriti, de Paulo Tovar. Dia 14/09, na Martis Penna do TNCS, às 20h.


Lançamento do CD Juriti, de Paulo Tovar

Sala Marins Pena, dia 14 de setembro de 2013, às 20h

 

Há sonhos que ultrapassam até os limites entre o céu e a terra, basta que existam amigos, o amor da família e muita paixão pela música. Foi assim que o CD Juriti, de Paulo Tovar, veio à luz. A seleção das músicas de Juriti foi iniciada pelo próprio cantor. Mas, infelizmente, Tovar não teve tempo de terminar a trilha do que seria o seu quarto disco. Dois anos após sua morte, ocorrida em setembro de 2009, a irmã do cantor, Rosana Hummel em parceria com Toronto Viramundo, Felipe Borges Hummel e João Paulo Hummel Mota completaram a seleção das composições.

O trabalho, feito em parceria com as pessoas da família e amigos, resultou em Juriti, que tem produção executiva de Paulo Hummel e direção de produção de Rosana Hummel, irmãos de Tovar, projeto gráfico e ilustrações do artista plástico Zé Nobre, direção musical de Toronto Viramundo, gravação de Daniel Baker e Fernando Rodrigues.

Ao todo, 18 músicas estão no CD, 13 das quais são inéditas e de autoria exclusiva de Tovar, com destaque para Bagdá, Próxima parada e Galináceo apaixonado. Em parcerias, Juriti, música mais gravada e produzida em Brasília, dele e de Aldo Justo; Marco Zero, com Haroldinho Mattos e Espírito que canta, com Itamar Assumpção, entre outras parcerias.

Tovar foi um dos criadores do Concerto Cabeças ao lado de Néio Lúcio, Renato Mattos, Nicolas Behr, Luis Turiba, Chacal, Vicente Sá, Sóter e outros artistas que produziam poesia e arte na cidade. Nascendo um movimento literário denominado poesia de mimeógrafo (década 1970). Tovar tinha base sólida e foi aluno de música  da Universidade de Brasília, foi aluno da flautista Odette Ernest Dias e da Escola de Música de Brasília (EMB). A combinação entre música e poesia o levou a estar, ao lado de grandes amigos. O voo da juriti foi seu maior sucesso, porém o reconhecimento veio através de Marco Zero, música ganhadora dos 1º lugares do festival – CantaCut, edição de 2006, nas categorias de melhor música e melhor letra.

 

Show de lançamento do CD Juriti, de Paulo Tovar

Com os cantores e interpretes de Paulo Tovar: Gerson Deveras, Camila Hummel, Nonato Veras,  Aldo Justo, Paulo Djorge, Célia Porto, Ana Paula, Paraibola, Haroldinho Mattos, Áurea Lu, Sérgio Duboc, Renato Matos, Eduardo Rangel e o Grupo Liga Tripa.  Acompanhados da banda formada por Daniel Baker nos teclados, Haroldinho Mattos na guitarra, Rodrigo Galvão na bateria e Genaldo Gê Mendonça no baixo.

 

Local: Sala Martins Pena do Teatro Nacional

Data: Dia 14 de setembro de 2013, às 20h

Preço: Entrada franca

Classificação indicativa: 18 anos.

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Contatos: Rosana Hummel: 61 9934 4566

                Peninha: 61 99134380

               

"A poesia de Paulo Tovar, muitas vezes musicada, traduz Brasília como a cidade modernista, mas também como a cidade sertão, bem aos moldes de quem vivenciou e carrega uma tradição sertaneja. Paulo Tovar nasceu em Catalão, interior goiano. Observador do cerrado, impactado com a construção de Brasília, sua poesia traduz a cidade por meio de um movimento poético que se tornou conhecido entre aqueles jovens como "poesia de mimeográfo" ou "poesia ambulante" que se fortaleceu como expressão cultural de Brasília nos seus primeiros anos. Paulo Tovar escreveu a cidade e sua natureza sertaneja em meio a cidade moderna, num momento em que ainda não se falava de preservação ambiental; transgrediu, por meio da sua poesia, o momento político – a ditadura militar – e junto com outros poetas e músicos da cidade lideraram um movimento poético que denunciava a "cidade silenciada"; a poesia, expressão ativa da cultura da cidade daquele momento, era "publicada" nas paredes, nas paradas, nas ruas, como reação ao contexto repressor. Músico e poeta, Cidadão Honorário de Brasília, post mortem, desde agosto de 2010, traduziu a cidade-sertão, a cidade moderna, marcou época com sua poesia, contribui para que a gente possa entender o que é Brasília."

 

Cultura e Natureza na Poesia Brasiliense de Paulo Tovar

Regina Coelly F. Saraiva

(Professora Adjunta de História da Faculdade UnB Planaltina – FUP/UnB)

 


Informações à imprensa:
Rodrigo Machado
Território Cultural - Assessoria de Comunicação
81753794 (Vivo) 86542569 (Oi)

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

ROCK IN RIO: UMA LIÇÃO DE COMUNICAÇÃO VIA MÚSICA


AULA DE COMUNICAÇÃO,
PARCERIAS E PATROCÍNIOS

Luis Turiba

Nascido da ideia de revitalizar uma marca envelhecida, o Rock in Rio transformou-se no maior festival de música do planeta. Conheça seus números, estratégias e como agem as empresas neste grande evento.

O Rock In Rio transcende as agudas e nervosas notas musicais do ritmo. O evento está para além de um festival de música – é uma verdadeira usina de comunicação de massa. Um "senhor" de quase 30 anos, que nasceu com a nova democracia brasileira, está em sua 12ª edição e já recebeu mais de seis milhões de pessoas em sua Cidade do Rock.
O Rock In Rio nasceu como uma "ideia de comunicação" e se mantem firme nessa via há exatos 29 anos. Aliás, já nasceu como o maior festival de música do mundo em 1985, recebendo por 10 dias um público de um 1,4 milhão de pessoas. De lá para cá, em doze edições realizadas em três diferentes países (Brasil, Portugal e Espanha), construiu um relacionamento mundial plural, envolvendo pessoas, profissionais da música, do show business e de comunicação; mais de 100 empresas; diversos governos dos três países envolvidos; além dos milhões de participantes, direta e indiretamente. 
Agora, às vésperas do festival de 2013, o Rock In Rio prepara novos e surpreendentes voos internacionais. Vai pousar em Las Vegas, Estados Unidos, e Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Detalhes e datas ainda estão sendo acertados. 
O certo é que o Rock In Rio 2013 será aberto com um superespetáculo em homenagem ao roqueiro Cazuza, morto pela Aids em 7 de julho de 1990. Um espetáculo, garante os realizadores, para cima e para frente, lembrando que a luta contra a Aids continua e que todos desejam "um mundo melhor". 
"O Rock In Rio mora no coração de cada um de seus organizadores e participantes. Mora no coração de todos os brasileiros. Paixão é um ingrediente fundamental para o sucesso do nosso festival. E o mais apaixonado de todos é seu inventor e principal incentivador, o publicitário Roberto Medina", disse Agatha Arêas, diretora de Marketing do festival em seminário sobre "Marketing do Entretenimento" realizado na Câmara de Comércio Americana, no Rio.   
MARCAS E INSTITUIÇÕES – Este ano, na sua décima segunda edição, o festival envolve oficialmente 72 marcas (38 delas com direito a ter a marca no site e nos cartazes) e instituições governamentais, das mais diversas, em sua montagem. O último contrato foi feito no mês passado com a Comlurb, empresa de recolhimento de lixo da cidade do Rio de Janeiro, com quem o festival fez um convênio para manter limpa a cidade. A campanha "Lixo no Lixo, Rio no Coração" está baseada no seguinte princípio: "de que vale morarmos na cidade mais linda do mundo, se ela é suja." 
Na realidade, a montagem desta edição começou durante o evento de 2011, portanto dois anos antes. Segundo Agatha Arêas, 80% dos patrocinadores e apoiadores do festival renovaram suas "cartas compromissos" com dois anos de antecedência, sem mesmo conhecer as regras e os custos do festival deste ano. 
Ainda de acordo com a diretora de Marketing, por ser uma "plataforma de comunicação", o Rock In Rio "reverberará a mensagem dos patrocinadores e apoiadores para um verdadeiro mundo de pessoas". Os patrocinadores têm o direito de "exploração de conteúdo" do festival por um ano e os apoiadores nos dias do evento. "Essas mensagens alcançam praticamente toda a população brasileira", afirma ela.

rock
      
 CONTRAPARTIDAS  - O diretor comercial do evento, o português Raul Azevedo, está trabalhando de 12 a 14 horas por dia para fazer os acertos finais do festival que acontecerá em setembro. Ele gosta de citar, como exemplo mais concreto e popular de contrapartidas, o caminho escolhido pela marca Trident, que distribuirá entre o público um milhão de caixinhas de chicletes. 
"Os patrocinadores oficiais podem explorar a marca Rock In Rio e todos os seus conteúdos em seus produtos ao longo de um ano. Isso faz parte do contrato, além do trabalho feitos durante o festival, na Cidade do Rock. Lá eles recebem seus convidados em áreas Vips e exploram suas marcas em 150 diferentes propriedades, de Rodas Gigantes a banheiros. Essa planilha de contrapartidas é trabalhada diariamente nesses últimos seis meses", explica Raul Azevedo. 
É claro que o patrocinador Master – no caso o banco Itaú – tem uma contrapartida maior do que os demais patrocinadores. Por ser um banco, o Itaú pode vender para seus clientes um número de ingressos superior aos demais, além de ter uma área Vip maior – este ano, serão 700 convidados, ou seja: 100 por dia. 
O Rock In Rio gasta R$ 600 milhões em mídia ao longo desse ano de contrato envolvendo todas as marcas patrocinadoras. Nesse ano são convocados cerca de 50 "momentos de comunicação", além de uma permanente alimentação da mídia por intermédio de uma Assessoria de Imprensa pró-ativa. 
Dentro do festival, ao longo dos sete dias de realização, as marcas têm seus espaços e podem explorar produtos feitos especialmente como brindes ou para serem vendidos durante o evento. Os apoiadores também podem explorar seus espaços dentro da Cidade do Rock, assim como a venda ou distribuição de produtos. Há produtos normais das marcas e também aqueles especiais, criados para o festival. São histórias em quadrinhos, aulas de dança, exposições hai-techs, livros, revistas musicais, produtos cibernéticos, enfim; um mundo de patrocínios. 
O supermercado Extra, por exemplo, montará 350 barracas do Rock In Rio em suas lojas, faltando um mês para o início do festival, para vendas de produtos do evento. 
PASSADO DE GLÓRIA – O Festival tem na Prefeitura do Rio de Janeiro e na ONG "Rio de Janeiro – Marca registrada do Brasil", dois grandes parceiros institucionais. Segundo a direção do evento, no seu último ano de realização, em 2011, o Rock in Rio gerou R$ 880 milhões para a economia da cidade. A organização do festival não tem uma previsão para 2013, uma vez que esse cálculo da edição anterior foi feito pela Riotur. 
No entanto, a expectativa é que o valor seja superior pelos próprios ajustes de valores do mercado. Por exemplo, o investimento em produção, por parte da organização do Rock in Rio, aumentou de R$ 95 milhões, em 2011, para R$ 125 milhões, em 2013. O gasto médio do turista por dia também deverá aumentar, tendo em vista o custo da hospedagem, alimentação, transporte etc. A expectativa de público, para o evento em setembro de 2013, é em torno de 600 mil pessoas  - 595 mil, para ser mais exato - durante os sete dias de festival (são 85 mil pessoas/dia). O Rock In Rio acontecerá de 13 a 22 de Setembro. 
Para Rodolfo Medina, vice-presidente de marketing e comercial do Rock in Rio, "as empresas que associam seus produtos a uma marca internacional e de grande impacto no consumidor final, como o Rock in Rio, usufruem de um grande poder de comunicação na mídia e participam de uma história de sucesso de licenciamento e de grande potencial de faturamento".
Rodolfo Medina dirige uma equipe com aproximadamente 50 profissionais e trabalha uma média de 12 horas por dia para manter em dia o cronograma do festival. 
"Em um momento de retração do mercado de entretenimento no Brasil, especialmente para shows e festivais, a resposta do público à convocatória do Rock in Rio é a comprovação do poder de atração da marca. Somos o maior festival de música do mundo por inúmeros fatores, inclusive no quesito produtos licenciados. O interesse das marcas pelo evento é um fenômeno", afirmou ele. 
LIGAÇÃO COM MARCAS – Realizado pela primeira vez 1985, ano em que os civis voltavam ao poder após 21 anos de ditadura militar, o Rock In Rio surgiu como uma "ideia de comunicação" do publicitário Roberto Medina, da Art Plan, para o cliente Brahma, marca que na época era considerada "envelhecida".  
Medina aproveitou muito bem o clima de busca de liberdade criado, com o fim da ditadura, para jogar no ar uma proposta publicitária de "algo que jamais foi feito no Brasil": um grande festival de rock com nomes internacionais. Deu certo: 1,4 milhão de pessoas curtiram bandas como AC/DC, Iron Maiden, Ozzy Osbourne, Queen e os brasileiros Gilberto Gil, Paralamas do Sucesso e Barão Vermelho. Foram ao todo 28 bandas nacionais e internacionais.  
Em 1991 a ideia de renovar uma marca por intermédio de um megaevento musical foi repetida para a Coca-Cola. Em 2001, o cliente foi a American On Line, que investiu U$ 20 milhões e viu sua carteira de clientes crescer de 60 mil para 450 mil.
Em 2004, 2006, 2008 e 2010, o Rock In Rio se realizou em Lisboa, Portugal, com patrocínio da Milenium e na Espanha (2008 e 2010) com patrocínio master da Telephonica. Voltou ao lugar de origem, a Jacarepaguá, Rio de Janeiro, em 2011, na mesma e histórica cidade do rock onde nasceu. Uma história bem sucedida, sem dúvida. Aumenta o som que isso é rock and roll. E rock, é comunicação.