segunda-feira, 30 de março de 2009

Deusa Itiquira


Luis Turiba



divina dama brancura espuma


que rola e cai sem eira sem beira


tão retilínea deusa das águas


oxum das fontes mãe cachoeira



tão pura vais e assim me inspiras


lavas a alma de quem tem ira


lavas os pé de quem tem sede


levas o medo de quem te mira



lavas e levas por muitas léguas


todas as águas todas as regras


em tuas saias águas se acalmam


mas nas anáguas não te dão trégua



tua força vã de vida e morte


tua energia sã de parto e corte


altiva e prata oh deusa Itiquira


de um salto saltas tua aura em tiras



inteira aos pingos cachos de chuva


encanto aos mimos véu de viúva


abro meus braços e a ti me entrego


como um escravo contra seu servo



e assim me rendo ao eterno sino


o que cai nas águas prova o divino


não prova nada o teu banho santo


tua água é rasa profundo é o manto

Um comentário:

Emiliano disse...

Muito bom todos os poemas. Adoro desfrutá-los !!