
"OU A GENTE SE RAONI
OU A GENTE SE STING"
LUIS TURIBA
Este verso será lema do encontro Belô Poético
Carlos Marcelo
Publicação: 05/05/2010 08:20
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| "Tenho saudades de tudo que não posso mais fazer", diz o poeta |
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Fundamental para quem quer percorrer a literatura de um dos mais respeitados criadores do país, a Poesia completa liga os tempos desse poeta de olhar comprometido com aquilo que parece banal ao homem comum. Começa com os Poemas concebidos sem pecados que vem do distante 1937, quando o autor estreou na poesia. "Um dia um caracol se pregou nas minhas palavras. Ele produzia o som das origens", conta Manoel de Barros em entrevista por e-mail ao Correio.
Sem escrever desde 2007, quando lançou Memórias inventadas III (a terceira infância), Manoel de Barros traz em Menino do mato reminiscências poéticas do tempo em que brincava livremente. Ele que "sempre encontra o nascimento na ponta do lápis", frase que costuma dizer, mergulhou nas lembranças onde brincava com os bichinhos do chão. "O abandono me cuidava", diz.
O senhor acaba de publicar Poesia completa. Para um menino que acabou de descobrir a poesia, o senhor sugeriria algum itinerário para essa edição?
Em Menino do mato, eu fui abençoado pelas insignificâncias. Só brincava com os sapos, as formigas, as lagartixas e com outros bichinhos do chão. O abandono me cuidava. Minha palavra ficou pregada nas insignificâncias. Dou mais valor a um passarinho do que a uma bomba atômica.
O que mudou, ao longo do tempo, na lida com as palavras?
Um dia um caracol se pregou nas minhas palavras. Ele produzia o som das origens. Ali minha indigência verbal se enriquecia e os absurdos do caracol se tornavam quase divinos.
Quando o senhor foi mais criança? Reconhece a sua infância nos seus netos e bisnetos ou tudo está muito diferente?
Acho que as percepções da natureza infantil, que são as nossas verdades fundamentais, são diferentes das percepções observadas nas cidades. Nas percepções citadinas entra pouca natureza.
Onde se esconde a infância da palavra? Como encontrá-la?
Acho que um certo descomportamento vindo da ignorância infantil pode mudar a feição da natureza. A visão infantil distorce a natureza. Assim: Eu vi a tarde correndo atrás de um cachorro. Não aspiro nada mais poético que uma visão infantil. Assim: Eu vi um arrebol no olho de um passarinho.
Fazer poesia é destampar a solidão?
Não faz bem destampar a solidão porque sem ela a gente fica mais incompleto. A solidão serve até para complementar o amor.
Em uma realidade congestionada de imagens e palavras, como recuperar os outros sentidos?
A imagem não destrói os sentidos - até multiplica-os.
O que o senhor ainda gostaria de ver nesse mundo?
Gostaria de ver funcionar esta frase de Cristo: amar os outros como a nós mesmos.
Além de Guimarães Rosa, que outros escritores brasileiros foram capazes de capturar "o gorjeio das palavras"?
Antes os poetas. Eles gorjeiam mais nas palavras do que os prosadores. Por exemplo: Bandeira, Drummond, Cecília - para falar dos mortos. Adélia Prado, Ferreira Gullar - entre os vivos.
Do que o senhor sente mais saudades? E do que mais gosta em seu atual cotidiano?
Tenho saudades de tudo que não posso mais fazer.
MENINO DO MATO
De Manoel de Barros. Editora Leya, 96 páginas. R$ 29,90.
POESIA COMPLETA
De Manoel de Barros. Editora Leya, 496 páginas. R$ 69,90.
Águas turvas, águas límpidas. A Barca Poética Brasília que navega pelo Lago Paranoá desde 2008 com poetas recitando versos e artistas levando prosas, papos e canções, zarpou hoje (domingo, 17/01/10) pela primeira vez este ano. Uma festa que terminou com um mergulho coletivo num recanto que foi batizado como "Poço dos Poetas", a menos de dois quilômetros da Barragem do Paranoá.
"Vamos lavar nossas almas e a poesia de Brasília mergulhando no "Poço dos Poetas" e tomando conta deste recanto encantador do Lago Paranoá", proclamou o Comandante Edmilson, timoneiro da Barca Brasília. Ele pretende convidar os artistas plásticos Gougon, Omar Frnco e Darlan Rosa para construírem totens que simbolizem a ocupação do recanto onde fica o poço poético.
Poetas de diferentes grupos, como OiPoema, Poesia da Lua, Coletivo de Poetas, Tribo das Artes, mergulharam no poço, nadaram até o cerrado que fica às margens do Lago e depois homenagearam Noel Rosa, cujo centenário de nascimento será comemorado este ano, relembrando velhas canções do Poeta da Vila tais como "Com que roupa", "Seu garçon" e outras.
Neste primeiro semestre de 2010, todos os fins de semana de Lua Cheia haverá recital na Barca Poética Brasília. O calendário será divulgado em breve.
Reynaldo Jardim lança seu 10º livro de poesia Sangradas Escrituras reúne produção de mais de seis décadas No próximo domingo, dia 13, em brancas nuvens, Reynaldo Jardim comemora mais um ano de vida. São 83, de uma vida cheia de poesia, escultura, artes gráficas, jornalismo e agitação cultural. A grande comemoração, no entanto, será três dias depois: na quarta-feira, dia 16, será lançado seu décimo livro, Sangradas Escrituras, que reúne 65 anos de produção poética. A obra está dividida em duas partes: Retaguarda e Revanguarda. A primeira privilegia a palavra como ferramenta e a segunda prioriza a imagem, com poemas visuais. Serão apenas 300 exemplares, numerados e assinados pelo autor, com patrocínio da BB Seguros. Na vida de Reynaldo Jardim, a poesia sempre esteve presente. Ainda na adolescência, escreveu cadernos e cadernos de poemas, feitos como exercício, sobre os mais diversos temas. Em 1968, em plena ditadura militar, fazia, diariamente, um poema comentando o assunto do momento, que era apresentado ao vivo no Jornal de Vanguarda, da TV Rio. Repetiu essa experiência de "comentarista poético" na Revista Bundas e no Jornal do Brasil, já no século XXI. Antes de Sangradas Escrituras, publicou nove livros: Joana em Flor; Joaquim e outros meninos; Maria Bethânia, guerreira, guerrilha; Paixão segundo Barrabás; Science Ficcion; Bugreiros; Cantares Prazeres; Lula – panfleto rapsódia; Viva o dia! (poemas para crianças) e Lagartixa Escorregante na Parede de Domingo. "Há pouco tempo descobri que realmente era poeta", conta Reynaldo Jardim, a quem o jornalismo envolveu mais que a poesia por longas décadas. A partir da década de 50, comandou sucessivas revoluções, gráficas e editoriais. Criou e dirigiu o Caderno B – o primeiro caderno cultural do país - e o Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, porta-voz do Concretismo e do Neo-concretismo. Ainda no Rio de Janeiro, implantou reforma total no Correio da Manhã e em O Jornal, criou o jornal escola O Sol e dirigiu a Revista Senhor. Trabalhou em jornais de diversos estados: Diário do Paraná, Correio de Notícias e Jornal do Estado, no Paraná; O Liberal, no Pará; A Crítica, no Amazonas; Jornal de Brasília e Correio Braziliense, no DF; Diário da Manhã, em Goiás. Se dedica também a escultura, tendo feito exposições individuais de suas produções Ginastas e Tatus de Cateto. Já montou balé, já fez música, já participou de seis filmes. Seja na imprensa brasileira - jornais, revistas, rádios e tvs – seja na literatura ou nas artes plásticas e visuais, por onde andou, Reynaldo Jardim imprimiu a modernidade de seu pensamento e idéias, libertas de algemas e preconceitos de qualquer espécie. Mente livre e solta, repleta de criatividade. Incansável, não esgota sua capacidade de escrever, desenhar e fabricar idéias, diariamente. São poemas, crônicas, gravuras, que continua enviando para todo o País. Essa produção ininterrupta fez com que a finalização de Sangradas Escrituras levasse quase uma década: a cada dia o autor surgia com mais poemas. Batido o martelo "aqui não entra mais" – já eram quase 1.200 páginas, ele começou a produzir outros livros. Já estão prontos Íntima Grafite, de haikais eróticos e Catecismo Pagão. Mas nem só de poesia vive Reynaldo Jardim. Sua mente agora está ocupada com um projeto diferente: planeja toda uma cidade, Futura, um lugar onde as pessoas possam viver em harmonia entre si e com a natureza. Já bolou até a igreja da cidade: Templo da Liturgia Estética, onde os cultuados serão os grandes artistas de todos os tempos. Serviço: lançamento do livro Sangradas Escrituras, de Reynaldo Jardim dia 16 de dezembro, quarta-feira 19h Bar Brahma (201 Sul, Bloco C) – Brasília mais informações: (61) 9265 7848 |
Poesia com flerte e imã em plena lua cheia
Luis Turiba
Poetas brasilienses se reúnem no Café Martinica para flertar com a lua cheia
Alguém aí ainda se lembra como se flerta? Imagine, então, numa noite de lua cheia, onde você pode até ofertar um imã poético a pessoa flexada como prova de um flerte sincero, puro e inofensivo.
"Flerte que te quero flerte". Este será o tema do recital de poesia a ser realizado na próxima lua cheia, 17 de novembro, terça-feira, no Café Martinica, na 303 Norte, a partir das 20 horas.
Vão participar da performance os poetas Angélica Torres Lima, Alberto Breciani, Ariosto Teixeira, Carla Andrade, Luis Turiba, Nicolas Behr, Paulo José Cunha e Vicente Sá.
O homenageado da noite será o poeta VIRIATO GASPAR. Maranhense vive em Brasília desde 1978. É jornalista e funcionário de carreira no STJ. Publicou Manhã Portátil (em 1984); Onipresença (em 1986); A Lâmina do Grito (em 1988); e Sáfara Safra (em 1996). Tem inéditos dois livros de poemas e um de contos e está preparando um livro de Salmos em linguagem moderna. Participa de diversas antologias poéticas e tem ganhado vários prêmios literários, tanto em Brasília quanto no Maranhão.
O flerte é uma atitude humana que acontece após o olho no olho e antes da paquera propriamente dita.
O flerte está presente em todas as escolas poéticas. Flertaram românticos, modernistas, a geração de 45, os concretistas, os vanguardistas, os marginais e até os pós-modernos.
O flerte, por exemplo, foi uma das bases para o desenvolvimento da bossa-nova.
"Este seu olhar/ quando encontra o meu/ fala de umas coisas/ que não posso acreditar."
Durante o recital serão vendidos pequenos (mas eficientes) imãs poéticos para você colocar na geladeira da pessoa amada, em seu computador ou seja lá onde você bem desejar. É o projeto "Imã com rimas", cujo objetivo é ocupar todos os espaços imantados com poesia.
Enfim, será uma noite inesquecível com uivos e verso. E não se esqueça de jogar um pouquinho de colírio nos olhos, pois eles ainda são os melhores imãs para um bom flerte.
Maiores informações com Paulo José Cunha: 61-9983-4590
Pernambucano, criado no Rio de Janeiro, radicado em Brasília. Fundou a revista de poesia experimental BRIC-A-BRAC, em Brasília, em 1985. Na poesia, tem militância ativa há mais de 30 anos. Publicou seu primeiro livreto, Kiprokó, em 1977, no Rio de Janeiro. Em Brasília publicou Clube do Ócio, em 1980, Luminares, em 1982; Realejos, em 1988; a antologia Cadê?, em 1998; e Bala, em 2005.
Atende pelo e-mail turibapoeta@gmail.com