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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

VÁ AO JAPÃO E SE PERCA PELAS RUAS DE TÓQUIO


Por Luis Turiba

Você já foi ao Japão? Não. Então vá. Mais no meio do caminho tem uma escala. Senão, é impossível chegar lá.

Visitar Tóquio pode ser a viagem da sua vida, aquela que faz parte das suas mais longínquas utopias. Afinal, a ilha do Sol Nascente pulsa no imaginário coletivo da sociedade brasileira. Para tanto, prepare-se física, financeira e espiritualmente para mergulhar no paradoxal universo nipônico.

De Brasília até capital japonesa, por exemplo, são cerca de 20 mil quilômetros, o que corresponde a mais de 30 horas de vôo sobre diferentes mares e oceanos. A viagem em si já é uma aventura, pois distância e tempo trazem profundas modificações no seu metebolismo. Lá é dia, aqui é noite.

Ao desembarcar em Narita, cidade que fica a uma hora e meia de Tóquio, começam outras aventuras. A primeira delas, é a comunicação.

A língua é outra, o visual também, os costumes, então, nem se fala.

Bem, verdade é que língua é barreira e não fronteira. Não existem fronteiras para quem sorri e é justamente com sorrisos que o japonês irá lhe receber. Sorria também e vá logo aprendendo a agradecer curvando o corpo: arigatô gozaimasshita!

Certamente, ao andar pelas ruas você irá tropeçar em multidões que cruzam, disciplinadamente, os semáfaros de Tóquio. Atenção, pois lá a mão é inglesa, ou seja: carros na contra-mão.

Aproveite: tire fotos, coma sushi, absorva o aroma único dos restaurantes, dos mercados, dos museus.

Não deixe de andar de metrô, pois certamente você se perderá se estiver sozinho. Aí, é uma aventura a mais para contar quando voltar ao Brasil.

Hay!

Pare para ver letreiros que piscam seus ideogramas em jogos lisérgicos de luzes e cores vendendo bugingangas eletrônicas e cibernéticas.

No Japão é oito ou oitenta e oito. É moto kawasaki 1800 ou quimono de fora dos templos dos samurais e tudo se comunica entre si por sorrisos de arigatôs ou notas de yenes trocadas por dólares numa casa de câmbio nos bairros de Ueno ou Akidabara.

PERDIDO EM TÓQUIO

...E de repente me perco pelas ruelas de Tóquio.

Saio da rua principal onde fica o hotel Waveblue, próximo à estação do metrô de Asakusa, e dobro a direita numa estreita e mal iluminada viela, de aspecto sombrio e com pequenas casas de dois andares dos dois lados.

A noite já vem chegando, o que é sinal que está amanhecendo no Brasil. Essa é uma experiência que costumo fazer em cidade onde sou totalmente estrangeiro. Dobro à esquerda e vou andando tranquilamente, dobrando esquinas aleatoriamente rumo a lugar algum.

Quando dou conta, estou perdido. Tudo lembra cenário de um filme de Kurosawa. Perder-se ao sabor do vento do Oriente como se estivesse hipnotizado pelo encanto de nada entender e estar do outro lado do mundo. Entro num empoeirado antiquário e vejo que uma peça milenar de um cavalo de ferro de um histórico samurai custa 180 mil yenes. Reviro meu bolso. Tenho 10 mil yenes. Impossível qualquer negócio, saio e sigo.

Logo adiante, abro outra porta para adentrar a uma loja sinistra, de onde exala um cheiro forte totalmente desconhecido de minhas narinas. Fixo o olhar e descubro que ali funciona um depósito de peixes secos. Grandes, pequenos, miúdos. Em caixas, em sacos, em unidades. Aquilo me paralisa profundamente. Fecho os olhos para melhor sentir o aroma do Oriente. Agradeço aos deuses a dávida de estar realmente no Japão. Arigatô!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

UMA TOKIO BEM PRA LÁ DE BRASILEIRA



Roda de samba no bar Alvorada, em Tokio. Todos cantam "Samba, a gente não perde o prazer de cantar"
Fotos de Maxtunay França
 
 Irasshaimasê!
Tokio é uma cidade muito grande para se conhecer plenamente em apenas 10 dias de visita. Por isso, curta ao máximo o que for possível dentro do seu roteiro e aquilo que estiver no caminho dos objetivos da sua viagem.
 
No nosso caso, estivemos lá para filmar cenas e entrevistas para o documentário "Samba no Japão", produção de Maxtunay França, da agência IN9, custeado pelo FAC-DF. Éramos quatro: além do diretor-produtor, o repórter-cinematográfico sergipano Luis Carlos Costa, a cantora de samba japonesa Masako Tanaka, a Mako, nossa intérprete, que mora no Rio e participa do grupo "Mulheres de Chico", e este que vos escreve, repórter do projeto.


Nosso hotel em Asakusa teve localização estratégica: próximo da estação do metrô, perto do rio Sumidagawa e a duas quadras do grande parque onde se localizam pelo menos cinco templos budistas do grande shogun Tokugawa. O templo de Sensoji, também conhecido como Asakusa Kannon, foi fundado no ano 645, sendo o mais antigo de Tóquio com 1300 anos de existência. Cada ano, cerca de 20 milhões de pessoas visitam esse templo, construído em homenagem à deusa Kannon.
A Kaminarimon (Porta do Trovão) dá acesso à rua Nakamise Dori, um bulevar comercial com mais de 90 pontos-de-venda que leva o visitante até Hozomon (Porta do Tesouro), a entrada principal do templo. Nessa via comercial, você poderá comprar uma infinidade de produtos típicos, tais como: osembe (o famoso biscoito japonês), hachimaki (fita típica para a cabeça), kimonos e souvenires dos mais variados tipos.
No recinto do templo de Sensoji, também poderá ver o O-koro, um grande incensório. De acordo com a tradição, a fumaça desse incensório fortalece os fracos e cura os doentes. Se sobrar um tempinho, aproveite para ver o Demboin, um verdadeiro oásis de tranqüilidade e espiritualidade em forma de jardim. O parque é lindo, repleto de flores e de belos recantos, bem cuidado ao extremo e com imagens de Budas aqui e ali. Tudo nesse parque celebra a paz e o bem-estar entre os humanos. É o espaço mais tradicional na capital japonesa.


Antes de visitar o templo principal, você pode participar da cerimônia de purificação. Na fonte sagrada, beba no mínimo três goles de água límpida. Em silêncio absoluto, suba as escadas do templo e vá até o altar de Buda, harmonizado por arranjos florais. Mestres estarão lhe acompanhando nessa cerimônia e, ao final, se você for escolhido, ganha uma pulseira de pedrinhas marrons e brancas - sinal de sorte e prosperidade para sempre.
Há também inúmeros restaurantes tradicionais em torno do Parque Budista. Alimentação à base de arroz, com uma variedade enorme de sushis, tempurás, missoshirus, yakissoba, sunomomo, hamrumaki, sobas e outros pratos que se eternizarão em seu paladar. Lembre-se: toda a alimentação é acompanhada de chás. Arranjos de ikebana e bandeirolas com ideogramas fazem parte do visual.


Ah, sei ! Você quer fugir um pouco do Japão tradicional. Busca a modernidade nipônica, né? Hay! Vão aí duas dicas: 1ª - pegue o metrô Ginza Line (Linha laranja) e vá até a estação de Shibuya, onde fica aquele famoso cruzamento de seis diferentes avenidas e todo mundo atravessa ao mesmo tempo. Na praça de Shibuya você poderá tirar fotografias com a estátua do cão Hachiko, famoso personagem do filme "Sempre ao seu lado" e dar uma volta no entorno para conhecer as lojas mais fashion de Tokio, onde centenas de meninas literalmente fantasiadas como bonequinhas tomagotchis ao estilo de Amy Winehouse. Saias curtíssimas, celulares cheios de correntes e balagandans, saltos altíssimos e andares trôpego cruzando as pernas. Falam o tempo todo ao celular e nunca se tocam. Os rapazes também botam pra quebrar. Quase todos têm as sobrancelhas bem definidas, trabalhadas milimetricamente, usam óculos com aros bem grossos e se maquiam a valer. É a porção gay do Japão.


Mas se você gosta mesmo é de bugingangas eletrônicas, o rumo é outro, o da estação de Akihabara, onde fica o hipermercado Yodobashi, com seus nove andares de aparelhagens digitais. Reserve no mínimo umas quatro/cinco horas para essa visita. É lá que você pode adquirir um tablete iPad 64 gigabites por apenas R$ 1.400,00 ou 65 mil yenes. Por um de 32 gigabites você vai pagar 49 mil yenes, ou mil reais com o compromisso de só abrir o bichinho fora do Japão. Ah, você terá um desconto (tax free), mas a nota fiscal ficará presa no seu passaporte e será recolhida pela guarda alfandegária japonesa.

 

 


MEU JAPÃO BRASILEIRO


A paixão do povo japonês pelo samba brasileiro é coisa antiga e verdadeira, que já está virando tradição. Há mais escolas de samba no Japão do que em Brasília, por exemplo. Enquanto na capital brasileira são três ou quatro no primeiro grupo, lá são 10. Há 31 anos essas escolas desfilam sempre no final de agosto pela avenida principal de Asakusa, fechando o verão no Oriente. Cerca de 500 mil pessoas vão às ruas assistir à folia, todo mundo com máquinas de fotos à mão. Embora com roupas bem mais comportadas (o fio dental ainda não chegou por lá), é aquele festival de flashes em cima das japonesas que falam no pé.
Fomos a Tokio documentar esse encantamento. Esse ano, infelizmente, por causa do terremoto/tsunami não teve o desfile, mas houve um grande encontro promovido pela Liga das Escolas de Samba no porto de Yokohama. Para os brasileiros presentes, foi emocionante e inesquecível. É como diz um samba de Cacá Pereira: "dos meus olhos o Japão/ coisa mais linda/ não sairá/ (...) leva meu samba brasileiro/ sayonara."


Imaginem, pois, uma bateria com 350 japoneses, sendo que só o naipe de cuíca contava 25 instrumentos tirando onda e fazendo um som que lembrava as grandes baterias do Rio de Janeiro. Primeiro, houve um minuto de silêncio. Mas em seguida, resoou o grito de "chora cavaco" e dezenas de agogôs, caixas, repiniques, tamborins, surdos marcando com firmeza e a galera mandando ver no pé e principalmente com os braços.
Durante uma hora todas as baterias tocaram juntas, depois cada qual fez seu show particular. A Escola Alegria, verde-e-rosa como a Mangueira, campeoníssima do carnaval de Asakusa, fez um arranjo para os agogôs, misturando música oriental com samba. Foi de arrepiar.
Mas o samba está presente no dia a dia da cultural nipônica. A japa-carioca Mako, por exemplo, fez uma temporada de 15 shows do show Brasileiríssima, nesse verão japonês. Se apresentou, inclusive, com o virtuoso trio Choro Club, no pub Livehouse, cantando sambas de Guilherme de Brito e Nelson Cavaquinho. Também houve rodas de samba nos bares "Folha Seca", "Praça 11", "Balança mas não cai", "Alvorada", todos localizados em diferentes bairros de Tokio. Lá, entre tantas atrações, podemos ouvir a japonesa Yoshimim Katayama, que canta choro e se considera sucessora da veterana Ademilde Fonseca. Isso sem falar do legendário produtor Katsunori Tanaka, que gravou mais de 15 CDs com históricos sambistas brasileiros no Japão, entre os quais a Velha Guarda da Portela, Monarco, Xangô da Mangueira, Guilherme de Brito e Nelson Sargento.


Metrô, uma cidade por baixo de Tokio


O metrô que serve à capital japonesa – Tokio Subway – é uma história (cidade) à parte e traduz muito bem o espírito tecnológico e a praticidade nipônica. Olhando o seu mapa, super colorido e repleto de ideogramas, vamos descobrir uma plástica teia de linhas, estações, entrocamentos que as vezes chegam a quase meio quilômetro abaixo da terra com jardins, passarelas, shoppings e restaurantes.
São 13 linhas com cores e nomes diferentes e outras seis de trens urbanos, inclusive os trens-bala e os expressos, que se conectam entre si em mais de 200 estações diferentes e transportam diariamente mais de cinco milhões de pessoas. De Narita, você pode pegar um trem direto para Tokio, estação de Asakusa, e depois fazer conexões. São 40 minutos de viagem e custa 400 yenes.
Para um visitante estrangeiro (brasileiro, principalmente), mergulhar numa cidade de transporte como o metrô de Tokio, pode parecer um desespero e uma aventura sem saída. Mas, (vírgula aqui) muita calma nessa hora. Com um mapa na mão e um inglês básico, você chega até com facilidade ao seu destino. Os guardas, sempre de camisa social listrada e quepe, são atenciosos e pacientes com turistas.
O "Route Map" vai lhe indicar o rumo. Guarde-o sempre, dentro do passaporte. No mais, dinheiro para comprar o tíquete e saber exatamente aonde deseja ir. O preço da passagem (em yen, é claro) você vai descobrir no mapa em inglês que fica ao lado das máquinas. Da estação de Asakusa até Shibuya, por exemplo, custa 190 yenes. Você pode colocar até dez mil yenes,(vírgula aqui) que a máquina irá lhe devolver em fração de segundo seu troco direitinho, sem tirar nem pôr.
Toda estação de metrô é muito bem sinalizada. É só seguir a cor da linha que você vai usar e ir passando pelas catracas. Mas cuidado: não ande na contra-mão, que você pode ser atropelado pela multidão que vem em sentido contrário. Japonês quando se esbarra não pede desculpas. Por isso, olhe para o chão e siga as setas. Às vezes há umas cinco catracas pra entrar e outras tantas pra sair. É só colocar o tíquete e a máquina lhe devolve. Depois da viagem, na saída, a catraca fica com o bilhete.
O povo japonês não se comunica no metrô, onde é proibido falar no celular. Mas todo mundo fica plugado. Ninguém olha pra ninguém. A individualidade é super-preservada. Todos teclando seus celulares o tempo todo. Passando mensagens, respondendo, fazendo joguinhos. Ou lendo livros e jornais, de trás pra frente e na horizontal.
Uma da madrugada o metrô pára. Bem à noite, depois de jornadas de trabalho que duram até 12 horas seguidas e muitas doses de saquês, os japoneses apagam na viagem de volta para casa. Alguns dormem em pé, aproveitando o trem cheio.
Nos vagões, o serviço de comunicação com os passageiros é permanente. Anunciam estações e até acordam os bebuns. Quando o metrô freia bruscamente, eles caem por cima de quem estiver mais próximo.

 


QUATRO DICAS PARA UMA BOA VIAGEM AO JAPÃO


1 - Prepare com antecedência sua viagem
Lembre-se: o Japão fica do outro lado do mundo. Enquanto aqui é meio-dia, lá é meia-noite. Isso parece óbvio, mas é justamente por essa diferença de 12 horas a favor deles, que devemos nos preparar bem para a viagem. É fundamental que você escolha uma boa, experiente e confiável agência de viagem. Ela, certamente, irá lhe apresentar um cardápio de roteiros, empresas aéreas, hotéis e preços que variam bastante. Nem sempre é obrigatório voar para Narati pelos Estados Unidos. Há interessantes roteiros pela Europa - Londres, Paris, Roma, Frankfurt. Você pode até fazer escalas de um ou dois dias nessas capitais. Há também roteiros pelo Oriente Médio, via Dubai. É mais caro e mais charmoso. Outra coisa: o Japão exige Visa para visitantes entrarem em seu território. Quem libera a documentação são os consulados japoneses espalhados pelo Brasil. Exigem: Declaração de Imposto de Renda do ano, comprovante de emprego e renda mensal, passagem de ida e volta e foto atualizada;
2- Como enfrentar o jet lag de uma viagem de 24 horas
Prepare-se, pois o corpo vai sentir as 24 horas de vôo e a mudança radical no fuso horário. Há uma recomendação clássica para que você comece a tomar gotas de arnica três dias antes do embarque. É um medicamento antroposófico indicado para contusões, fraturas, distenções contraturas, restrição de movimentos, pós-operatório excessos musculares, reumatismo e até infarto do miocárdio. Ajuda bastante, pois normalmente são 12 por 12 horas de vôo. No avião, além da arnica, procure se exercitar. Ande pelos corredores de tempo em tempo, faça alongamento depois de 3 horas sentado(a), procure movimentar joelhos e a musculatura das pernas e dos braços. A bordo durma à vontade, mas lembre-se que ao desembarcar seu corpo e sua mente sentrião a diferença de horários. Você pode ter sonos de dia nas primeiras 24 horas em território japonês. Faça força mental para se adaptar. No terceiro dia tudo começa a voltar ao normal;
3- Quem não comunica se trumbica
Qual o objetivo de sua viagem? Turismo, negócio, trabalho. Se você entende e se comunica em japonês (kanjins = ideogramas), tudo bem. Mas se não, seja qual for o motivo da ida ao Japão, um tradutor ou uma intérprete é fundamental para o seu bem-estar e o sucesso de sua viagem. Imagine você desembarcando no aeroporto de Narati e, depois dos protocolares despachos alfandegários, não ter ninguém lhe esperando do saguão externo. Sim, há um serviço de informação para turistas em inglês e você terá mapas e roteiros e, certamente, saberá como chegar ao seu hotel, onde fazer seu câmbio, etc e tal. Mas ter um serviço nativo para passeios, negócios ou trabalho facilitará em 98% sua viagem. Japonês se comunica pelo sorriso e não é todos que falam inglês. No mais, nada de toques, beijinhos e intimidades. Eles não gostam de ser tocados;
4- Cuide de seus Yenes

Tokio não é uma cidade tão cara como Londres ou Paris, mas também não é tão barata como Buenos Aires ou Lisboa. Em termos de custo de vida (hotel, alimentação, lazer, transportes), digamos que há uma correpondência com o Rio de Janeiro, São Paulo ou Madri. Ao cambiar mil dólares americanos, você terá no bolso 73 mil yenes. Com 50 mil yenes você pode comprar, por exemplo, um iPad 2 de 32 megabites, o que no Brasil você não compra por menos de R$ 1.800 reais. Sim, no Japão máquinas fotográficas (Nikon, Cannon) e outras equipamentos eletrônicos são bem mais baratas que em qualquer outra parte do planeta. Aproveite e faça a festa.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

POEMAS DE UM VÔO SOBRE O MAR DO NORTE


 Luis Turiba
 
 
    - 1 -
 
voltar do Japão
é voar atrás de uma noite
que vai à frente
lá pertinho de Moscou 
 
     - 2 -
 
peixes costuram
oceanos
praias bordam
 
 
    - 3 -

A Sibéria
é gelada
como um sorvete
haange-dazs
 
só que não dá pra chupar
 
 
    - 4 -
 
soldados
saiam de Honolulu
para atacar Saigon
 
voltavam Ho Chi Min
 
 
    - 5 -
 
Nova Deli
de uma velha
(e boa) Índia
 
 
     - 6 -
 
impuras
de Singapura
não vão à
Budapeste
 
 
      - 7 -
 
Jacarta
fora do baralho
 
    
            - 8 -
 
Tokio tem a linguagem do riso
Rio tem a linguagem do toque

sábado, 27 de agosto de 2011

JAPÃO FESTEJA O VERÃO COM FOGOS DE ARTIFÍCIO E MUITO SAMBA

 
Luis Turiba, de Tokio
 
Imaginem uma bateria com 350 japoneses, sendo que só o naipe de cuícas eram 25 tirando onda e fazendo um som que lembrava as grandes baterias do Rio de Janeiro. E mais: dezenas de agogôs, caixas, tamborins, surdos marcando com firmeza e a galera mandando ver  pé. Agora pense bem: isso ocorreu na tarde de sábado, dia 27, em Yokohama, cidade portuária a hora e meia de Tokio, exatamente do outro lado do planeta de onde fica o Brasil.
 
Foi com muito samba e uma queima de fogos de artifícios que durou uma hora e meia, que o Japão festejou o verão e saiu do luto das milhares de vítimas do terremoto e tsumani que sacudiu o país em março desse ano.
 
No porto de Yokohama, as 10 maiores escolas de samba do Japão se juntaram para fazer uma grande confraternização. Antes do presidente da Liga das Escolas de Samba Japonesas, o mangueirense Matsushita Yoichiro, dar o grito de "choro cavaco", todos os presentes na festa que reuniu cerca de três mil pessoas, fizeram um minuto de absoluto silêncio. No mar, um barco pesqueiro deu uma longa apitada e todos os presentes se emocionaram bastante. A escola de samba Saúde, totalmente inspirada na carioca Mangueira, foi a última a se apresentar com suas fantasias verde e rosa. Duas japonesas vestidas de bahianas e uma ala de japinhas foram os destaques.
 
O samba comeu solto até o final da noite. Há 31 anos, as escolas desfilam na Avenida Central de Asakusa, mas esse ano o desfile foi substituido por uma confraternização. Em 2012 o desfile promete ser ainda mais grandioso, mas antes os japoneses vêm ao Brasil desfilar na Sapucaí.
 
Em Asakusa, próximo ao centro de Tokio,  houve uma grande queima de fogos de artificios e as ruas do bairro ficaram apinhadas de gente. O espetáculo durou cerca de duas horas. Praticamente todas as japonesas, especialmente as mais jovens, vestiram seus quimonos e se embelezaram para celebrar o fim do verão.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

LAVABUMKU, um poema Kodak-Nikon



Luis Turiba
 
ao entrar no banheiro
a tampa do vaso levanta-se
automaticamente dando-lhe
boas vindas e convidando
a sentar-se:
fique a vontade
 
do lado direito
um comando com botões
 
o do meio tem o desenho
de um bumbum e limpara
seu traseiro com jatos de
água quente
 
é o lavabumku
.... só pára quando você aperta o stop
 
Enviado de um iPhone 4G



SAMBISTAS DE ASAKUSA FAZEM APRESENTAÇÕES LEMBRANDO TERREMOTO

 
 
Luis Turiba, de Tokio
 
As ruas do bairro boêmio (e também budista) de Asakusa não receberão este ano milhares de japoneses apaixonados pelo samba num desfile que já dura 30 carnavais. Respeitando o luto dos que perderam parentes no terremoto seguido de tsunami de março, o desfile deste ano foi suspenso.
 
Mas como o samba não  pode parar (êta chavão!), nem do outro lado do mundo, haverá hoje uma grande apresentação das maiores escolas de samba udo Japão, na cidade e Yokorama, a duas horas de Tokio. Estaremos lá documentando tudo para o filme "Meu Japão brasileiro", de Maxtunay França, agencia IN9.
 
Se apresentarão as escolas Alegria, Liberdade, União, Bárbaros, Arrastão, Vermelho e Branco, Saúde, Festança, Lamuzu. À noite, haverá uma grande queima de fogos de artifícios em Asakusa, para celebrar a recuperação japonesa depois do terremoto devastador.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

IMPRESSÕES DO JAPÃO

LÍNGUA SORRISO
 
Luis Turiba
 
totalmente estrangeiro na ilha do Sol Nascente
a língua é uma barreira não uma fronteira
não existem fronteiras para quem sorri
ando de metrô almoço pago contas
como sushi e tropeço na multidão
Hay!
tiro fotos compro pão suco de laranja
manteiga e café na loja de conveniência
próxima ao hotel
Hay!
atravesso ruas obedeço à mão inglesa
páro para ver letreiros que piscam seus
ideogramas em jogos lisérgicos de luzes
e cores vendendo bugingangas
eletrônicas e cibernéticas 
Hay!
parece até que já andei por aqui pois
por tras de cada japonesa existe
um sorriso tímido quase gueixa e algumas
até arriscam comunicação com um breve
tchauzinho e mão de concha na boca
Hay!
gosto das meninas e das jovens que
se fantasiam de bonecas tomagotchs
e andam trocando pernas como Any
Winehouse pelos cruzamentos do Shabuia
com seus sapatos rosas choque e meinhas
de babados coloridos e mini saias esvoaçantes 
Hay!
e também dos meninos que fazem sobrancelhas
e usam óculos com aros pesados e coloridos
são hippies da modernidade oriental
com uma porção gay pulsando nos olhos de amêndoas
Hay!
quem não se comunica se trumbica dizia
Chacrinha mas aqui dentro do metrô não há
comunicação de olhares como no Rio
se esbarram ninguém pede desculpa nem sorry
aqui ninguém vê ninguém e todos teclam seus
celulares para mensagens ou lêem livos com
frases na vertical
Hay!
no Japão é oito ou oitenta e oito
é moto kawasaki 1800 ou quimono de fora
dos templos dos samurais
e tudo se comunica entre si por sorrisos de
arigatôs ou notas de yens trocadas por dólares
numa casa de câmbio de Ueno ou Akidabara
 
                         Tókio, 23/08/2011
 
 
 
 


terça-feira, 23 de agosto de 2011

MUITO SAMBA NO VERÃO QUE O JAPÃO RECUPERA-SE DO TERREMOTO



Mako canta com o grupo "Choro Clube", músicas de Guilherme de Brito e Nelson Cavaquinho. Foto de Maxtunay França, produtor do documentário "Samba no Japão", agência IN9
 
 
Tókio, 22 Agosto; Luis Turiba
 
Quando aquele japinha com cara de nerd tipo corredor de seguros da Bolsa de Valores de Tókio, segurou o microfone, entrou no samba e mandou com um jeitão carioca "peixeiro, granfino/ sai da cozinha/ chama a mamãe/ menino", de Candeia, aí sim, me toquei verdadeiramente que estavamos diante de um evento extraordinário.
 
O bar-churrascaria "Que bom", no bairro Asakusa, estava lotadaço com a roda de sambas e pagodes que Den, cantor e compositor japonês, organiza todas as terças. Assim que o samba esquentou com ele levando Zeca Pagodinho - ""Ai que saudade do meu amor"- todos os japoneses, inclusives as mulheres e as crianças, puxaram seus chocalhos e começaram a acompanhar absolutamente ritmados.Alguns ropiavam pandeiros no polegar e o samba seguiu rumo a madrugada do verão japones.
 
Den é líder do grupo "Balança mas não cai" e já gravou 5 CDs de sambas. O primeiro deles gravado no Rio de Janeiro com o título de "Feijoada com sushi", samba de Sombrinha e Arlindo Cruz. Deste CD, produzido por Túlio Feleciano, teve a participação de Zeca Pagodinho, Beth Carvalho e Fundo de Quintal.
 
SAMBA NO VERÃO JAPONÊS
 
Este ano não será igual aquele que passou.
Respeitando o luto das famílias de milhares de japoneses mortos e desaparecidos durante o terremoto e o tsunami, não haverá o desfile das escolas de samba de Asakusa. São 12 escolas do primeiro  grupo e 10 outros do segundo grupo.
O Japão, país budista, está sensibilizado ainda. Mas o samba continua firme nesse verão quente e chuvoso. Muita gente nas ruas, muitas celebrações e, porque não, muito samba nas tradicionais casas brasileiras.
 
A japa-carioca Mako que está fazendo temporado em Tókio, fez uma brasileiríssima apresentação no Livehouse acompanhado do trio "de Choro Clube", cantando músicas de Guilherme de Brito e Nelson Cavaquinho. A interpretação de "Folhas Secas" e "Gostas de Luar" foi tão bem recebida que mereceu pedidos de bis.
 
O famoso bar "Praça Onze" prepara-se para receber Moreno Veloso, que fará uma excursão pelo Japão.
No sábado, ao invés do tradicional desfile,haverá uma confraternização entre todas as escolas e os sambistas locais. Prevista tambem uma queima de fogos de artifício para celebrar a recuperação do Japão.
 
Enviado de um iPhone 4G