quinta-feira, 11 de novembro de 2010
E O LULA TÁ "E NEM..." AÍ PARA O E NEM.
sábado, 18 de setembro de 2010
EN LAS CATACUMBAS DE BARAJAS
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
VAMOS REFLETIR UM POUCO SOBRE AS ELEIÇÕES
Baixo saneamento tem a ver com saúde e meio ambiente. Aumenta a incidência de doenças e a deterioração ambiental urbana. Dados do IBGE mostram que oito anos de governo Lula não reduziram a calamidade dos indicadores. José Serra, candidato da saúde; Marina Silva, da sustentabilidade, falam pouco do assunto e lutam para sair na foto ao lado de Lula.
O mais relevante numa eleição da perspectiva de um candidato é, evidentemente, ganhar a eleição. Mas da perspectiva do eleitor, o melhor é que se aproveite o momento para discutir os problemas e tirar dos candidatos compromissos para superá-los. A oposição tem a obrigação de falar tudo o que não está funcionando, apontar o dedo para todas as feridas. Para isso é oposição. Esse debate influenciará as políticas públicas independentemente de quem for eleito. Se a oposição se amedronta com os índices de popularidade do governante e não pode fazer seu papel, o país é que sai prejudicado.
Marina Silva, nas brigas dentro do governo por políticas públicas de proteção ambiental, encontrou uma sistemática e implacável adversária: Dilma Rousseff. Foi a ex-ministra das Minas e Energia e ex-chefe da Casa Civil que disse não a projetos de sustentabilidade, afastou Marina das decisões de projetos na Amazônia, engavetou a criação de áreas de proteção, revogou conquistas na luta pelo equilíbrio entre desenvolvimento e meio ambiente. Marina sabe disso. Sabe porque viveu. No dia do lançamento do primeiro PAC, enquanto o laser pointer de Dilma Rousseff cortava a Amazônia sem cerimônia, Marina se encolhia derrotada, longe do palco e perto da saída do governo. Mas até agora não disse isso ao eleitor. Não contou o que sabe e viveu. Não mostrou o risco para o meio ambiente que representa a vitória das ideias defendidas pela sua adversária. Se for resumir tudo o que ela disse nas entrevistas, debates e programa eleitoral não se consegue saber exatamente o que a fez sair do governo.
José Serra é líder de um partido, o PSDB, que já governou o Brasil por oito anos. Sabe onde foi que o governo atual errou e erra. Fala pouco desses erros. Prefere tentar o impossível: disputar com Dilma a sombra do presidente Lula. Ora, Lula fez sua escolha, sua candidata é Dilma Rousseff. Cabe aos outros fazerem oposição. Marina acerta quando ataca Serra, como fez ao apontar os erros da gestão tucana em São Paulo, no debate da Folha Uol. Esse é seu papel comoalternativa aos dois grupos que já governaram o Brasil. Erra quando poupa Dilma, sabendo tudo o que sabe. E erra porque está sonegando uma informação relevante ao eleitor. Marina nunca exibiria divergências de forma agressiva. Não é de sua natureza, nem aconselhável. Mas ser direta, clara e sincera sobre os riscos ambientais que o país corre, ela deveria ser, preservando o seu estilo elegante.
O Brasil está pegando fogo literalmente. O aumento dos focos de incêndio em todos os biomas não é coincidência. Há uma licença para queimar. Os riscos ambientais estão subindo assustadoramente. O Imazon divulgou um estudo mostrando que 29 áreas protegidas da Amazônia foram reduzidas ou extintas, entre 2008 e 2009, expondo à destruição um território quase do tamanho do Rio Grande do Norte. Coincide com o período em que o governo Lula afastou Marina Silva e deu maiores poderes a Dilma Rousseff. O estrago só não é maior porque por incompetência gerencial, a maior parte do PAC não saiu do papel, é só fumaça dos efeitos especiais para a campanha eleitoral.
Em saneamento, tucanos e petistas fizeram pouco, como tenho repetido neste espaço. Nos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso e nos quase oito do governo petista, os investimentos em saneamento básico foram baixíssimos. O Brasil tem dados vergonhosos para provar isso, como o IBGE acaba de divulgar: quase metade do país sem esgoto. A diferença entre os dois grupos políticos é que o governo Lula fabrica números falsos de investimento, e Dilma, confrontada com os dados verdadeiros, garante que os próximos indicadores serão bons. Aposta no mercado futuro de ilusões. Para aceitar como boa sua explicação é preciso acreditar que em 2009, ano de crise, o país deu um salto ornamental em saneamento básico, fazendo o que o governo Lula não fez em 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008.
Nos últimos dois anos elevaram-se assustadoramente as ameaças ao projeto econômico que nos trouxe a estabilidade monetária. O risco não vem do Banco Central, mas sim da ampliação de gastos de custeio, da criação de estatais, da intervenção política nas estatais existentes, da atuação desordenada do BNDES. Nunca o patrimônio da estabilização, herdado pelo governo Lula, esteve tão ameaçado. José Serra, do partido que venceu a inflação no Brasil, é incapaz de alertar para esses riscos.
O que é ameaçador nas eleições de 2010 não é a vitória do governo. O eleitor brasileiro é que tem o poder de, coletivamente, decidir quem é o vencedor, e por esse poder, que emana do povo, se bateram os verdadeiros democratas. O ameaçador é consolidar políticas imprudentes. Por isso, a oposição tem que fazer seu papel, sem temer a popularidade do presidente Lula. Esse tipo de consagração vem e passa. O país fica.
sábado, 14 de novembro de 2009
UM REI AFRICANO VISITA ARNIQUEIRA, BAIRRO PERIFÉRICO DE BRASÍLIA
Oba Gbadebo e Pai Marcos de Obaluaiê
Oba Gbadebo, rei africano da família de Xangô, visita o Brasil e faz seguidor em Brasília
Luis Turiba
Estamos todos diante de um rei. Não há como não reverenciá-lo e respeitá-lo, seguindo-o nos mínimos gestos da sua lúdica pregação no mais puro encantamento ioruba. A boca africana fala como se cantasse palavras sábias, de grandes e profundos ensinamentos para todo o universo. Sons soltos no cosmos.
Oba Gbadebo, 82 anos, nigeriano de Obomojô, uma das muitas aldeias de Oió, terra do Rei Xangô, majestático orixá da justiça da etnia yorubá. Kaó! Kabeecili! Kaó! Salve o rei que está entre nós vindo do coração da Mãe África.
Oba Gbadebo – se diz BadebÔ, comendo o G – visita o Brasil pela sexta vez. Vem sempre em missão planetária, diplomática, política, religiosa e também pessoal. Tem seguidores no Brasil, entre eles os babás Sholá, que é nigeriano mas mora em São Paulo; e Sebastião, que mora em Brasília.
Desta vez, o rei africano está cumprindo uma longa agenda que tem tudo a ver com as discussões planetárias – a Conferência Climática de Copenhague, por exemplo, é assunto de todas as suas conversas -; e também com os problemas internos do Brasil: da crise de Sarney ao apagão de Itaipu.
Há quem afirme secretamente, é claro, que o Oba foi o grande protetor do prefeito Kassab, de São Paulo, contra a candidata Marta Suplicy, cuja língua se soltou e andou falando demais contra homossexuais e perdeu uma eleição onde era favorita. Houve algo de feitiço naquele episódio, pois Marta, sexóloga de primeira hora, não poderia cometer tamanha gafe política numa cidade onde três milhões de pessoas vão a parada gay.
Mas depois de visitar São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Brasília, o rei Oba tem uma misteriosa agenda em Macapá, no Amapá, estado que elegeu o ex-presidente e senador José Sarney. Na intimidade, o presidente do Congresso é conhecido por acreditar nos poderes dos "encantados", como se diz no Maranhão.
Marquinhos agora é um príncipe
Mas na última sexta-feira 13, data cercada de energias transcendentais, Oba Gbadebo esteve em Brasília e realizou uma breve e singela cerimônia no terreiro de candomblé Ilê Omo Odé – na Colônia Arniqueira, entre Riacho Fundo e Núcleo Bandeirante.
Lá, na presença de poucos, mas significativos representantes da sociedade brasilienses – empresários, políticos, jornalistas -, Oba coroou o pai de santo Marco Antônio Pereira Oliveira, 45 anos, conhecido como Pai Marquinhos de Obaluaiê, como "Baba Aritê", ou seja: aquele que está preparado para ser um futuro Babalaô, profundo conhecedor dos segredos das florestas, cargo máximo dentro da dinastia de Ifá. Para ser Babalaô, Marquinhos terá de passar um tempo na Nigéria e será libertado na Floresta Encantada, onde passará 21 dias e terá que entrar no Ibodúroom, o quarto purificador de almas e ações humanas. Ou seja: o príncipe de Arniqueira terá pela frente uma missão transcendental. Acima dos babas, só os Obas, mas esses têm laços sanguineos com os ancestrais de Xangô, Oxun, Ogum, Obaluaiê.
Depois de distribuir axés a todos os presentes na cerimônia e confirmar Pai Marquinhos na nova missão, com muitos cantos e magias no orí, Oba Gbadebo recebeu um pequeno botoon do Cristo Redentor, do Rio de Janeiro, que foi imediatamente pregado na sua roupa de rei. Assim, ele voltará à África com as benções do nosso Cristo, ou Oxalá, como se diz no ioruba.
Floresta Sagrada e Secreta
Antes da cerimônia, porém, Oba esteve na Esplanada dos Ministérios onde debateu três assuntos com ministros do governo Lula: a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial pelo Congresso Nacional; o apóio a implantação pelo MEC do ensino da História da África e seus reflexos no Brasil.
Com as autoridades ambientalistas – representes do ministro Carlos Minc e do Ibama - a conversa foi sobre a implantação da primeira "Floresta Sagrada" no Brasil, uma espécie de território protegido, como os indígenas, onde os cultores dos orixás africanos e seus descendentes terão o poder de administrá-la para que possam praticar livremente os ensinamentos dos orixás junto à natureza. Esse assunto, aliás, está intrinsecamente ligado às propostas brasileiras para a Conferência Climática de Copenhague.
- Mas onde será esta Floresta Encantada? Pergunta o curioso repórter.
- Não podemos dizer. A escolha é secreta para protegê-la desde logo contra futuras especulações imobiliárias e do progresso insano, responde Baba Sebastião, cuja consciência ecológica e os conhecimentos políticos impressionam pelas informações e poder de articulação.