sábado, 17 de maio de 2014

O RIO NA COPA (2)

TORCIDA DE RUA, AINDA ENVERGONHADA

 

Luis Turiba

 

Sabe aquela energia que você precisa botar pra fora, mas ainda não liberou. Aquele pum travado, nem sabe se é certo ou errado. É o que acontece. As bandeiras ainda estão acanhadas, desbotadas, mal lavadas, algumas até rasgadas, malajambradas.

Tudo indica que os cariocas ainda estão envergonhados pela realização da Copa do Mundo no Brasil e todos os seus grandes absurdos padrão FIFA – morte de trabalhadores nas obras; custos faraônicos em "arenas" que afastam do futebol os verdadeiros torcedores, proibições das mais desvairadas, etc.

Copa do Mundo sempre foi algo muito especial para nós brasileiros. Nelson Rodrigues cunhou o termo: pátria de chuteiras e proclamou o fim do complexo de vira-lata com as conquistas de 58 e 62. Sou dos que ainda dáo Viva a Garrincha e seus dribles diabólicos e a Pelé, o eterno rei da bola. 

Até agora, a menos de um mês da nossa estreia no famigerado Itaquerão, o clássico verde-amarelo das ruas não se manifestou, não está à vontade para reluzir nesse céu azul de maio.

Aquela euforia popular e espontânea de outras Copas, com o povo pintando ruas, embandeirando os espaços, montando uniformes, saindo as ruas com a camisa canarinho, ainda não acordou o Rio de Janeiro. Até porque a Dona Fifa, com seu padrão stalinista, andou proibindo manifestações festivas em torno do Maracanã. A galera está na rua protestando: Fuck Fifa!

Nas escadarias da Câmara dos Vereadores, na Cinelândia, parcela da juventude instalou o "Festival Não Vai ter Copa", com muita música, poesia e outras demonstrações de protestos-artísticos.

Mas nem tudo está perdido e aquele tesão do torcedor brasileiro pela Seleção pentacampeã começa a se espreguiçar aos poucos. Abrem os olhos e aqui e ali surgem manifestações pró-seleção. No Flamengo e no Catete, dois dos mais tradicionais bairros torcedores, surgiram dia desses os primeiros sinais de torcida-viva.

A Rua Correia Dutra, que liga a Rua do Catete à Praia do Flamengo, amanheceu decorada e embandeirada.  Filipão em uma esquina, "Rumo ao Hexa" em outra, Neymar no meio. A rua tem muitos hotéis e receberá turistas argentinos principalmente. A pergunta agora é: será que essa tendência de torcidas de rua vai crescer, inundar o país conforme deseja o ministro dos Esportes e a própria presidente Dilma?

Vai saber? Os protestos estão aí, a vibração pela Seleção começa a renascer. Sentimentos contraditórios que se complementam. Ou como disse um gaiato torcedor fanático: "a gente vai pintando as ruas, se a Fifa reclamar, a gente diz que é festa junina".

 

Um comentário:

Zélia fernanda disse...

Valeu Corrêa Dutra!!! Esqueceu a FIFA, e mostrou com a sua belíssima decoração, e quem manda no Brasil somos nós os Brasileiros!!! HEXA BRASIL!!! Jorge Pulmão