segunda-feira, 25 de julho de 2016
O DVD DE SANDRA DUALIBE SERÁ GRAVADO NESTA QUARTA
O GOLPE COMO FRAUDE E LENITIVO AO DECLINIO
sexta-feira, 8 de julho de 2016
DESTINO, um artigo de André Gustavo Stumpf,
André Gustavo Stumpf, jornalista.
Vargas Llosa narra em seu magnífico A guerra no fim do mundo, lançado no Brasil em 1984, uma briga de morte entre dois jagunços que disputavam o privilégio de matar um estrangeiro, justamente o narrador da controvérsia. Eles amarram as fraldas das camisas e se esfaquearam reciprocamente. Naturalmente, ninguém vence. Os dois morrem. O livro descreve a história da Guerra de Canudos e mergulha nos elementos retirados do clássico, Os Sertões, de Euclides da Cunha.
Vargas Llosa andou pelo interior da Bahia, conversou com pessoas, ouviu histórias, mergulhou no acervo do jornal do jornal O Estado de S. Paulo – Euclides da Cunha era repórter daquele periódico – e foi até a Washington pesquisar na biblioteca do Congresso dos Estados Unidos sobre este formidável conflito que desafiou a jovem República brasileira. Só no terceiro ataque, Canudos capitulou. Na verdade, a pequena vila foi arrasada. Mas os inssurretos mataram o coronel Cerqueira Cesar, que comandava as tropas do Exército.
O autor revelou essa modalidade de briga pessoal. Os dois se amarram e se atacam impiedosamente. Normalmente, morrem. Mas, a honra está salva. Conto essa história porque não sei se a vida imita a arte ou vice versa. Mas Dilma Rousseff e Eduardo Cunha tiveram seus destinos amrrados um ao outro. O deputado carioca, 57 anos, é um negociador frio, que soube enriquecer no exercício da atividade política. Os sucessivos inquéritos que correm contra ele na Justiça demonstram à saciedade sua maneira de operar a política e a contabilidade.
A presidente afastada, 69 anos, possuia um leque mais pobre de iniciativas. Ela aparentemente não estava preparada para o exercício do mais alto cargo administrativo do país. Não conhecia os meandros da política, não soube medir seus riscos e se aventurou pelo perigoso caminho voluntarista. Seu governo foi um desastre total. O pior da República brasileira. Não alcançou nenhum dos objetivos pretendidos, mesmo porque eles eram difusos e mal definidos. Restou a ela escolher inimigos. E um deles foi precisamente Eduardo Cunha.
Cunha, por sua vez, fez carreira enfrentando adversários e dobrando suas apostas. Rompeu com o governo e colocou na ordem do dia o pedido de impeachment do presidente da República. O desenvolver da crise é fartamente conhecido. A presidente afastada está isolada no Palácio da Alvorada. Seus amigos estão se distanciando, os argumentos estão rareando e ela, lentamente, começa a transportar seus pertences pessoais para Porto Alegre, onde reside. O processo de impedimento deverá ser apreciado pelo plenário do Senado na última semana de agosto.
Eduardo Cunha foi, de recuo em recuo, caminhando em direção à sua própria renúncia. Derradeiro capítulo na tentativa de escapar da cassação. Parece sentença proferida. Mas sempre caberá a ele promover o último ato em sua própria defesa e na proteção dos familiares. A crise brasileira está entrando nos moldes tradicionais. Os dois opositores se agrediram reciprocamente e encontraram o seu fim. No Brasil, os políticos morrem várias vezes. Veja-se o ex-presidente Collor, que perdeu a presidência, é hoje um operoso senador da República.
Do ponto de vista do governo Temer, o desfecho lhe é altamente favorável. A crise Eduardo Cunha deixa de contaminar a Câmara dos Deputados. Passa a ser um assunto pessoal do ex-presidente. Será cassado pelo Congresso ou pelo Supremo? Seu destino não interfere na política nacional e libera a instituição para viver sua vida, votar o que for necessário e virar a página na política nacional. Os debates sobre sua sucessão fazem parte da atividade parlamentar. O grupo chamado de centrão, reprodução do que ocorreu ao tempo da Assembléia Constituinte, deve apresentar o nome de Rogério Rosso (PSB-DF) como candidato.
Rosso é um personagem curioso. Ele veio da iniciativa privada. Trabalhou na Fiat. Foi administrador de Ceilândia e no governo Arruda transformu-se em presidente da Codeplan. Foi governador do Distrito Federal naquele mandato tampão, depois que Arruda dixou o governo. Roqueiro, em pleno mandato foi para a Alemanha tocar em festival de música. Ele tentou se recandidatar ao cargo pelo PMDB. E não conseguiu. Passou o tempo, ele morreu uma vez, e ressurgiu como deputado federal. Sua boa atuação na comissão do impeachhment na Câmara proporcionou uma avenida de oportunidades à sua frente.
Os neogovernistas têm suas pretensôes. Uma delas se chama Heráclito Fortes (PSB-PI), experiente parlamentar que está no congresso Nacional desde os tempos de Ulysses Guimarães de quem foi amigo e discípulo. Outros candidatos surgirão. A poeira provocada por estes movimentos na próxima semana tenderá a embaralhar os movimentos na política. Cunha caminha para seu destino e Dilma para Porto Alegre. Um amarrou seu horizonte na possibilidade do outro. Os dois morreram. O governo Temer aparentemente se salvou.
quinta-feira, 23 de junho de 2016
MUDANDO PARADIGMAS
Luis Turiba
Nunca antes na história desse País, tantos inescrupulosos políticos brasileiros, do centro de esquerda e da direita, foram pegos com a mão na cumbuca surrupiando o mingau nosso de cada dia. A República das Empreiteiras caiu como um castelo de areia perante uma onda no mar diante da Lava-Jato. O Supremo se mantêm firme nas decisões anti-corrupção e hoje mesmo caíram mais dois ex-ministros de Dilma. Não faz marola, dizem os políticos, mas se gritar "pega ladrão", não ficar um meu irmão. Nem Freud segura a fraude. O Brasil vive dias terríveis, assustadores. É muita laranja madura e Fat Family pra todo lado. Mas isso faz parte do ébo de limpeza. Quem sabe após essa desratização generalizada, uma nova consciência possa surgir (?) entre políticos, empresários e principalmente eleitores com reflexos já nas eleições para as prefeituras deste ano e, principalmente, para as eleições presidenciais de 2018. A verdadeira esquerda - atenção PSOL - precisa rever todas essas práticas corruptas. É nisso que apostamos.
Duas falas marcaram o noticiário de hoje e são exemplares. Reflitam sobre elas:
1- "Assim como, historicamente, se tornou inaceitável discriminar negos e gays (...) bater em mulher (...) dirigir embriagado (...) tornou-se inaceitável a nomeação de parentes para cargos públicos. Acho que está em curso no Brasil hoje uma nova mudança de paradigma. Não é mais aceitável desviar dinheiro público, seja para financiamento eleitoral, seja para o bolso." Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo durante o julgamento de Eduardo Cunha.
2- "A corrupção é uma assassina sorrateira, invisível e de massa. Ela é uma serial killer que se disfarça de buracos em estradas, em faltas de medicamentos, de crimes de rua e de pobreza", afirmou Delton Dallagnol, procurador da Lava-Jato.
segunda-feira, 6 de junho de 2016
KOMBI VELHA TEM O SEU VALOR
Por Luis Turiba
Quase meio-dia e eu ainda estava na fila do banco. Tinha que chegar as treze na Central do Brasil para encontrar uma galera e subir o morro da Providência para conhecer a famosa Casa Amarela no topo da favela, uma base de cultura numa área dominada de tráfico. Quinta-feira de inicio do mês é sempre assim: a longa fila dos velhinhos estava sacudida com as rabugices de sempre. Num repente, ela (80) saiu do meio da fila e foi ao encontro dele (89), o primeiro prestes a ser chamado para o atendimento:
- Como vai Seu Jacó? Tá lembrada de mim...
- Claro, garota. Mas você tá velha, heim?! Eu também estou velho, mas você está mais engilhada do que eu.
- E como vai Dona Sarah?
- Também tá velha, mas não morreu ainda, respondeu ele sem poupar sincerismos.
- Trabalhei na loja deles, uma tapeçaria, quando eu tinha 17 anos, confidenciou ela para quem observava de perto o reencontro.
- Mas o tempo passa e deixa a gente assim, parecendo maracujá de fim de safra, disse ele antes de seguir para o atendimento.
O coroa que estava na cadeira ao meu lado, olhou de soslaio e cravou seu palpite:
- Aí tem coisa...
Esse tinha pinta de jovem. Usava pulseiras de couro, um chapeuzinho branco, óculos estiloso, sacolas penduradas nos ombros, lencinho no pescoço. Parecia ter vindo a pé de Woodstock.
- Com língua e dedo ninguém fica imprestável, completou baixinho com olhar sacana.
A fila andou e me piquei pro metrô no rumo Central onde iria encontrar a galera do coletivo Viajantes do Território para subir o Providência, a mais antiga e central favela do Rio de Janeiro, em missão cultural. O entorno da Central ainda me assusta, pois parece um pouco a Índia com gente de tudo quanto é tipo circulando apressadamente pra tudo quanto é lado. Se tentar usar celular naquele mafuá, dança.
Finalmente nos reunimos no ponto combinado sob o comando de Egeu Laus, o comandante dos Viajantes. Éramos 12 e partimos em busca de uma Kombi velha, cujo teto mais lembrava um assoalho sem o carpete retirado na força e na marra. Seis conseguiram entrar e os outros ficaram para a próxima viagem. A Kombi velha engilhada ia se arrastando pelas ruelas estreitas de paralelepípedos onde mal passava um fusca. Demorou bem meia hora até chegar na subida. A Kombi velha está acostumada com aquela ladeira de curvas fechadas e ainda é o melhor meio de transporte para os moradores do morro quando o teleférico para por manutenção ou guerra entre traficantes. Paga-se pela viagem três reais.
A Kombi velha engilhada que já teve 17 anos nos deixa na Estação do Teleférico. De lá, nossa guia nos leva até o Bar da Jura que fica em baixo da estação, de onde avistamos toda a baía da Guanabara, a ponte Rio-Niterói, a Cidade do Samba e os novos prédios envidraçados da Odebrecht que surgem aos borbotões na Zona Portuária, além de uma parte da comunidade com intrincados corredores onde não se deve fotografar pois o movimento é intenso.
- Sabe como é, né: depois você pode passar pelo constrangimento de ter que apagar a foto, e isso não é legal", explica Dona Jura que faz um inhoque com camarão de tirar qualquer freguês do sério.
Ela distribui cartões para todos e avisa:
- É só ligar e encomendar o que vai comer. Pode trazer a família, amigos, subir na paz que estamos aqui para recebe-los. É só avisar antes de subir.
Começamos a entender ali como se desenvolve o dialético equilíbrio entre os diferentes negócios do morro da Providência: cada um vende o que tem e o que pode. Cada qual, a sua maneira.
Finalmente, chegam os Viajantes retardatários. Um dos jovens que trabalha na Casa Amarela, o Douglas Oliveira que aparenta ter seus 18 anos, vai nos guiar na visita que começa pela sacrificante subida da escadaria, com seus 162 degraus, quase todos grafitados com letras de Raul Seixas e Cazuza. Aquela subida será para minhas cansadas panturrilhas uma prova de fogo. Afinal, estão elas em tratamento no hospital Sarah de Brasília. Os pulmões e o coração resistiram bem, mas as canelas chegam lá em cima quase sem fôlego. No caminho, passamos pelos meninos que fazem o atento trabalho de permanente observação. Cochilou, o cachimbo cai. Um deles, com pouco mais de 16 anos, trabalha com quatro celulares e dois walk-talk. Armas não aparecem, mas se insinuam.
A Casa Amarela, com seu três andares, parece uma obra de Gaudí dos trópicos. Ela é costurada de ripas de madeira e aqui e ali pequenos barracos aparecem como torres. O projeto começou em 2008 graças ao fotógrafo francês J.R. que hoje mora em Nova Iorque. Na época, ele ensinou fotografia aos jovens da favela. Hoje existe ali um Cine Clube, aulas de inglês para as crianças da Providência, cursos de Grafiti e até um projeto para extrair energia de legumes. Muitas artistas estrangeiros passam pela casa com oficinas voluntárias e importantes doações.
Visitamos a exposição permanente de fotografia, as dependências internas grafitadas e ouvimos com a maior atenção uma palestra sobre Sustentabilidade na Favela feita militante Aline Mendes, 38 anos, que trocou seu emprego certo ("mas chato pra caralho") em um cartório do Rio pela aventura de ser uma empreendedora no morro da Providência. No cartório, ela abriu uma gaveta para "as boas ideias", onde ia guardando informações preciosas que mais tarde foram fundamentais para seus projetos de mapeamento, Ecopontos e Calendário para o Providência Sustentável, que teve o apoio da prefeitura e do Sebrae.
Com uma alegria transbordante, Aline nos conta como deu seu grito de independência do Seu Barriga, seu antigo chefe no cartório: "Tudo eu anotava: água, luz, pessoas, ruas, tudo, tudo. Andei toda a favela chegando a ir a lugares proibidos como a Pedra Lisa, onde a barra é muito pesada. Vi moradores lavando suas portas do sangue derramado na guerra entre as facções do tráfico. Passei muito perrengue mas cheguei a ser chamada de maestrina de obra, pois criei meus filhos e construí com minhas mãos a minha própria casa virando massa todos os fins de semana. Quando resolvi pintar o Escadão, tive que pedir autorização a UPP e eles noticiaram isso como obra social deles. Fiquei apavorada, pois corri o perigo de ser pega pelo tráfico e levada ao tribunal."
Fim de tarde. O céu se fecha, as gaivotas sobrevoam em bando e círculos nossas cabeças e a chuva ameaça cair. Aproveito o intervalo e deixo a Casa Amarela para trás, seguindo com um casal de visitantes. Como na subida, também somos observados na descida por olheiros espalhados na área. Na estação do Teleférico, esperamos a velha e cansada Kombi por mais de 20 minutos na certeza que estamos na mira de binóculos e outros tipos comunicações, pois somos seres estranhos àquele ambiente.
Finalmente, a Kombi chega. Entramos, sentamos e pagamos. Antes de partir na sua venturosa descida, ouvimos gritos e o motorista freia e deixa o veículo parado na esquina fronteiriça entre o topo e a ladeira. Um jovem recém saído da adolescência chega junto, sussurra algo no ouvido do motorista, dá uma geral no ambiente interno e libera a descida. A velha e engilhada Kombi já não tem 17 anos, mas tem lá o seu valor.
terça-feira, 31 de maio de 2016
E SE DILMA VOLTAR?
sábado, 14 de maio de 2016
O MINC E A ALMA BRASILEIRA
Por Luis Turiba
O Ministério da Cultura (MinC) foi criado em 15 de março de1985 pelo então presidente Tancredo Neves. No dia da sua posse, Tancredo foi internado, operado e não assumiu, sendo substituído pelo seu vice José Sarney.
O MinC, portanto, surgiu junto com a Nova República para atender aos anseios de artistas, intelectuais, professores, pensadores e produtores de arte e cultura que participaram da campanha das Diretas Já e da eleição indireta de Tancredo Neves, pondo fim a 21 anos de ditadura. O primeiro ministro da Cultura foi o então deputado José Aparecido que, de imediato nomeou um negro (Carlos Moura) e um índio (Cacique Marcos Terena) como assessores diretos. Foi seu primeiro ato.
O MinC se tornou a Casa da Cultura dos que queriam e desejavam pensar a cultura brasileira do ponto de vista simbólico, estrutural, econômico e artístico. Foi a partir da nomeação de Moura que surgiu a proposta de criação da Fundação Palmares para políticas públicas culturais afro-brasileiras. O ministro Aparecido não esquentou a cadeira, pois atendeu a um pedido do presidente Sarney e virou governador indireto de Brasília. No governo Sarney, passaram pelo MinC intelectuais do porte do economista Celso Furtado e do acadêmico e dicionarista Antônio Houaiss. Personalidades como Ziraldo, o poeta negro Adão Ventura, o historiador Angelo Oswaldo participaram e criaram o ministério.
No governo Collor, o MinC se apequenou. Em 12 de abril de 1990 foi transformado em Secretaria da Cultura, diretamente vinculada à Presidência da República. Essa situação foi revertida pouco mais de dois anos depois, já no governo do presidente Itamar Franco, quando foi criada a Lei Roaunet de incentivo à cultura.
Em 1999, no governo FHC, foram ampliados os recursos e a estrutura foi reorganizada. O ministro Francisco Werfort passou a aplicar a famosa Lei Roaunet captando recursos para projetos culturais. A lei atendeu e atende a produtores culturais do país, mas não consegue bancar com seus recursos direcionados a milhares de pequenos produtores. Esse gargalo ainda não foi resolvido.
Em 2003, o MinC passou a viver a chamada "Era Gil" da cultura brasileira. Ao ser convidado e nomeado para o ministério, o cantor e compositor tropicalista Gilberto Gil, resolveu atender ao chamado do presidente Lula que lhe disse: "vá lá e faça como você faz no palco". E Gil fez mesmo: montou uma equipe competente de "cabeças iluminadas" e saiu pelo Brasil dançando e cantando, anunciando as boas novas. No seu discurso de posse, falou em "do-in antropológico", que massagearia pontos vitais momentaneamente desprezados ou adormecidos do corpo cultural do País. O "do-in" serviu para "avivar o velho e atiçar o novo", segundo o poeta e antropólogo Antônio Risério, criador da expressão.
O MinC passou a ter uma estrutura densa: uma Secretaria Executiva com três diretorias (Gestão Estratégica, Gestão Interna e Relações Internacionais), seis Representações Regionais (nos estados de MG, Pernambuco, Pará, RJ, Rio Grande do Sul e São Paulo; além de seis Secretarias: Fomento e Incentivo à Cultura, Políticas Culturais, Cidadania Cultural, Audiovisual, Identidade e Diversidade Cultural e Articulação Institucional.
No governo Dilma o MinC perdeu a pulsação. O principal projeto da Era Gil – os Pontos de Cultura – não avançou. No meio do caminho, a presidente nomeou a cantora Ana de Hollanda, irmã do Chico Buarque. Recursos foram cortados e pouco foi feito.
Apesar de parte do movimento cultural ter se engajado no movimento "Não vai ter golpe", contra o impeachment da presidente, existia uma latente insatisfação de artistas, pensadores e produtores de arte e cultura com a performance do Minc nos governos Dilma. O ministério ficou à míngua e o governo devendo muito ao mundo da cultura.
Sabemos que a cultura brasileira tem pulsação própria e merece um tratamento de honra no topo da nossa existência planetária. Cultura deve ser tratada pelo seu simbolismo como parte fundamental da formação do nosso povo, dos seus costumes, da memória, da criatividade infinita da nossa gente. Vejamos o exemplo do samba e seu valor simbólico, até como produto de exportação. A Cultura como encontro de raças e necessidade lúdica para enfrentarmos o dia-a-dia de nossas lutas, prazeres e sobrevivências. Cultura como ação social civilizatória. Mas que fique claro: não cabe ao Estado fazer Cultura, mas promover e apoiar o desenvolvimento da sociedade como direito básico da cidadania.
Assim, sem olhar atenciosamente para a cultura brasileira com o devido respeito que sua história merece, o novo governo tropeça na brasilidade. Não basta tão somente um ministério, pois mistério sempre há de pintar por aí. A questão é mais profunda: temos que valorizá-la no seu conjunto. Afinal, cultura não é somente a cereja do bolo, mas cesta básica também. Faltam cultura e mulheres no governo Temer.

