terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O QUE É POESIA? PERGUNTE AO POEMA...


45 POETAS RESPONDEM À PERGUNTA QUASE FILOSÓFICA

 

Luis Turiba

 

Deliciei-me neste início de fevereiro – Odo Oya, Salve Iemanjá! - com uma leitura que acabou se transformando em breve estudo, do pequeno-denso livro "O QUE É POESIA", organizado por Edson Cruz, primeiro volume da coleção "Os contemporâneos", da editora Confraria do Vento/Calibán, Rio de Janeiro.

 

Ganhei quase por acaso o livro de presente do poeta Nicolas Behr no recital que fizemos no Café Martinica, em lembrança de outro poeta, Ariosto Teixeira, falecido neste início de 2010. Não por acaso, a frase de Ariosto que escolhemos para homenageá-lo foi "O poema é minha vitória sobre o nada", uma quase resposta a provocante indagação.

 

O livro é maravilhoso e polêmico porque é simples e complexo e desde já recomendado a todos aqueles – poetas ou não – que se dedicam ou se identificam com a arte poética, este manto sagrada da literatura.

 

A estrutura do livro é simplérrima. 45 poetas de diversas calibragens respondem a três perguntas: O que é poesia? O que um iniciante no fazer poético deve perseguir? Cite 3 poetas e 3 textos referenciais para o seu trabalho poético. Por que as escolhas?

 

Na apresentação, Edson Cruz doura nossa pílula. Ele considera o poeta "a essência cintilante do que denominamos escritor" (...) eles carregam a responsabilidade, ou a pretensão, de serem as antenas da raça. E, cá pra nós, muitos realmente o são."

 

Fui lendo o livro despretensiosamente e, de repente, já estava lá na biblioteca revisitando outros livros básicos para ajudar a compreender melhor as respostas dos bravos bardos.

 

Gostei mais daqueles que respondem a pergunta-mãe – afinal, o que é poesia? -, com pura poesia, mergulhando no túnel da metalinguagem. São as melhores. Cito aqui especialmente a resposta de André Valias, poeta, designer gráfico e produtor de mídia interativa, o sócio de Gilberto Gil na Refazenda. Valias faz um passeio por inúmeros fazeres poéticos e termina magistralmente com o Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade: roteiros roteiros roteiros roteiros roteiros roteiros roteiros roteiros amor/humor (eterno roteiro).

 

Augusto de Campos, hoje o mais importante e criativo poeta vivo no Brasil, também dá uma de Garrincha com dribles zens, mas termina nos dando duas valiosas dicas, sendo uma de Ezra Pound: "equações para as emoções humanas."

 

Tavinho Paes e Luis Serguilha dão asas à imaginação e a força da linguagem contra as doutrinas e a favor das musas. Frederico Barbosa vai à síntese ao afirmar que "na poesia menos é sempre mais" e Nicolas Behr recomenda: "escrever muito e rasgar muito."

 

A desobediência é linha-mestra nas respostas dos poetas ao falar de seus pares luminares. O gaúcho Ricardo Silvestrin, que tem uma banda transcendental chamada "poETs", dá uma de bom malandro e cita três trios: Bandeira/Drummond/Quintana; Chacal/Leminski/Alice Ruiz, e Augusto/Haroldo/Décio.  E Ricardo Aleixo descasga a rapadura com sua radicalidade mineira: "continuo a me ver como um iniciantes depois de 30 anos de tentativas. Foi a maneira que encontrei para impor limites ao ego e, ao mesmo tempo, para manter acesa a chama do desejo de ser poeta."    

 

Enfim, um livro que desperta nossa curiosidade e nos abre caminhos para outros. No meu caso, fui reler e reaprender com "ABC da Literatura", de Ezra Pound; edição da Cultrix; e "O Arco e a Lira", de Octávio Paz, coleção Logos.

7 comentários:

オテモヤン disse...

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Anônimo disse...

Caro Turiba,


obrigado pela parte que me toca!


Só uma correção: sou sócio de Flora e não de Gilberto... :-)


Aquele abraço,


André Valias

Anônimo disse...

Angélica Torres para mim, paubrasilia, Amneres, Paulo, Ana, Anand, adeilton, Alberto, Sylvia
mostrar detalhes 18:56 (24 minutos atrás)

é verdade, Turibinha, passei o olho ontem em alguns depoimentos, têm coisas interessantes, como o do português Nicolau Saião e tbm do Serguilha, sempre complicado, mas interessante, do Augusto também, e outros tantos.
mas gostei principalmente da concisão e despretensão do nosso Niki (como também do Affonso, do Willer, da Flávia Rocha que, como eu, gosta da Anna Akhmátova.)...
dou a mó força pra sua indicação...
bj

Angelica

Anônimo disse...

oi turiba,


há quanto tempo! bom ouvir notícias suas.


um abraço,


virna


Virna Teixeira
Http://papelderascunho.net

Almira disse...

Turiba
é muito bom ter suas mediações!
abraço
Almira

Anônimo disse...

Turiba,
grato pelo comentário do livro em seu blogue.
foi o primeiro comentário sobre ele, em qualquer mídia.


adorava a Bric a Brac. vc tem alguns números antigos?
em março, 27 e 28, estarei em Brasília. vamos nos conhecer...


abraço,

Edson Cruz

susan disse...

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