segunda-feira, 3 de maio de 2010

BEIRUTE, O BAR MAIS IMPORTANTE DO MUNDO

 
Luis Turiba
 
Imagine só toda uma enciclopédia dedicada à história de um único bar!

 

Pois é mais ou menos isso que vai acontecer amanhã (terça, 4/05), com o lançamento do livro 'BEIRUTE, BAR QUE INVENTAMOS", organizado por Fernando Fonseca, com mais de 100 colaboradores.

 

Será no Foyer do Cine Brasília com a apresentação de um documentário sobre o mais famoso bar de Brasília.

 

O livro traz textos, poemas, fotos, entrevistas, teses, montagens. São 404 páginas de um trabalho editorial que já dura há mais de 10 anos. Ou como prefere definir o autor de tamanha façanha: "o livro é uma expressão coletiva daqueles que gostam do Beirute."

 

Nenhum outro bar, pub ou restaurante do mundo mereceu tratamento tão digno e nobre.

 

Para organizar o livro, Fonseca se dedicou por nove meses a recolher textos, montar um arquivo fotográfico de personagens e ambientes junto com o fotógrafo Luiz Clementino e a encontrar um montagem gráfico que acompanhasse o astral do Beirute. O livro traz também uma edição fac-simile de uma primeira edição publica em 1994.  

 

Tive a honra de participar do livraço com texto poético-jornalístico sobre a alma dos que freqüentam o Beirute. Eis um resumo da nossa participação:

 
 
República Livre & Leve do Beirute

Patrimônio imaterial de Brasília

 

"Bar: três letras que bebem sem parar

Enquanto o mundo pulsa fragmentos

Numa verdadeira CPI da existência"

 

Confesso. Estes versos da abertura do poema "Glo(bar)libar" do meu livro "Bala" não foram feitos especificamente para o Beirute, o bar-restaurante mais popular e festivo de Brasília.

 

Mas poderiam, pois eles cabem como uma camisinha bem colocada (uma arte biruteana, por sinal) para descrever a filosofia existencial do território mais libertário da capital do País. Ou seja: tudo que existe neste planeta se fala aqui na mesa do bar, mas com um detalhe: o papo é sempre regado à cerveja, um bom uísque e muita insinuação.

 

É assim que o Beira cumpre sua missão de ser a verdadeira CPI da existência humana com todas as suas complexidades e pluralidade. Da mais vil fofoca de alguém que esta comendo um outro alguém a um boato ministerial que no dia seguinte irá fazer estremecer a República e fazer a Bolsa cair. Mas, já já voltamos ao assunto. Agora, sigamos falando de poesia.

 

Para o Beirute, na verdade, fiz um outro versinho, quase um hai-kai, que está no livro "Cadê?".  Diz assim:

 

Noite fulmínea

Permitir-se

Soprar a última vigilância da lucidez

A Deus"

 

Ora, é de se afirmar que à noite biruteana foi, é e continuará sendo uma das sete maravilhas de Brasília, pois enquanto a lua brilha e as estrelas cintilam no céu infinito do Planalto Central, um happening de atitudes, conversas e posturas acontece entre suas mesas boemias e copos transbordantes de cerveja.

 

Isso acontece em qualquer dia da semana de domingo a quinta. Nas sextas, porém, o clima se transforma em uma quase revolução cultural francesa: liberté, fraternité, igualité. De uns tempos pra cá, vale tudo no mais libertário território GLS de Brasilia! O Beira se transmuta em Gayrute e explode em alegrias, tititis, azarações e desmunhecações de rapazes e moças e outros e outras nem tão moças e rapazes assim. Todos os credos, opções sexuais, etnias e folias juntos num tudo ao mesmo tempo agora.

 

Ah, mas isso sempre foi assim.  Atire a primeira pedra quem nunca viveu uma noitada surpreendente, caliente, sedutora, embriagadora, louca – muito louca - no Beirute. Quem não dormiu no slipbag nem sequer sonhou e não há de saber do que estamos falando.

 

Reduto de diferentes tribos, as pessoas se encontram no Beira como numa praça do interior ou na Praça Castro Alves de um carnaval baiano dos velhos e inesquecíveis anos 70/80. A noite é fulminante e, ao permitir-se vivê-la em sua plenitude, acabamos por soprar a última vigilância de lucidez ao um Deus maior que toma conta da boemia, dos artistas, dos bêbados, dos apaixonados e, por que não, também dos garçons – coitados - que aturam toda essa piração com paciência, bom humor e generosidade. Isso por quatro décadas seguidas."

 

Um comentário:

Marcos disse...

Luis,

Estou acompanhando seu blog já faz um tempo e achei muito bons seus textos, ainda mais sobre a clutura de Brasília e o dia-a-dia do candango.

Sobre o Beirute é realmente um lugar sem precedentes, cheio de história e tradição.

Recntemente, eles até lançaram um livro (Beirute - Bar que inventamos) e uma cerveja própria (Beira Bier).

Depois olha o site da Beira Bier, o qual as pessoas cadastram suas histórias sobre o Beirute: http://migre.me/BYFk

Abraço.